EM FORMA, EM CASA

A nova realidade decorrente da pandemia – que levou as pessoas a fazerem exercícios físicos, em casa e sem orientação, e tarefas diárias a que não estavam acostumadas – gerou preocupação em profissionais de saúde e bem-estar. A fundadora, professora e diretora de um dos primeiros estúdios de pilates do Rio de Janeiro, Mariana Lobato, e o ortopedista Eugenio Capobianco, que há 17 anos tem consultório no Jardim Botânico, dão boas dicas para seguir em forma, em casa.

Studio Mariana Lobato foi um dos primeiros a se adequar à realidade imposta pela quarentena. Mariana lembra que logo na primeira aula com os novos protocolos de higiene percebeu que não ia dar para manter o estúdio funcionando normalmente e decidiu fechar. A decisão, apesar de acertada, não era simples, e o alerta veio de sua própria mãe, que disse: “Vou ficar doente, se ficar parada”. A solução também veio da vivência familiar. Se seu sobrinho Pedro, de 10 anos, falava com quatro amigos ao mesmo tempo pelo WhatsApp, isso também poderia funcionar para aulas virtuais. Na mesma semana, ela e os outros quatro professores começaram a estudar de que maneira poderiam usar a internet para manter todos conectados e em forma. O primeiro teste foi entre eles mesmos. As condições não eram as ideais, mas concluíram que era possível dar as aulas por zap e Zoom. Ligaram para todos os alunos, um a um, explicando e testando o formato individualmente e, só depois, retomaram as aulas em grupos de quatro pessoas, como era o normal.

Logo em seguida, a equipe criou como ferramenta de apoio “caixas” com seis “Pílulas de movimento”, que chegam no celular dos alunos semanalmente acompanhadas por uma “bula”. Os pequenos vídeos mostram movimentos simples, já conhecidos pelos alunos, usando os mesmos termos de sala de aula, mas com acessórios fáceis de encontrar em casa. A estratégia deu tão certo que, além de conseguir manter a maioria de seus alunos, o Studio Mariana Lobato atraiu alunos novos, ex-alunos e gente que foi morar longe – até no exterior –, além de resgatar aqueles que costumavam faltar muito as aulas presenciais.

Com atenção especial, os alunos do Studio Mariana Lobato seguem em forma e sem contusões. Mas essa não é a realidade de muitas pessoas, que têm procurado cada vez mais o consultório do ortopedista Eugenio Capobianco. O médico observou uma mudança no perfil das pessoas que o tem procurado durante o isolamento social.

Segundo o médico, antes da pandemia 90% de seus pacientes chegavam ao consultório reclamando de dor lombar. Atualmente, as dores nos ombros e joelhos aumentaram. Os casos agora são mais variados, como o de paciente que travou a coluna dando banho no cachorro; outro que chutou um móvel em casa e quebrou o dedinho do pé; uma que torceu o pé em casa e quebrou o tornozelo; e outra que fraturou o joelho cortando a hera do muro de casa.

O lado emocional também deve ser observado, já que o estresse e a irritabilidade aumentaram muito. Capobianco lança um alerta especial àqueles que não se exercitavam antes da crise do coronavírus: os exercícios devem ser de leve a moderados, em espaços ventilados, lembrando de remover objetos que podem causar acidentes, como brinquedos, banquetas, animais e até crianças. Por falar nelas, é preciso pensar em atividades físicas também para a turma miúda, a fim de estimular o crescimento e melhorar o humor e a qualidade do sono.

A telemedicina passou a ser muito usada, mesmo em ortopedia. Alguns planos disponibilizaram uma plataforma especial para agendamento e atendimento por meio de uma chamada de vídeo e acesso ao prontuário eletrônico do paciente. Capobianco considera as teleconsultas como fortes aliadas neste período de isolamento social e tem utilizado a tecnologia para fazer avaliações rápidas ou indicar um cuidado específico ou medicação para amenizar uma dor forte em situação emergencial. Entretanto, ele alerta que nem sempre este novo formato é capaz de substituir o atendimento pessoal. A novidade vem sendo bem aceita até mesmo pelos mais idosos, que ficam maravilhados com a possibilidade de não precisar se deslocar, especialmente neste período.

– Muita gente começou a fazer exercícios sem acompanhamento profissional e sem o espaço e cuidados ideais. Além disso, muitos não estavam acostumados à faxina pesada, serviços de jardinagem e outros trabalhos de casa e acabam sofrendo quedas, dando mau jeito em função de movimentos bruscos e de má postura – observa Capobianco.

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