TEMPORADA PRODUTIVA PARA TONI PLATÃO


Quarentena pode ser sinônimo de trabalho. Pelo menos é assim que o cantor e compositor Toni Platão (Ilustre Morador da edição 30, em 2009) está encarando esse período. Da segunda quinzena de março para cá, ele lançou um single e fez o clipe de divulgação do mesmo; gravou voz para uma outra música de um outro projeto seu; e assumiu a coordenação artística do Circo Crescer e Viver.


O mais interessante é que nada disso estava previsto antes da pandemia. No dia 10 de março, Toni Platão começou o que deveria ser uma temporada de shows na Da Casa da Táta, na Gávea. “O amor segundo Herbert Vianna”, com Cris Caffarelli, deveria ficar em cartaz por pelo menos um mês ou, como disse o fotógrafo e DJ Maurício Valladares ao final, “esse show vai ficar mais de um ano em cartaz com fila na porta”, lembra Toni, que pensa em retomá-lo, quando for possível.

Se não dá para fazer show, dá para gravar. No início de abril, Toni lançou o single “Sem essa”, de Jards Macalé e Duda. Ele conta que conheceu a música por acaso, deixando-se levar pelo algoritmo dos canais de streaming (Spotify, Apple Music, Deezer e outros):

– Enlouqueci pela canção e logo pensei que havia baixado um espírito de Roberto Carlos no Macalé. Dias depois, dei de cara com ele no Rebouças. Falei sobre a música e ele deu uma gargalhada imensa, confirmando que havia composto a música pro Rei, mas que ele não quis gravar – narra o intérprete.

Com tempo em casa, Toni aproveitou para aprender um pouco de edição de áudio e vídeo para fazer, ele mesmo, o videoclipe da música, usando imagens de viagens e de família, como um álbum afetivo. Para completar, a foto da capa do single é uma brincadeira com a da capa do disco de RC de 1971; por coincidência, o mesmo que Macalé gostaria de ver “Sem essa” incluída.

Com essa música na cabeça, Toni começou a pensar em gravar um disco só com as canções feitas para o Roberto Carlos e que ele não quis gravar. A ideia ganhou força com uma matéria publicada no jornal O Globo com várias outras músicas na mesma situação. Além de “Sem essa”, Toni gravará outras nove faixas de compositores como Gilberto Gil (“Se eu quiser falar com Deus”), Tim Maia (“Você”) e Francis Hime e Vinícius de Moraes (“Anoiteceu”), com produção de Alexandre Elias.

Toni já havia trabalhado com Elias quando foi assistente de Deborah Colker no musical “Dancing Days”, de Nelson Motta, com quem o produtor costuma trabalhar. O entrosamento entre os dois vai gerar mais uma parceria: um disco de intérprete, só voz e piano, com Ananda Torres. A primeira música é “Sacumé Baby”, inédita de Suely Mesquita, para a qual Toni já gravou voz, sozinho em casa.

Uma novidade na vida de Toni Platão é o trabalho como coordenador artístico do Circo Crescer e Viver, cujas aulas devem ser retomadas em outubro: “Estou gostando do desafio e aprendendo muita coisa de planejamento pedagógico e desenvolvimento institucional. Espero contribuir ao máximo com essa iniciativa do Junior Perim, que faz um trabalho muito bonito no circo e em todo seu entorno”.

Para completar a intensa temporada, “Sur”, o álbum de estreia da banda Panamericana, gravado em 2014 com Charles Gavin, Dado Villa-Lobos e Dé Palmeira, obteve todas as autorizações para ser lançado em julho e pode, finalmente, ser ouvido nos canais de streaming. Mesmo com tantas atividades simultâneas, ele não recusa um convite de Alexandre Araújo, com quem dividiu o programa Pop Bola Esporte Clube por 14 anos, ainda mais quando se trata do Fluminense. Sua mais recente participação foi no Boteco Tricolor, na Flu TV, em 16 de agosto.

Na vida pessoal, por três meses, Toni ficou saindo apenas para ir ao supermercado. Com a flexibilização, ele tem circulado um pouco mais, sempre respeitando o distanciamento social, usando máscara e sem usar transporte público. Apesar de reconhecer que os exercícios são bons para equilibrar o corpo e a mente, ainda não conseguiu se organizar para voltar às aulas presenciais de Tai Chi Chuan, da Stella Torreão, que havia começado no início do ano e seguido on-line nos primeiros meses da quarentena.

Toni confessa que, mesmo antes da pandemia, já não gostava de ir muito longe, e sempre deu preferência para os lugares onde conhece os garçons pelo nome, como o Pedro, da Adega do Porto, e o Lacerda e o Boi, do Hipódromo, ambos estabelecimentos já fechados. Sobrou o Jorginho, do Bar Rebouças, que ele voltou a frequentar – por 30 ou 40 minutos, no máximo –, mantendo distância dos outros frequentadores e passando álcool na sua garrafinha de Heineken.

– É preciso valorizar o comércio local. Tenho tentando ir até lá uma vez por semana e, sempre que posso, peço para entregarem comida de lá em casa. No ano passado, oito estabelecimentos da Maria Angélica fecharam, com a pandemia pode ser ainda pior – avalia.

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