AULAS EM NOVO MODO PRESENCIAL

Setembro chega com uma nova etapa de flexibilização do isolamento, trazendo questionamentos sobre a volta às aulas, atual dilema da sociedade. Apesar de decreto da prefeitura estabelecendo normas para a retomada das aulas presenciais nas escolas, grande parte da população ainda acredita que a reabertura é precipitada, por envolver muitas pessoas, múltiplos deslocamentos em transporte público e dificuldade de garantir o cumprimento das regras de ouro da prevenção. Quando se trata de cursos menores e aulas particulares ou em pequenos grupos, as atividades, aos poucos, vêm sendo retomadas e aceitas com mais facilidade.

Na Escola de Músicos, por exemplo, foi adotado um esquema reduzido, com alunos separados, para que todos os cursos pudessem ser retomados com aulas presenciais a partir de setembro, exceto as de canto e ensaio de banda. Para voltar a funcionar, foram feitas algumas adaptações. Além dos protocolos de higiene e limpeza, Filipe Ferreira, um dos sócios da escola, avisa que o estabelecimento adotou o uso de máscaras, oferece proteção para sapatos e mudou a recepção da escola para a galeria. “Além das medidas de higiene, cada dia será dedicado a aulas de um determinado instrumento. Às segundas-feiras, só teremos alunos de bateria; às terças, alunos de corda; e quintas só de piano. Quem preferir, poderá manter as aulas on-line”, explica.

O curso de Estamparia Artesanal do Studio Cattia Capistrano tem cerca de 30 anos no bairro (atualmente na rua Faro) e retomará suas atividades na segunda quinzena de setembro. Cattia, uma das organizadoras do Circuito das Artes do Jardim Botânico, reduziu o número de vagas a fim de possibilitar maior o distanciamento entre os alunos, circunstância fundamental para a reabertura: “As aulas acontecerão uma vez por semana, com duas horas de duração e apenas três alunos por vez”, explica a produtora e professora, cujas aulas são abertas a iniciantes de qualquer idade, sem pré-requisito.

“- O perfil dos alunos é muito variado, vai de estudantes de design da PUC (moças e rapazes) a psicólogas, arquitetas, donas de casa, etc. As idades são bem distintas, e muitas alunas viraram amigas. A troca é sempre intensa, e o convívio, muito agradável – observa Cattia, que tem esperanças de poder realizar o Circuito no início de dezembro.

O ateliê de cerâmica As 3 Oleiras está retomando suas atividades, com obrigatoriedade do uso de máscaras por todos e distanciamento social. Nesse período de aulas “suspensas”, as queimas continuaram acontecendo, e os alunos pagaram uma taxa de manutenção para os custos fixos da casa no Horto. A quarentena serviu para organizar melhor o espaço, tornando o ateliê mais funcional.

– Durante a pandemia fomos um dos poucos ateliês que não fechou as portas porque eu moro na mesma rua e pude continuar trabalhando e recebendo, diariamente, as peças que os alunos faziam em casa e levavam para queimar. Às vezes, abria o ateliê só para um aluno poder esmaltar suas peças – conta Mariana Carneiro da Cunha, umas das professoras e administradoras de lá, ao lado de Ana Malbouisson (única remanescente do trio inicial) e dos próprios alunos, com quem formaram uma rede de apoio neste momento difícil.

Mesmo a casa sendo espaçosa e bem arejada e com dois quintais que possibilitam atividades ao ar livre, o grupo optou por limitar o número de alunos para no máximo quatro por vez. Em setembro, os cursos livres de modelagem, torno e esmaltação de cerâmica de alta temperatura voltaram a ser oferecidos.

Uma opção para quem mora no Humaitá é o ateliê Taciana Amorim, que também funciona há cerca de 30 anos e está retomando suas aulas este mês: “Antes da pandemia, eu dava aula para grupos de seis pessoas, mas, neste primeiro momento, estou aceitando apenas quatro por vez, só alunos antigos, para testar”, avisa ela, que não parou de produzir suas peças de decoração à venda em lojas de São Paulo, Belo Horizonte e Recife, entre outras cidades do Brasil. A reabertura das aulas de outros professores do espaço ainda vai depender de sua avaliação deste período de experiência.

As atividades esportivas para crianças não ficaram de fora e estão se adaptando da melhor maneira possível, sem contato físico e em espaços abertos. É o caso dos projetos Chutebol e Levante (escolinhas de futebol e vôlei, que acontecem no Clube Militar), coordenadas pelo professor de educação física Rodrigo Tupinambá. Seguindo orientações de Estevão Portela, Vice-Diretor de Serviços Clínicos do Instituto Nacional de Infectologia e pai de dois alunos, Rodrigo reduziu os horários e número de vagas, está utilizando a quadra externa, não há compartilhamento de material e os alunos não precisam usar máscaras durante a atividade, já que elas podem cair e atrapalhar a respiração. O fundamental é manter a distância e evitar exposição frente a frente. Caso alguém adoeça, o grupo deve ser imediatamente comunicado e, se dois ficarem doentes, as aulas serão interrompidas por uma semana no grupo em questão.

– Ao chegar em quadra, lembramos a situação atual e conversamos sobre ela. A responsabilidade compartilhada faz com que cada um tenha a oportunidade de sentir-se responsável por si e pelo grupo, e busque essa remodelagem também dentro de si – explica Rodrigo, ciente da importância de conscientizar e envolver as crianças em todo o processo.

Adultos também precisam de exercícios e do olhar atento de um profissional qualificado. A partir de 1º de setembro, o estúdio Gestos deu início à reabertura gradual da casa da rua Conde Afonso Celso, com atendimento individual de massagem terapêutica e aulas particulares presenciais de Pilates, Yoga, Consciência pelo Movimento, Musculação, Gyrotonic, Treino Funcional e Cardio. O plano de retomada prevê também a manutenção das aulas on-line. Para conhecer melhor os novos alunos, o Gestos elaborou um questionário que deve ser preenchido por todos que se inscreverem em alguma das aulas oferecidas. Com perguntas sobre a atividade física antes do isolamento e rotina e alimentação durante o confinamento, a ficha visa a avaliar a aptidão do aluno para praticar a atividade escolhida.

– Mesmo com a pandemia, o Gestos manteve o cuidado com as pessoas e fortaleceu as relações construídas em seu espaço físico. A motivação para a reabertura gradual foi a demanda de atendimento individual e personalizado para cuidar de questões específicas como dores, pós-operatório, falta de mobilidade e outras questões decorrentes do isolamento – explica Deborah Lewkowicz, sócia do estúdio.

Escola de Músicosem@escolademusicos.com.br (21) 99478-6313
Studio Cattia Capistrano: Estamparia artesanal (21) 98860-0846
As 3 Oleiras: (21) 3874-2868
Projetos Chutebol e Levante: rodrigotupicarvao@projetochutebol.com.br (21) 98846-2595
Gestoscontato@gestosdocorpo.com.br (21) 99711 4814 / 2539 9804 / 2539 0312
Alice Felzenszwalb: Cerâmica (21) 98859-5034

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