VERDE DA ESPERANÇA

Quase todo mundo que escolhe o Jardim Botânico para morar leva em consideração a proximidade das grandes áreas verdes do bairro. Essa atração pela natureza, porém, nem sempre se manifestava dentro de casa. O longo período de confinamento, aos poucos, tem mudando esta realidade, e paisagistas e comerciantes de flores da região registram o aumento do interesse das pessoas por plantas, jardinagem e cultivo de hortas.

Acostumada a desenvolver e executar projetos para jardins residenciais, tetos verdes e espaços públicos, empresariais ou comerciais, a Nativa Paisagismo, de Luciana Leal e Monica Chaffin, vem percebendo mudanças no perfil de seus clientes. Durante o longo período de confinamento, Luciana observou uma valorização das áreas externas, com um movimento de gente mudando de apartamentos para um espaço maior, com varanda ou cobertura, ou alugando casas com jardim.

Depois de três meses praticamente parada, a empresa voltou a ser chamada para cuidados emergenciais nos jardins de antigos clientes e, agora, está funcionando quase no ritmo normal.

– Desde o início da pandemia, percebi a valorização de áreas verdes, a começar pelo Instagram, que passou a mostrar mais fotos de jardins e vasos de planta. Sem falar no boom das hortas caseiras e de pessoas oferecendo mudas e cuidados especiais – conta Luciana Leal, que tem dedicado parte de seu tempo para a criação e acompanhamento de uma pequena horta na sua própria cobertura, na Gávea.

Uma novidade que a Nativa passou a oferecer a partir da pandemia é o serviço de consultoria, sem necessidade de um projeto: “Já fizemos três trabalhos de consultoria remotos. Sem deslocamento, mão de obra, compra de plantas e equipamentos, fica bem mais em conta para quem contrata”, admite Luciana, que passou a preparar um manual de como plantar e cuidar especialmente para esse novo tipo de cliente.

O paisagista Júlio Cesar Pitanguy, da Cria Verde, também já percebeu melhora no setor pelos mesmos motivos apontados por sua colega da Nativa. No seu caso, o que segurou o negócio nos primeiros meses da quarentena, foram os arranjos florais:

– Eu costumava fazer arranjos para festas, inaugurações e outros eventos. Na pandemia, foquei nas datas especiais, como Dia das Mães, dos Namorados e dos Pais. Foi o que me salvou – observa Júlio, que chegou a ter um ateliê na rua Vitória Régia, na Fonte da Saudade, mas, atualmente, faz seus projetos em seu próprio apartamento, na praça Pio XI.

Júlio foi um dos apoiadores do mutirão de plantio na praça, promovido pelo JB em Folhas, orientando a criação de uma pequena horta urbana nos canteiros. Cerca de 10 meses depois, ele constatou que algumas plantas não resistiram à pandemia: “É muito difícil manter os canteiros sem uma rega regular, mas o pé de romã está dando frutos”, avisa.

Júlio explica que envia uma cartilha, por e-mail, para seus clientes com os cuidados especiais que seu jardim deve receber regularmente. Para aqueles que sofrem com formigas, por exemplo, ele recomenda lavar as folhas por baixo com uma solução de água com sabão de côco, deixar agir por 30 minutos e, só depois disso, lavar só com água. “A repetição da técnica depende de cada caso, mas raramente é necessário mais do que uma vez por mês”, explica.

O mercado de flores para decoração está um pouco mais lento e só agora começa a ser retomado de fato. O quiosque Valdeci Orquídeas – localizado na praça em frente ao Tablado – tem como carro-chefe o aluguel de orquídeas e sofreu bastante com a pandemia. Reaberto em agosto, Valdeci Gonçalves conta que perdeu 70% de sua clientela:

 – A maior parte dos meus clientes era de empresas ou lojas, muitas delas fecharam definitivamente e outras optaram por manter seus funcionários em home office. O que está me mantendo hoje são os novos clientes, de delivery, que compram flores para presentear – avalia o comerciante, que precisou demitir parte de sua equipe e ainda espera receber o valor de aluguéis de orquídeas contratados antes da quarentena começar.

Maria Cristina Avellar, do Musgo Ateliê, tem uma visão mais otimista. Especializada em arranjos florais por assinatura, encomendas e cenografia verde para produções fotográficas ou audiovisuais, a empresa sediada na rua Marquês de Sabará ficou fechada do início da pandemia até o final de agosto. Moradora do Jardim Botânico, Maria conta que, inicialmente, a maior parte de seus clientes preferiu suspender seus serviços de assinaturas. O retorno acabou coincidindo com a própria demanda.

Antes de abrir sua empresa em 2017, Maria trabalhou com uma paisagista e com um especialista em arranjos para casamentos. Com o Musgo Ateliê, ela passou a fazer os buquês do seu jeito, com flores variadas, misturadas a sementes, folhas e caules:

– Não costumo usar rosas por conta da curta durabilidade das mesmas. Como trabalho muito com o sistema de assinaturas semanais, é importante que as flores não fiquem feias rápido – explica a designer e florista, que a cada semana muda a paleta de cores para surpreender sempre seus clientes.

As flores sempre estiveram presentes na vida de Fabiana Pomposelli. Ligada em cores, texturas e formas, ela tinha o hábito de ir semanalmente ao mercado municipal Cadeg comprar flores para o seu Ateliê Clementina, na Lopes Quintas. Depois que a loja fechou, ela ficou um tempo pensando buscando um caminho até que a amiga e arquiteta Paula Neder, conhecendo o jeito que ela tinha com flores, a convidou para montar os arranjos do seu espaço no Casa Cor 2016.

– Eu não tinha muita técnica e decidi me profissionalizar. Fiz a Escola Floral Carioca, estudei as técnicas, setores de flores e tudo mais. Ali surgiu uma nova profissão, uma nova inspiração. Dá trabalho, é outro fuso horário, porque os fornecedores trabalham na madrugada, mas ao mesmo tempo é muito gratificante trabalhar com essa matéria-prima natural – admite.

Fabiana montou seu ateliê no Horto, perto da sua casa, e durante a pandemia viu seu negócio crescer, com o envio de flores: “As pessoas usaram as flores como forma de demonstrar seu amor e afeto, já que não podiam estar presentes”, conta ela, que discute com os clientes os tipos de flores e a paleta de cores favoritos.

Mensagem florida, assinatura floral, buquês para casamentos, batizados e pequenos eventos são os produtos oferecidos por Fabiana. Em outubro, ela promoverá um workshop de arranjos florais on-line. Os inscritos vão receber uma caixa com todo material do curso necessário para montar o seu.

A Associação de Amigos do Jardim Botânico (AAJB) costuma oferecer aulas de paisagismo e arranjos naturais; contudo, as vagas para o curso de outubro já estão esgotadas e novas turmas só estão previstas para 2021.

Nativa Paisagismo http://www.nativapaisagismo.eco.br/

Cria Verde: 96689-9797 julio@criaverde.com.br

Quiosque Valdeci Orquídeas: Rua Batista da Costa, 120 / 3114-6315

Musgo Ateliê https://www.musgoatelie.com.br/

Atelier Clementina – Fabiana Pomposelli: 99922-4030

AAJB: (21) 2259-5026 cursos@amigosjb.org.br

Verde Brasilis: André Lessa – 21.99675-0707 / andre.lessa@verdebrasilis.com.br

Jardim Urbano: Marcela Bial – 21.98124-7860 / marcelabial@hotmail.com

Central das Flores: aluguel, arranjos, coroas, ornamentação e cestas: 97505-8487 / 2035-1411

Casinha Verde Venda de plantas ornamentais, temperos e itens de decoração: 99224-3856

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