TUDO NOVO DE NOVO

O isolamento social nos mostrou o quanto precisamos de pouco para viver e veio reforçar uma tendência de reuso que já vinha ganhando força aqui e no exterior. Sebos, brechós e antiquários sempre existiram, mas os dois primeiros sempre estiveram associados a falta de dinheiro, traças e pulgas. Hoje, além da economia, o crescimento da consciência ambiental vem estimulando o consumo sustentável e ampliando o interesse por essas práticas. Além disso, a quarentena serviu para as pessoas aproveitarem para arrumar os armários e tirar o que não usa, o que já não cabe mais ou aquilo de que, simplesmente, enjoou. As pessoas passaram a usar as redes sociais para divulgar, vender e trocar, e tem até aplicativo voltado para isso, com anúncio na TV.

O primeiro passo na ressignificação dos brechós passou pela mudança de paradigma: saem as peças desgastadas e fora de moda e entram em cena artigos limpos, bem conservados e seminovos. Os estabelecimentos atuais têm dedicado atenção especial à organização e higienização dos produtos à venda para atrair uma nova clientela. Um bom exemplo é o brechó-chique Anexo Vintage (@brechoanexovintage), que tem como carro-chefe bolsas de grife. Instalado há 16 anos no Shopping da Gávea, o brechó reabriu em 1º de setembro e, segundo Lila Studart, uma das sócias do estabelecimento, o movimento vem sendo retomado aos poucos, assim como o horário de funcionamento, por enquanto restrito às tardes. Além de máscaras e álcool em gel, o brechó instalou um tapete desinfetante na entrada da loja.

A questão da higiene é fundamental, mas não é o único cuidado especial desses novos tempos. O Meu Brechó Itinerante só atende uma pessoa por vez. O box da galeria que liga as ruas Voluntários da Pátria e Humaitá é pequeno até para os itens à venda; por isso, a proprietária Christiana Solon adianta que só voltará a receber peças em consignação a partir do ano que vem.

Chris Solon no Meu Brechó Itinerante

– Apesar de ter fixado o ponto há um ano no Humaitá, pertinho de casa, mantive o nome de quando circulava com araras, roupas e cabides pela cidade. O movimento ainda não normalizou, as pessoas ainda estão inseguras – observa Chris.

O tradicional Só Traças – cuja história começou em Petrópolis, ficou cerca de 20 anos no prédio do Centro Médico Botafogo e há nove anos funciona na Capitão Salomão – também reabriu em julho e ainda não voltou a seu movimento normal. O forte de lá são as roupas de segunda mão, incluindo trajes de festas, mas é possível garimpar também acessórios, louças e até móveis pequenos, como cadeiras e mesinhas. O horário de funcionamento segue reduzido e, para avaliação e entrega de mercadorias é preciso agendar antes.

Vitrine do Só Traças

Já os bazares com fins solidários perceberam aumento tanto na venda de produtos usados como no recebimento de doação. O Bazar da Santa, mantido pelo Espaço Santa Terezinha, na Gávea, recebe doações todos os dias e abre seu espaço para venda três vezes por semana, ao invés de uma, como antes, a fim de evitar aglomeração no interior.

A rua Lopes Quintas tem dois estabelecimentos do gênero: o brechó Stella Oliveira e o Bazar da Divina Providência, que, por enquanto, está funcionando apenas às quartas-feiras, à tarde. Para doações, é preciso agendar antes. Já o Brechó Solidário do Patronato Operário da Gávea foi encerrado e todo material foi vendido ou doado a outras instituições a fim de evitar sua deteriorização.

Referência no comércio de móveis, louças e objetos usados na região, a Venda em Garagem, que há 28 anos funciona de domingo a domingo, ficou fechada por cinco meses na quarentena. À frente do negócio desde o início, Betty Borges (foto abaixo) conta que sua garagem tem recebido poucas visitas e nem todas revertem em venda.

– Minha sorte é que não dependo disso para viver e só tenho uma pessoa trabalhando comigo. Não sou habituée das redes sociais, o melhor mesmo é dar uma passada para saber as novidades. Como moro aqui, o cliente pode até agendar um horário que lhe seja mais conveniente – explica.

O segmento de melhor aceitação de usados é o de livros, que sempre teve público cativo e ávido por volumes antigos e raros. Mesmo com os livros digitais e sebos virtuais, muita gente ainda gasta sola de sapato para encontrar um exemplar especial. E que tal, se você, ao encontrar o título desejado, puder contribuir com uma causa? O Sebo Solidário, mantido pela obra social CELPI – Costura e Lactário Pró-Infância, tem mais de 80 anos de atuação junto à favela Santa Marta, em Botafogo, e oferece livros de segunda mão, baratos e em bom estado. Para facilitar, é possível conferir a lista dos títulos disponíveis, sempre atualizada. O sebo aceita doações de todo o tipo de publicação, inclusive pedagógicas ou em outros idiomas. Toda a renda obtida com a venda de livros é utilizada na manutenção de projetos sociais da instituição, que, além dos livros, mantém um brechó com um pouco de tudo.

A doação de livros e de brinquedos novos ou usados faz a alegria de muita gente grande ou miúda, especialmente em datas como Dia das Crianças e Natal. Por isso, o grupo Rocinha Resiste (@arocinharesiste) está recebendo e coletando esses itens para distribuição às crianças da comunidade neste mês de outubro. A meta é presentear pelo menos 200 crianças da Rocinha. A partir de 10 itens doados, um voluntário pode passar para recolher o material na casa das pessoas. Outra opção é agendar a entrega em São Conrado, próximo à entrada do metrô do bairro.

Anexo Vintage: Shopping da Gávea – Box 170 / (21) 2529-8253 / De 2ª a sábado, das 14h às 18h.
Bazar Divina Providência: Rua Lopes Quintas, 274, Jardim Botânico. Tel: 21-3204-9622, 21-2294-5648 Quartas-feiras, das 13h30 às 17h.
Brechó Stella Oliveira: Rua Lopes Quintas 53 / (21) 97209-5619.
CELPI – Sebo Solidário: Rua Bambina 160 / 2266-4774. Funcionamento de 2ª a 6ª, das 8h às 17h.
Meu Brechó Itinerante: Rua Humaitá 71. De terça a sexta, das 11h às 17h, e sábados, das 10h às 14h.
Rocinha Resiste: (21) 99006-3901
Só Traças: Rua Capitão Salomão 61 / (21) 2539-8938 De segunda a sábado, das 11h às 17h.
Venda em Garagem: Rua JJ Seabra 6 / (21) 99907-7578 / De segunda a domingo, das 10h às 18h.

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