RETROSPECTIVA 17 ANOS

Outubro é mês de aniversário do JB em Folhas e, diferentemente dos últimos 16 anos, não vai ter festa na praça Pio XI. Este ano – assim como tudo na vida e no mundo –, a comemoração será digital, apostando no novo formato do JB em Folhas, que saiu do impresso para o digital, com atualização semanal.  A cobertura ganhou agilidade, explorando ainda mais as diversas redes sociais.  Nestes 17 anos de cobertura jornalística, a conscientização e participação dos moradores em manifestações para melhoria do bairro só fez crescer.  Com isso, surgiram outras associações de moradores no bairro, para somar forças com a AMAJB e AMAHOR, mais antigas. O jornal seguiu apoiando e criando novas campanhas, como a de adoção dos canteiros da praça Pio XI e o mutirão da escadaria Marielle Franco (vide a coluna Alamedas).  Recentemente o jornal esteve à frente da Campanha das Quentinhas, com uma ação triangular, que apoiava o comércio local – Bar Jóia – promovendo a doação de quentinhas para os moradores do Horto e ajudando, por tabela, a moradora de rua Luzinete, que recebia uma refeição diária do estabelecimento. Outra campanha que contou com apoio do JBF foi a da Cesta Básica, criada pelas irmãs Luize e Patrícia Valente.

Se tem algo que não mudou em todos esses anos foram os problemas gerados pela chuva. Pelo contrário, só cresceram. A obra em frente ao JBRJ não surtiu efeito e o bairro segue sofrendo e se apavorando a cada tempestade anunciada, como aconteceu em abril de 2019. Novamente, a parceria entre o jornal e os moradores repercurtiu em uma cobertura on-line. 

Veja aqui, e no YouTube, 10 tópicos que se destacaram nos últimos 17 anos.

Natureza

Impossível falar do Jardim Botânico sem falar da natureza. Ela está no nome do bairro e de suas ruas, nas cores e aromas à nossa volta, no silêncio e na tranquilidade tão desejados. O Jardim Botânico do Rio de Janeiro, fundado por Dom João VI há mais de 200 anos, esteve onipresente em todas as edições, seja para mostrar sua história e sua situação atual, seja em pequenos registros de acontecimentos e eventos no instituto de pesquisa. Neste tempo, o parque abriu as trilhas Africana e Indígena (foto da inauguração), renovou o Jardim Bíblico e investiu em seu Centro de Responsabilidade Socioambiental, que completou 30 anos em 2019.

Outra área verde da região, o Parque Lage atravessou momentos de crise e abandono nestes 17 anos. Contudo, mesmo com o jogo de empurra entre os governos federal, estadual e municipal, o parque resiste com toda sua natureza selvagem, que integra o Parque Nacional da Tijuca. Caminhando é possível ir até o Corcovado ou passar por cachoeiras, como a dos Primatas, destino do primeiro Batendo Perna pelo JB, promovido pelo jornal em janeiro de 2004. Em 2018, as trilhas voltaram às páginas do jornal com uma subida da equipe até o Corcovado e, com um novo passeio promovido para moradores, desta vez até a Cachoeira da Imperatriz, guiados por voluntários do PNT (foto). Atualmente, a fila ao longo do muro do parque chama a atenção neste período de isolamento social.

Arte

A principal veia artística do bairro passa pelo Parque Lage e sua Escola de Artes Visuais, que formou e projetou para o mundo grandes nomes nacionais das artes plásticas. Sob a direção de Fábio Szwarcwald, a EAV reassumiu seu papel questionador e criativo, atraindo para o espaço a polêmica mostra Queermuseu e um público diverso, que formou fila para ver as obras e o show de encerramento de Ney Matogrosso, curtido por muitos de dentro da piscina do casarão. A gestão de Fábio também abriu o parque para eventos variados, como Ópera na Tela, Música e atividades infantis do Parquinho Lage, orientadas por artistas plásticos. 

O frescor artístico esteve presente desde a primeira edição, em matéria com a saudosa ilustre moradora Marília Kranz, seguida por entrevistas com outros nomes importantes das artes, como Guilherme Secchin e Reynaldo Roels, (diretor da EAV de 2002 a 2006). A região também ganhou galerias dentro do Jockey, com a abertura da Vila Portugal, onde foram instaladas a Capintaria, a OM arte e o EXc, espaço para eventos variados.

Esporte e boa forma

Corrida ou caminhada, remo, bicicleta e exercícios em aparelhos instalados em praças públicas, como a Ricardo Palma e a do Tablado, fazem parte do dia a dia do bairro. Durante os Jogos Olímpicos de 2016, com as provas de remo e ciclismo, o mundo descobriu que ficam aqui os melhores points para a prática de tais esportes. E mais: que a Pacheco Leão é primeiro lugar no ranking de rua com maior número de ciclistas no mundo, segundo o aplicativo Strava, usado pelos praticantes do esporte.

O crescimento do bairro pode ser medido também pela abertura de grandes academias ginástica, como BodyTech, Puri e Smart Fit, além do aumento de estúdios de pilates e dança.  Até Deborah Colker se rendeu ao charme da região e trouxe seu DB Movimento para a praça Santos Dumont. Nada disso abalou a seriedade e reconhecimento dos veteranos Gestos, Sauer Danças e Mariana Lobato.

Gastronomia

Muito antes de os chefs de cozinha virarem celebridades, o Jardim Botânico é sinônimo de boa mesa. A importância do tema chegou a trazer para as páginas do JB em Folhas o jornalista especializado Pedro Landim, que por dois anos assinou a coluna Sabores do Jardim.

Ao longo destes 17 anos, os restaurantes cresceram e agora formam uma babel gastronômica, com comida indiana, peruana, japonesa, italiana, francesa, baiana, além de muitas pizzas, sucos, saladas e lojas especializadas em açaí no início e no final da rua JB. O segmento de alimentação saudável e comida natural fortaleceu-se com a feira orgânica – tradição nas manhãs de sábado – e trouxe espaços focados neste segmento, como os restaurantes Nutre (foto) e Prana.

A quarentena acabou provocando o fechamento do Olympe, do morador Claude Troisgros, um dos mais conceituados estabelecimentos da cidade, após mais de 30 anos na Custódio Serrão. Vai deixar saudades, ao lado de tantos outros, como o Couve-Flor, Adega do Porto, Quadrifoglio, Borogodó e Casa Carandaí. No endereço do Olympe, atualmente, está funcionando o Delivery do Batista, fiel escudeiro do chef francês no restaurante e na TV.

 Os botequins ganharam destaque nas noites do bairro. O Jóia foi comprado, remodelado e manteve alguns garçons, como o Antonio, que atendia Tom Jobim e Chico Buarque. Com isso, manteve-se como ponto de encontro de artistas e jornalistas do bairro. Outro garçom que faz a fama do bar é Jorginho (foto acima), do Rebouças, frequentado por Toni Platão, Jards Macalé e artistas globais. Já a nova geração costumava ocupar as calçadas dos botecos Sonho Lindo, na esquina da Frei Leandro, e do Boa Pinga, no Humaitá, antes de o mundo todo parar. Outra novidade veio do Mercado Afonso Celso, que se reinventou, criando o Mercadin (foto).  O lugar que já recebia a turma do Último Gole em ocasiões especiais, levou forró para a rua e roda com sambas antigos do Suvaco.

Comércio

O JB em Folhas testemunhou inúmeras transformações no bairro: o posto Shell, um marco no bairro, quem diria, virou um prédio comercial inteligente depois de muita polêmica. Já o clube Carioca continua o mesmo, mas sua fachada, quanta diferença; o armarinho do Sr Wilson primeiro virou Sorvetes Itália e depois acabou engolido pelo Bibi Sucos. A boa nova do momento ali é a Janela Livraria (foto), que está ocupando o espaço deixado pela querida Ponte de Tábuas.

A inauguração da primeira filial do Zona Sul (foto pizzaria) no bairro foi polêmica, mas logo o supermercado conquistou a vizinhança, abriu outra unidade no começo da via e ainda adotou a praça Otto Lara Rezende. Como certas coisas não mudam, o posto de gás, na esquina da Saturnino de Brito, segue alvo de preocupação e incômodo dos moradores.

Sustentabilidade

Meio Ambiente é assunto prioritário em um bairro que leva jardim no nome. E o JB em Folhas viu a necessidade de criar a coluna Ecodica, para reunir dicas e sugestões de práticas sustentáveis na região.  Nesse tempo, a Paróquia São José da Lagoa, sob o comando do Padre Omar, tornou-se a primeira Pastoral do Desenvolvimento Sustentável, com o uso de iluminação solar.  A igreja abriga iniciativas como a reciclagem de óleo de cozinha e também o movimento das tampinhas de plásticos, que se revertem em cadeiras de roda para a ABBR.  Todas essas ações, porém, estão suspensas, sem data para voltar.

O bairro abriga também o LivMundi, Festival de Sustentabilidade, que acontece no Parque Lage. O evento deu a volta por cima, organizando a sua quinta edição totalmente on-line, com palestras, workshops e atividades que tem a vida saudável e o meio ambiente em suas discussões.

Eventos

Em tempos normais, animação e aglomeração também não faltaram na região.  A ocupação da praça Pio XI foi ampla, geral e irrestrita.  Teve Carnaval, Festa Junina, Dia das Crianças, Natal, Troca de figurinhas da Copa do Mundo, enfim, qualquer motivo era bom para reunir o povo na praça. Tudo começou, em 2004, com o Sebinho nas Canelas (troca de livros infantis), seguido pelo Bloco da Pracinha, ambos parcerias do site Amigas da Pracinha com o JB em Folhas. Já a praça Almirante Custódio de Melo costumava servir de palco de ensaio para o teatro O Tablado, enquanto a Ricardo Palma ganhou um ParCão, que deu mais movimentação à área.

Pelas ruas e calçadas

A primeira edição do jornal apresentou o projeto da linha 4 do metrô, que deveria passar por aqui. Dezessete anos depois, a ação se resume a um buraco aberto na Gávea e o trânsito continua o mesmo: péssimo. A esperança atual para resolver a questão da mobilidade no bairro parece estar nas bicicletas; entretanto, os estudos para criação de uma ciclovia – ou ciclofaixa – até hoje não saíram do papel. Para combater o estacionamento irregular em cima de calçadas e, por tabela, gerar, sombra para os pedestres, uma solução bem-sucedida foi o plantio de mudas de jacarandá mimoso e flamboyant nas ruas Alexandre Ferreira e Oliveira Rocha.

O bairro ganhou uma galeria a céu aberto com a ótima iniciativa da Hípica, que convidou grafiteiros de toda a cidade para deixar suas obras estampadas em seu muro, que cobre o quarteirão que vai da rua Oliveira Rocha até a Tasso Fragoso.

Música

Ainda que a música não esteja entre as primeiras coisas que nos vêm à cabeça há muitas referências musicais no jardim: do canto dos passarinhos a lugares e personagens, como Tom Jobim mereceu um monumento em seu nome – uma frondosa sumaúma, onde costumava se recostar – e o Espaço Tom Jobim, que engloba uma casa com acervo completo do artista, um galpão para eventos e um teatro. A programação dos dois últimos esteve, com frequência, nas páginas do JB em Folhas, mas ambos estão fechados atualmente.

Até a pandemia chegar, a música estava nas ruas e mereceu, inclusive, uma matéria de capa, mostrando o sucesso de eventos como o Choro na Rua e os saraus na Casa da Táta, na Gávea.  O Jockey também se firmou como espaço para shows, como o de Zeca Pagodinho, em 2018; enquanto o Manouche promete sair do subsolo da Casa Camolèse, sinalizando um retorno a céu aberto, com programas musicais a partir de novembro.

Pelos blocos do JB

O carnaval ganhou as ruas do Jardim Botânico no embalo de Haroldo Lobo e do Bloco da Bicharada. No final de 2003, quando o jornal circulou pela primeira vez, o carnaval no bairro tinha um único nome: Suvaco do Cristo, que arrastava milhares de foliões em seus desfiles pelas ruas e em bailes no Clube Condomínio, no Horto. Ao mudar o horário do desfile, o bloco viu seu público mudar e reduzir de tamanho, voltando a ser frequentado, majoritariamente, por moradores do bairro. No sentido inverso, o Último Gole começou com uma despretensiosa roda de samba na Pio XI e cresceu até ter que se mudar para o Parque das Patins, na Lagoa, para acomodar seus seguidores foliões. A folia vai de bloco infantil, de creche e até bloco sustentável, como o Vagalume, O Verde, que desfila na terça-feira gorda, recolhendo seu lixo e pregando a importância de preservar o meio ambiente. Evoé, que o Rei Momo é verde!

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