COSTURA EM ALTA

Final de ano chegando, hora de levantar o astral com uma roupa nova! Seja por questões financeiras ou para valorizar o reuso de peças e objetos, uma opção é tirar do fundo do armário aquela peça esquecida, sem uso, e ajustá-la ou transformá-la em outra “novinha”. As costureiras, que no início da pandemia focaram na produção de máscaras, voltaram à ativa e estão retomando o contato com a clientela e lotando a agenda de trabalho. Há muitos endereços na região entre o Humaitá e a Gávea, além de prestadores de serviço que vão até a casa do cliente. Para aqueles que têm algum conhecimento para fazer o trabalho sozinho, os armarinhos – cada vez mais escassos – vendem linhas, fechos, botões e outros aviamentos. Reutilizar é bom para o bolso e para a alma.

A franquia portuguesa Arranjos Express é prova do reconhecimento da importância da costura do dia a dia das pessoas. A rede abriu uma loja no Shopping da Gávea há pouco mais de um ano e prepara-se para abrir uma nova unidade no Humaitá ainda neste mês de novembro. Natália Moreira Franchini, gerente da loja da Gávea, destaca que a rede oferece todo tipo de serviço em tempo reduzido, de uma a 48 horas, dependendo da complexidade exigida. A especialidade da loja é fazer transformações de peças fora de uso ou desgastadas pelo tempo, seguindo a tendência de consertar, adequar e reaproveitar. Se necessário, a loja pode mandar uma costureira até a casa da cliente para tirar suas medidas e entregar os trabalhos prontos depois, inclusive sem taxa, dependendo do endereço.

No Humaitá, o Espaço Nice, de Maria Eunice Beserra, é recomendado por uma clientela fiel. A jornalista Beth Serpa é freguesa nova e ficou satisfeita com o trabalho da costureira: “Além da bainha de uma calça comprida, ela transformou um lençol em dois e remendou uma bermuda da minha filha, tudo com capricho”, destaca. Há seis anos, Nice ocupa um dos boxes da galeria que liga a rua Humaitá à Voluntários da Pátria, pertinho da Cobal e, desde a reabertura de sua lojinha, em julho, percebeu um aumento da demanda por consertos de uma maneira geral, sendo troca de zíper e bainha os serviços mais procurados.

Na mesma linha, a Doralice Costurando já soma nove anos de Jardim Botânico. Kátia Pinto, moradora do bairro, percebeu a carência desse tipo de serviço no trecho que vai do Parque Lage até a Pacheco Leão e abriu sua loja na Galeria dos Correios. No momento, ela está equilibrando-se para manter o negócio, mas tem faturado apenas 30% da sua receita normal: “O movimento ainda está muito fraco”, afirma.

Kátia Pinto, da Doralice Costurando

A Costura da Corinha está há 14 anos na galeria da rua Maria Angélica.  No final do ano passado, a rede abriu outra loja no bairro, na rua JJ Seabra, e deixou feliz gente como a moradora e jornalista Leilane Neubarth, que levou várias peças para reforma.

A especialidade da figurinista e modelista Cris Dutra, moradora do Horto, sempre foi figurinos para companhias de dança, apresentações de fim de ano e carnaval. Quando tudo isso foi cancelado, máscaras e pequenos consertos foram a sua salvação. Cris começou a costurar aos 10 anos de idade, estudou moda na universidade Veiga de Almeida e, aos 28 anos, já dava aulas em projetos sociais. Hoje com 50 anos, ela é professora e coordenadora das atividades da ONG Divinas Axilas (criada em 2008 pelos fundadores do bloco Suvaco do Cristo) e mantém seu ateliê na sede da Associação do Moradores do Horto (AMAHOR), onde, antes da pandemia, dava aulas de capacitação em costura como forma de geração de autoestima e renda no projeto Fada Remendeira.

– O que eu mais gosto de fazer é criar figurinos, do desenho ao desenvolvimento do protótipo, incluindo modelar e cortar. Muitas de minhas alunas, porém, preferem fazer bainha e pequenos ajustes, que não exigem muito planejamento – observa.

Para Suely Rosa, que nasceu perto do Caxinguelê há 64 anos, a costura serve para distrair a cabeça. Ela aprendeu o ofício com a mãe e faz de tudo um pouco, sendo que roupas mesmo só de uns tempos para cá. Ela começou fazendo cortinas e almofadas e agora tem se dedicado à confecção de roupas de orixás.

Lilia Azevedo abriu, há quatro anos, o Atelier Sabi Sabi, só com criações suas e já voltou a receber encomendas. Para ela, os pequenos consertos não valem a pena: “Sairia muito caro. Prefiro focar na costura personalizada”, admite. Caminho oposto foi escolhido pela dupla Andréa e Marilda, que já trabalhava com moda. Elas viram nos pequenos consertos a oportunidade de um negócio personalizado e criaram a Linha n’Agulha. Moradoras do Leblon e do Jardim Botânico, respectivamente, elas vão até a casa do cliente de bike – tomando todos os cuidados que a situação atual exige – para marcar as peças, que são devolvidas em poucos dias devidamente reparadas.

– Muita gente está comprando pela internet e, às vezes, as roupas precisam de pequenos reparos. Nosso diferencial é que a pessoa experimenta no conforto da sua própria casa, sem precisar sair – explica Marilda, que cobra R$ 30 (bainha) e oferece desconto para ajustes em mais de uma peça.

Atendimento em domicílio:
Linha n’Agulha: 99857-5365 (Andréa) e 99644-1783 (Marilda)
Edirla (ex-Oficina das Linhas – Humaitá): 96909-6137

Jardim Botânico
Costura da Corinha:           Rua Maria Angélica 171 lj 109 / 2537-9264 / Rua J.J. Seabra, 11 / 2137-9632 / Das 9h às 18h
Doralice Costurando:          R. Jardim Botânico, 728 lj 117 / 3114-9299 Das 9h30 às 18h30
A Roupa Perfeita:                Rua Lopes Quintas / 98583-7292 (Inês)
Tudo em Costura:               Rua Jardim Botânico, 719 – 99772-6259 Das 8h às 22h
Atelier Sabi Sabi:                  99424-1952 (Lilia Azevedo)
Rosária:                                 99136-5220

Horto
Cris Dutra:                            98183-2246
Suely Rosa:                          99432-9627
Maria:                                    3592-2886

Humaitá
Espaço Nice:                        Rua Humaitá 71 box 15 / 99729-2272 / Das 9h30 às 18h

Gávea
Arranjos Express:                Shopping da Gávea – 1º piso / 99448-9642
Entrelinhas:                         Praça Santos Dumont, 66 A / 2274-8890 / Das 9h às 19h (armarinho e cursos)

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