MARIA CLARA GUEIROS, CONHECE?

“Eu amo a Gávea, não saio daqui por nada”. Assim Maria Clara Gueiros começou esta entrevista. Ela garante que conhece tudo do bairro, cada cantinho e seus personagens. Não é para menos, a atriz completa 30 anos no bairro em 2021.

Maria Clara atuou em diversas peças de teatro, filmes e novelas, além de ter realizado vários trabalhos de dublagem. A popularidade chegou com o programa “Zorra Total”, no qual deu vida a personagens diversas, como Laura, do bordão “Vem cá, te conheço?”, em 2004, que lhe deu notoriedade. Depois disso, a atriz passou por outros humorísticos e novelas, na maioria das vezes interpretando personagens engraçados.

No papel de Laura, do “Zorra Total”

– Não me incomodo de ser lembrada pelo humor. Eu gosto de fazer comédia. É como ser uma especialista das artes cênicas, como um neurologista que se diferencia de outros médicos – exemplifica ela, que se afastou do “Zorra” no final de 2019 para integrar o elenco da novela “Nos Tempos do Imperador”, cuja estreia foi adiada do final de março de 2020 para abril de 2021.

Durante a quarentena, porém, a veia cômica da atriz muitas vezes foi estrangulada pelo mau humor. Acostumada a não ter uma rotina rígida de horários e funções, Maria Clara passou a valorizar ainda mais os serviços de casa, anteriormente realizados por terceiros: “Nos primeiros três meses, assumi o papel de uma dona de casa em horário integral, fazendo faxina, almoço e jantar. Sempre tive um lado sargentão, mas dessa vez o mau humor demorou mais a passar”, admite Maria Clara, que vive com seus dois filhos já adultos e o marido, o artista plástico Edgar Duvivier. “Ele mora em outro endereço aqui perto, onde mantém seu ateliê, mas, na prática, passa mais tempo aqui do que lá!”

A arte também seduziu Bruno, filho mais novo da comediante. Ele é ator e está estudando para se tornar escritor, seguindo os passos do pai, o ator, dramaturgo e Doutor em Psicologia Bernardo Jablonski, cujo velório, em 2011, foi realizado no Tablado, onde foi aluno e muitos anos professor. Mara Clara também estudou lá; porém, os dois se encontraram pela primeira vez na PUC-Rio. Antes de se dedicar à carreira de atriz, ela formou-se em Psicologia e fez mestrado na área: “A psicanálise me serve para tudo, é minha lente, mais do que o humor. Como disse Nietzsche, ‘nada do que é humano me é estranho’”.

– O único membro da família que não é da área de Humanas é meu filho mais velho, o João. Ele trabalha numa empresa de consultoria. Como está em home office, precisa cumprir horários específicos. Por conta disso, parece o chefe da casa e, muitas vezes, precisa ir até a sala pedir para diminuirmos o volume de um filme – diverte-se a comediante.

Um dos programas favoritos de Maria Clara é ir ao Braseiro da Gávea, seja para almoçar ou para comer alguma coisa após o trabalho, quando muitos restaurantes já estão fechados: “Todo mundo ali me conhece e sempre consigo – ou melhor, conseguia – uma mesa para jantar antes de voltar para casa, depois de um espetáculo”, conta em tom de agradecimento.

Maria Clara nasceu no Rio, passou parte de sua infância em São Paulo e nos Estados Unidos. Aos 26 anos, saiu da casa dos pais, em Copacabana, para morar na Gávea, de onde não pretende sair nunca mais. Desde então, o Shopping da Gávea é seu quintal. É lá que resolve tudo, de uma ida ao cabeleireiro La Vie em Rose ao banco. Na vida profissional não é diferente. Na sua opinião, lá ficam as melhores salas de teatro da cidade:

– Já pisei em todos os palcos do Shopping. Quando morava na rua das Acácias, saía de casa maquiada e, em cinco minutos, já estava dentro do teatro – conta a atriz, que gosta da mistura entre os aspectos provinciano e cosmopolita do bairro.

O trabalho, depois de um bom tempo parado, começou a voltar em julho, com a Escolinha do Professor Raimundo: “Tudo remotamente naquele momento”, destaca. A partir de setembro, depois de muita negociação e protocolos, as gravações no Projac vêm sendo, aos poucos, retomadas. Além disso, Maria Clara voltou a ser convidada para eventos de final de ano de empresas, agora on-line.

Com a amiga e parceira Heloísa Périssé em “Loloucas”

A volta aos palcos também passa pelo novo formato. Depois de três temporadas de sucesso no Rio e uma em São Paulo, o espetáculo “Loloucas” foi gravado no teatro Clara Nunes, sem público, com direção de Otávio Muller. A transmissão será gratuita, por um mês, a partir de 18 de dezembro, no canal da Bradesco Seguros no YouTube Com Você, em substituição às apresentações presenciais que fariam parte de uma turnê nacional, interrompida pela pandemia.

– Amo fazer este espetáculo com a Heloísa Périssé. É autoral, fala de amizade, da nossa amizade de 30 anos! Foi emocionante pisar num palco novamente, mesmo sem a presença de público, só com a equipe técnica – explica Maria Clara, que lamenta apenas não poder sentir a emoção dos espectadores. Afinal, “a comédia precisa de risada”.

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