VERA SABOYA E OS 30 ANOS DO ATELIÊ CULINÁRIO

Vera Saboya é velha conhecida na região. Se não por seu rosto, por suas comidinhas deliciosas servidas no Café Maçã (que funcionava na livraria Ponte de Tábuas), em seu próprio bistrô ou nas lojas parceiras do Grupo Estação. Desde o final do ano passado, o Ateliê Culinário está de volta, funcionando apenas sob encomenda, mas com direito a degustação de alguns itens na Janela Livraria, como os famosos cheesecakes e mud cakes.

Graduada em Filosofia e com formação em pâtisserie na École Lenôtre, em Paris, Vera tem se dividido atualmente entre o amor pela gastronomia e o cargo na Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, onde vem se dedicando à decupagem e gerenciamento dos equipamentos culturais da cidade. Vera já havia trabalhado no setor público, na Secretaria de Cultura do Estado, tendo sido responsável pela implementação das bibliotecas parques. Como entra cedo e sai tarde do trabalho, não tem tido muito tempo para se dedicar à cozinha do Ateliê.

– Quando chego, provo tudo o que foi feito, mas quem tem cozinhado mesmo é minha irmã Paula. Minha participação tem sido mais nas entregas à noite e nos finais de semana, acompanhando meu marido. A empresa é familiar e não está nem no iFood porque acho que o movimento de motos chateia todo mundo – admite a chef, que está esperando a vacinação geral para aceitar um convite de abrir um “café com comidinhas, onde as pessoas possam se sentir em casa”.

O cardápio do Ateliê Culinário preservou algumas coisas da época em que sua cozinha ficava no Horto, na década de 1990. No ano em que completa 30 anos, porém, a empresa tem como carro-chefe as novas tortas salgadas, como as de ratatouille com queijo de cabra, espinafre com queijo de cabra e nozes e a de cogumelos, que, segundo ela, “leva muito cogumelo”!

A rotina da banqueteira tem sido corrida. Para sua felicidade, na rua Maria Angélica há muita variedade, do “acarajé de chorar” do Sabores de Gabriela às pizzas do Bráz e da Capricciosa, passando pelo La Carioca, o Gula Gula e o mítico Bar Rebouças: “Sou uma sortuda, moro pertinho da melhor rua do Rio de Janeiro! Além disso tudo, ainda tem a Janela Livraria, o Leyde’s Cabeleireiros, o Hortifruti e a loteria. Tô feliz da vida com a chegada da Slow Bakery”, enumera ela, que indica também os nuggets de feijão, do restaurante de comida paraense Asa Açaí, bem no início da rua Jardim Botânico.

Além do renascimento do Ateliê, a pandemia foi responsável por mais uma alegria na vida de Vera. Depois de seu filho Pedro pedir, por anos, um cachorrinho, a família aceitou a cadela Mana, “uma Golden tabajara”, na sua definição.

– Foi uma surpresa para todos, ela mudou completamente os hábitos da casa. Uma salvação em matéria de alegria. Só havia tido animal de estimação na infância. Recomendo para todos – fala entusiasmada.

Graças à cachorrinha, Vera sai cedo para caminhar no Parque da Cidade ou pertinho de casa, quando o tempo está curto. Os passeios nas redondezas, de quebra, proporcionam o encontro de amigos e vizinhos, como o artista visual Xico Chaves, o fotógrafo e cronista Leo Aversa, o cantor Toni Platão e as coreógrafas Márcia Rubin e Deborah Colker. “Que saudade de ouvir o grito do Cafi do outro lado da rua: ‘lhe amo’!”, recorda-se, com carinho, do fotógrafo e artista plástico que faleceu no Réveillon de 2019.

A natureza, o comércio e a camaradagem são fundamentais para Verinha, como os amigos a chamam. Quando foi entrevistada para a coluna Ilustre Morador na edição 18, do JB em Folhas, em 2006, ela morava na rua Maria Angélica. Mudou-se, mas ficou na mesma vizinhança, de onde não deseja sair: “Um dia ainda compro um apartamento aqui”, suspira.

Para ela, comparado com o resto da cidade, o Jardim Botânico não tem problemas. “Pelo menos nada que não possa ser resolvido com a ajuda dos moradores”, afirma. Vera considera que o trânsito intenso e a falta de respeito às regras de civilidade, por exemplo, são culturais e vão muito além do bairro.

– Estou assustada com a tragédia e os rumos da política atual. Fazemos muitos abaixo-assinados, mas a exposição on-line é fria. Eu queria mesmo é ir pra rua, pressionar, mas, infelizmente, não é possível fazer isso neste momento. Vamos precisar ser muito criativos para mudar o que está por aí – avalia.

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