ALTOS E BAIXOS DA ATIVIDADE COMERCIAL

A pandemia mudou os hábitos de consumo de todo mundo, colocando a casa no centro de tudo. Apesar da queda na renda das famílias e outras dificuldades, alguns setores da economia se fortaleceram, como os supermercados e as indústrias de eletrodomésticos e equipamentos de informática, além de móveis e materiais de construção. Por outro lado, o setor cultural e de serviços – incluindo bares, restaurantes, turismo, teatros, cinemas e outras atividades que demandam presença física do consumidor – ficaram para trás e precisam usar de muita criatividade para atrair a clientela de volta.

Neste vaivém comercial, o número de espaços comerciais vazios é grande, com placas de “aluga-se” ou “passo este ponto” por todos os lados. Contudo, na esperança de dias melhores, tem muita gente investindo em um novo negócio. A loja de presentes Griffos, fechada antes da pandemia, está em reforma e deve receber, em breve, uma filial da Toyboy Brinquedos. Já o bar Tipicamente, na J.J. Seabra, vai virar uma cafeteria, e as obras estão aceleradas. A farmácia Cristal, na esquina da rua Conde Afonso Celso, alugou o espaço do antigo salão Karícia, ao lado, e deve dobrar de tamanho. A rede de drogarias está em expansão e abriu outra unidade no endereço da tradicional Sapataria São Vicente, em frente ao Shopping da Gávea.

Na região que abrange Jardim Botânico, Gávea, Humaitá e parte da Lagoa, as maiores perdas foram no segmento gastronômico. Nos demais, a balança ficou equilibrada, com quase os mesmos números de abertura e encerramento de atividades. No último mês, fecharam a loja de presentes e perfumaria Smell, na galeria dos Correios; o Polis Mix e o Subway, na rua JB. As novidades da rua Jardim Botânico são a Tabacaria Simões, no edifício Touch, e a loja de molduras Enquadre e uma filial da escola de dança It Ballerina, no início da via. Na Von Martius, será aberta, ainda em maio, uma franquia do HNT, que segue a linha do Kentuch Fried Chicken; enquanto o Giá Girarrosto e Cuccina, que também tem o frango como carro-chefe do cardápio, ainda está aguardando a melhor oportunidade para fazer sua estreia na mesma rua.

Para a maior parte dos negócios, foi necessário se adaptar, seja ampliando seu sistema de delivery, seja mudando para um endereço com aluguel menor. Foi o caso do salão Karícia, que saiu de uma loja na rua Jardim Botânico e passou a atender em um sala no edifício Touch; e do Shanti Bistrô, que mudou de nome ao trocar o Shopping da Gávea por uma loja de rua no JB.

Maior centro comercial da região, o Shopping da Gávea tem sofrido os efeitos colaterais da pandemia e perdeu algumas de suas lojas mais antigas, como a Oficina do Pastel e a livraria Timbre (foto abaixo). Uma estratégia para minimizar os problemas e movimentar os corredores é a criação de eventos temporários, como a Feira do Bem (foto abaixo), que voltou a acontecer às quartas-feiras, das 10h às 22h, no 2º piso do shopping, com venda de produtos veganos, orgânicos e artesanais. Apesar de salas de teatro e cinema terem sido reabertas, não há desconto ou isenção de tarifa de estacionamento, por exemplo, que sirva como incentivo para a volta dos espectadores. De acordo com a assessoria de imprensa do lugar, outras estratégias estão sendo planejadas. Por ora, o shopping está aberto, “funcionando normalmente, seguindo todos os protocolos”.

Na Cobal, a pandemia, de uma certa maneira, está sendo positiva. “Se a Justiça Federal não estivesse em recesso, muitos estabelecimentos já estariam despejados”, explica Flávio Vieira, assessor jurídico da Associação dos Empresários da Cobal do Humaitá. Atualmente, 60% das lojas estão ocupadas, mas, segundo Flávio, do lado da rua São Clemente, apenas o Farinha Pura e o Pizza Park não estão com ordem de despejo correndo na justiça.

Criada em 1971, a Cobal Humaitá foi tombada pelo governo estadual, em novembro de 2019, por seu interesse histórico e cultural. O local pertence à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab – órgão do Ministério da Agricultura), que, apesar de não ter interesse em mantê-lo, não permite que os governos estadual ou municipal assumam a gestão do espaço. Com isso, os comerciantes não se sentem seguros de investir recursos próprios em melhorias. Sem manutenção e renovação de contratos e com o estacionamento fechado há 14 meses, aguardando licitação para sua exploração, o imóvel está se deteriorando. O abaixo-assinado contra o fim da Cobal do Humaitá segue disponível aqui.

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