A IMPORTÂNCIA DA ESCOLA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

O velho ditado “é de pequeno que se aprende” não só continua valendo, como vem ganhando cada vez mais força. No universo montessoriano, a expressão é aplicada mesmo para crianças de um ano e quatro meses: “Quanto menores, melhor”, garante a pedagoga e diretora da Meimei Escola, Sonia Maria Braga:

– Aos 16 meses, a criança é capaz de aprender pequenas coisas, como guardar seus brinquedos e ajuda a colocar a mesa. É preciso desmistificar o sentido da palavra trabalho como uma coisa ruim. E, claro, o melhor lugar para desenvolver isso é na escola. A criança vê prazer em ajudar a realizar tarefas, as quais, para elas, têm sabor de conquista – explica.

Tudo faz parte do aprendizado no método Montessori. Estimular a autonomia, a independência e as experiências contribuem para o processo evolutivo da criança, assim como o convívio com os demais. Estudos e pesquisas de desenvolvimento socioeconômico atestam que a alimentação e as vivências da primeira infância (até seis anos) são determinantes para a formação de adultos sensíveis e questionadores. O fato de estar acostumado a ajudar, a estabelecer parcerias, a fazer conexões, a desenvolver a linguagem e o raciocínio geométrico favorece a adaptação a novas situações. A lição fica para o resto da vida e aponta o caminho mais curto para a realização pessoal.

E se o convívio e tais estímulos são importantes em situações normais, durante a pandemia tornaram-se fundamentais. A diretora da Meimei lembra que, num primeiro momento, houve uma espécie de medo – até mesmo pânico – de mandar a criança para a escola. Segundo Sonia, a mídia assustou muito, sem levar em conta que, na rede privada, as escolas tiveram tempo para se organizar e adequar seus espaços. Na Meimei, as mudanças foram mínimas, uma vez que os ambientes já eram amplos e com poucos alunos por sala. Além disso, tanto a equipe como as crianças estão acostumadas a organizar e limpar tudo depois do uso. Incluir o álcool no processo foi apenas um detalhe.

– Para nós, o mais difícil é trabalhar o afastamento nos pequeninos, já que nosso foco é o acolhimento. Precisamos explicar que agora não podemos abraçar e buscar outras formas de demonstrar a alegria do encontro. Quando as coisas são explicadas, as crianças aprendem e repetem – explica Sonia, lembrando que, apesar de o uso de máscaras por menores de cinco anos não ser obrigatório, a maior parte das crianças faz questão de manter o acessório.

O pediatra Daniel Becker faz parte do grupo que defende a ideia de que a educação deveria ser considerada um serviço essencial. Para ele, a experiência em várias partes do mundo já demonstrou que escolas fechadas não diminuem o número de casos, assim como a abertura das mesmas não implicou no aumento deste número. Uma escola boa, com bons protocolos de proteção – ventilação, turmas reduzidas, álcool gel e EPIs para a equipe – é segura tanto para alunos quanto para os professores. Para Becker, como as crianças pequenas adoecem e transmitem a Covid-19 muito pouco, há outro diagnóstico relacionado à doença que o preocupa mais: “Vou chamá-lo de ‘síndrome de multi-sofrimento psíquico infantil’, que pode se manifestar de diversas maneiras, como agressividade e rebeldia, recusa alimentar ou apetite compulsivo, insônia, pesadelos, tiques, gagueira, muita introspecção ou agitação excessiva. Apesar de bem mais frequente, essa síndrome passa diversas vezes despercebida por famílias e médicos”, aponta.

Sonia não só concorda com o diagnóstico, como já percebeu, na volta das crianças ao convívio social, a diminuição da ansiedade e irritabilidade geradas pelo isolamento prolongado e pela dificuldade das famílias em conciliar o trabalho doméstico e a profissão com a atenção aos filhos. O retorno dos alunos à Meimei tem sido gradativo e, atualmente, a frequência atingiu sua quase totalidade. O primeiro passo para retomar as atividades foi orientar os professores e a equipe. Em seguida, buscamos esclarecer as famílias de que o ambiente escolar é controlado. Segundo a diretora da escola, apenas as crianças que moram com idosos ou pessoas com comorbidades ainda não voltaram ao presencial.

O fato de a Meimei já contar com uma infraestrutura tecnológica e treinamento de sua equipe na plataforma Google for Education foi positivo até para os menores: “Sem dúvida, a interação professor-aluno foi um facilitador no processo de transição. Apesar do distanciamento físico, a possibilidade do “olho no olho” contribuiu para o processo de aprendizagem infantil. Mas tudo sem excessos, porque entendemos que a família já estava assoberbada”, explica Sonia.

– Apesar do isolamento, a pandemia aproximou mais a família da escola. Além das atividades escolares, elaboramos um roteiro com 12 atividades domésticas (exemplos acima) para as crianças se sentirem úteis, desenvolvendo independência e autonomia em casa. Foi bom para a família reconhecer a importância do trabalho montessoriano – atesta Sonia.

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