SEGURANÇA TAMBÉM PASSA PELA INFORMAÇÃO

O perfil tranquilo do Jardim Botânico está mudando com o passar do tempo, e a sensação de insegurança aumenta e diminui em determinados períodos. Com a pandemia e o consequente agravamento da crise econômica, há uma onda crescente de casos de roubos e assaltos na região.

O alerta foi dado em grupos no WhatsApp e no Facebook. O JB em Folhas entrou em contato com o 23º Batalhão da Polícia Militar, mas não obteve retorno sobre o número de casos ou estratégias adotadas para melhorar a segurança na região. Membros da AMAJB reuniram-se com o Capitão Fernando Braga, assessor da Comandante Gabryela Dantas, para tratar de casos que têm acontecido especialmente na rua Pacheco Leão; entretanto, também não quiseram fazer uma declaração oficial sobre o assunto. A orientação tanto do Capitão Braga quanto da AMAJB é encaminhar a demanda à assessoria de imprensa da PM, que até a publicação desta matéria não havia se manifestado.

A comunicação com o 23º Batalhão já foi bem mais acessível. Em 2012, quando ocorriam pequenos casos de roubos e furtos no Jardim Botânico, o tenente-coronel Luiz Octávio da Rocha Lima, então comandante da corporação na região, recebeu a equipe do JB em Folhas mais de uma vez no batalhão, e sempre mostrou-se aberto a passar informações e esclarecer dúvidas. Outros tempos.

A insegurança não chega a ser uma novidade. Em novembro de 2018, foi criada a Associação do Baixo Jardim Botânico (ABJB) com a finalidade de aumentar a segurança no entorno da rua Maria Angélica. No ano passado, o programa Lagoa Presente, formado por policiais militares ligados à Casa Civil do Estado, foi ampliado para os bairros da Gávea e do Jardim Botânico e houve até uma vaquinha virtual para obter recursos para equipar sua base no Parque das Figueiras (foto acima). No início de sua atuação, as ações do JB Presente eram divulgadas, mas, atualmente, os moradores não têm tido mais acesso.

Apesar da falta de informação oficial, o sinal de que, de fato, os casos estão aumentando já está nas ruas. De duas semanas para cá, a Polícia Militar voltou a estacionar viaturas em pontos específicos da região, como em frente à Smartfit da rua Humaitá, nas esquinas da rua JB com a Maria Angélica (foto) e com a Professor Saldanha e na esquina da Pacheco Leão com a Barão de Oliveira Castro. Antigos moradores deste último trecho dizem que a área sempre foi segura. Recentemente, porém, foram relatados roubos e assaltos em frente à loja de bicicletas IBS, perto do antigo restaurante Couve-Flor e nas proximidades da rua Mestre Joviniano em grupos como o Alerta JB, no Facebook.


A psicopedagoga Luciana Paschoal (foto), que mora na rua Mestre Joviniano desde que nasceu e trabalha na Casa Maternal Mello Mattos, quase foi vítima de um assalto enquanto aguardava o ônibus escolar passar para pegá-la, por volta das 7h da manhã: “Eu já estava ciente de que roubos estavam acontecendo na região. Como conheço todo mundo por ali, notei a presença de um carro branco e dois rapazes de 20 e poucos anos em pé, mexendo no celular. Quando os dois começaram a se aproximar, entrei correndo em casa, gritando “Polícia””, conta Luciana, reconhecendo que se arriscou, mas feliz por ter assustado também possíveis infratores, que desapareceram dali.

A moradora Julia Monteiro Schiavo não teve a mesma sorte e foi assaltada em frente ao condomínio da Pacheco Leão. Segundo sua descrição no grupo do Facebook, “Eram dois caras armados e um terceiro bandido, que estava esperando dentro de um táxi. Levaram tudo, aliança, carteira, bolsa, sacola de compras…”.

Casos também são narrados em diversos grupos de WhatsApp. Nas últimas semanas, circularam denúncias de roubos de carros, motos e até de hidrômetro, contêineres de lixo e lixeiras da Comlurb – acreditem! – nas ruas Maria Angélica, Tasso Fragoso e Alexandre Ferreira. Uma das vítimas foi Gabrielle Ferreira, que teve seu celular roubado no ponto de ônibus em frente à Panificação Lagoa, na rua Jardim Botânico, no dia 18 de maio, por volta do meio-dia. Moradora de Rio das Ostras, ela costuma ficar na casa da amiga Júlia Serrano, na rua Araucária, sempre que precisa vir ao Rio. Foi de lá que Gabrielle fez o boletim de ocorrência on-line e que descobriu que ainda precisará ir até a 15ª DP, na Gávea, para confirmar o registro, agendado para junho. Caso parecido foi flagrado por uma câmera de segurança (fotos) na rua Alexandre Ferreira, que registrou o momento exato em que uma dupla de motocicleta subiu na calçada e arrancou a bolsa de uma mulher, no dia 20 de abril, às 6h40 da manhã.

Por ter poucas pessoas na rua, as primeiras horas do dia têm sido as preferidas da bandidagem, transformando a tranquilidade em motivo de inquietação. Antes mesmo de saber de um roubo de carro em frente ao CEL, no horário de entrada do colégio, a moradora Cristianne Mutzenbecher já vinha evitando sair antes das 8h da manhã: “É muito deserto”, justifica.

É sempre bom lembrar que, para que as autoridades responsáveis possam ser cobradas pela sociedade, é preciso fazer boletim de ocorrência, por menor que seja o prejuízo. A orientação da atuação tanto da PM quanto do projeto Segurança Presente depende desses dados. Assim como a informação também é importante, funcionando como alerta para os moradores.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: