EXPANSÃO DO IMPA CHEGA À CÂMARA DE VEREADORES

O mês de junho começou com um debate na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro sobre a expansão do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), já em andamento na rua Barão de Oliveira Castro. A audiência foi transmitida pelo canal da TV Câmara no YouTube e contou com o secretário municipal de Meio Ambiente, Eduardo Cavaliere; integrantes da GeoRio; o diretor-geral da instituição Marcelo Viana; membros de associações de moradores do local; além de especialistas em geotécnica e botânica.

Em sua apresentação, a presidente da Associação de Moradores das ruas Barão de Oliveira Castro e Marquês de Sabará, Ana Soter, destacou, principalmente, a questão ambiental, que implicará a retirada de 300 árvores, afetando “uma fauna pobre”, segundo empresa contratada pela avaliação, que encontrou apenas “micos, macacos-prego e dois tipos de cobra” naquela área! A designer fez questão de enfatizar que o que está em discussão não é a relevância da instituição ou sua necessidade de expansão, mas a inadequação geográfica da obra em uma encosta frequentemente afetada por enchentes e desabamentos. Em destaque, a imagem da área com o projeto sinalizado em amarelo, à direita.


– Não estamos colocando à prova a importância do IMPA, mas apenas o local escolhido para abrigar esta ampliação – afirma, lembrando que a rua Raimundo de Freitas, uma bifurcação da Sara Vilela, desapareceu após a chuva de abril de 2019 (foto), interditando até hoje uma casa da rua Barão de Oliveira Castro.

A falta de discussão de local alternativo para o projeto foi, inclusive, um dos pontos levantados pelo atual deputado estadual Carlos Minc, ex-ministro do Meio Ambiente, que também participou da audiência pública. Outros pontos ligados ao licenciamento da obra que chamaram sua atenção foram a falta de transparência dos estudos que levaram à liberação do projeto e o impacto na vizinhança.

O diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana, mostrou os detalhes do projeto de expansão, que prevê a construção de 67 gabinetes, 7 salas de aula, 4 salas de estudo, laboratórios, centro de processamento de dados, auditório, biblioteca e 129 unidades de habitação para estudantes e visitantes. Tudo isso com acesso pela rua Barão de Oliveira Castro. Viana lembrou que o projeto ganhou um dos prêmios mais importantes do mundo em arquitetura sustentável e obteve todas as licenças necessárias para a obra. Sobre isso, o secretário municipal de Meio Ambiente, Eduardo Cavaliere, ressaltou que o licenciamento correu de normalmente, sem simplificação do processo, concluído em 2020.

Ao final, o vereador Chico Alencar, que é membro da Comissão de Meio Ambiente da Câmara e convocou a audiência, solicitou que todos os documentos complementares para a liberação do projeto sejam disponibilizados à população. Atualmente, o site do IMPA exibe apenas as licenças e alvarás obtidos, mas os cidadãos não têm acesso ao inventário da fauna e da flora do local, por exemplo. Diante da dimensão do projeto, foi solicitada também a realização de estudos ambiental e geológico mais profundos, e seus impactos na vizinhança: “São pontos que a legislação exige e não foram acatados, mas isso não impede que eles sejam ainda cumpridos”, ressaltou Minc. Os interessados podem assistir à audiência pública aqui.

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