MERCADO IMOBILIÁRIO EM EXPANSÃO

O mercado imobiliário está em alta. Não bastassem as evidências nas ruas da região, com tapumes e barulho constante de obra, um relatório do Centro de Pesquisas e Análise da Informação do Secovi Rio – o sindicato que reúne as empresas de habitação da cidade – aponta que o cenário no Rio é favorável para vendas de imóveis residenciais. Segundo o levantamento, somente no primeiro trimestre de 2021, foram realizadas 9.645 transações residenciais no município. No mesmo período do ano passado, foram apenas 6.984. Este é o maior número desde 2013, quando foram registradas 10.450 transações no mesmo período.

Na avaliação de profissionais do segmento, como Bráulio Ferreira, que atua no mercado há 12 anos e conhece bem a área do Jardim Botânico, o principal fator para tal crescimento é financeiro, com a taxa de juros (Selic) baixa e, do outro lado da balança, rendimentos mínimos das aplicações de renda fixa. Para ele, o momento é bom para investir em imóveis. O valor do m2 no bairro já foi 25 mil reais e, atualmente, gira em torno de 10 a 18 mil. A tendência é que o valor aumente em torno de 10% em 2022:

– Em 2015, o mercado imobiliário sofreu uma grande queda. A retomada começou em 2019, e a tendência é de alta nos próximos dois anos. O valor dos imóveis está estável e as pessoas estão buscando melhor qualidade de vida, a começar por suas casas – avalia o corretor de imóveis.

Bráulio e o “garoto-propaganda” de seus serviços

Bráulio é um dos que tem como objetivo principal trabalhar com imóveis do Jardim Botânico. Nos últimos dois anos, ele vem investindo mais na corretagem, dividindo seu tempo com a gerência do Mercado Afonso Celso, onde está desde 1997. Como em tempos de marketing digital, quem tem criatividade é rei, o comerciante contratou os serviços de uma equipe de filmagem e edição – com Fred Duarte e o Lucas Stirling – para criar vídeos destacando sua expertise e atendimento personalizado. Uma das estratégias utilizadas foi convidar o ator Davi Pinheiro, antigo morador da região, para gravar umas chamadas apresentando o trabalho de Bráulio.

– Meu foco é me tornar um corretor exclusivo do Jardim Botânico. Estou conseguindo criar uma cartela de clientes, graças aos bons relacionamentos que cultivei na vizinhança por conta dos anos à frente do Mercadinho. Nada melhor do que você ter um corretor em quem você confia. Minha ideia é convidar outros moradores conhecidos da região para atestar o meu trabalho – afirma o corretor.

João Campos, 57 anos, já alcançou esta exclusividade. Morador há 53 anos do Parque Residencial Jardim Botânico, há mais de 20 anos ele trabalha como corretor no Rio de Janeiro, mas com destaque para o Jardim Botânico, especialmente em seu condomínio, na rua Pacheco Leão, bastante procurado pelo perfil de casas.


– Eu dividia as vendas aqui no condomínio com o Seu Jarbas, que acabou se aposentando e mudando para o Leblon. Este tipo de imóvel sempre foi muito procurado e agora, com a pandemia a demanda aumentou, porque as pessoas estão buscando espaços maiores, com mais áreas livres. Só no ano passo eu vendi seis casas aqui – explica o corretor.


De fato, a pandemia colocou a casa no centro das atenções, funcionando também como lugar de trabalho, estudo e lazer. A demanda por espaços mais amplos e confortáveis só faz aumentar. De acordo com um estudo da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), é esperado um crescimento de aproximadamente 35% em 2021.

Um dos endereços mais cobiçados no eixo Jardim Botânico-Horto é mesmo o condomínio da Pacheco Leão. Rina Mazzocchi morou lá com a família por 13 anos até abril de 2021, quando concluiu a venda de sua casa. O imóvel foi colocado à venda no início de março de 2020. Depois de um período inicial de estagnação, houve um boom da procura por casas com a chegada da segunda onda de COVID-19 na Europa:

– Naquele momento, as pessoas daqui perceberam que a pandemia ainda ia demorar para acabar e passaram a procurar espaços maiores para morar. Em uma semana recebemos três ofertas pela casa (foto) – pontua a organizadora pessoal, que recebeu de 15 a 20 visitas de interessados ao longo do período em que a casa esteve à venda.

Eileen Worcman (foto abaixo) viu uma oportunidade de usar seu conhecimento profissional na área comercial e de moda – foi sócia da loja Alfaias e da multimarcas Obra Ipanema – em um novo segmento. Filha de pai construtor, ela está investindo no ramo de corretagem de imóveis desde o começo do ano, associada à R.Jardim, e destaca que o setor está animado por uma questão óbvia:

– Os juros baixos favorecem os incorporadores e os investidores, especialmente os estrangeiros, aproveitando o câmbio favorável para eles. Mas até aqueles que dependem de financiamento para compra de casa própria são beneficiados – pontua a profissional, cujo foco de atuação é a revenda de imóveis.


Há 18 anos no bairro, Eileen vem percebendo o aumento da oferta de novos empreendimentos, além de uma mudança significativa no cuidado e qualidade dos projetos que estão sendo lançados: “A Mozak está atenta ao branding de sua marca e demonstra preocupação estética em projetos desde os tapumes de suas obras”, observa a corretora, que foi sócia da loja Alfaias e da multimarcas Obra Ipanema.

– Neste novo desafio, estou usando a experiência que adquiri ao longo de anos trabalhando com moda: amor por imóveis, projetos e pessoas. Eu gosto mesmo é de fazer as conexões e deixar todo mundo feliz – afirma.


Dos empreendimentos atuais, a Mozak é a que tem mais destaque na região. Somente nesse primeiro semestre, a construtora está com seis lançamentos na cidade e previsão de chegar a 12 até o final do ano, sendo que, na área do Jardim Botânico, Gávea, Lagoa e Humaitá, são dois lançamentos e seis em andamento. Segundo Gabrielle Calcado, coordenadora comercial da empresa, o foco nessa região está relacionado a uma demanda reprimida, uma vez que muitos moradores são “bairristas” e com diversos perfis: o casado com filhos quer um espaço maior e com mais vagas na garagem; os que estão em início de carreira preferem um apartamento menor, mas bem localizado; quem mora sozinho busca qualidade de vida e praticidade; e tem também aqueles em busca de investimento. Além disso, a pandemia provocou uma mudança no conceito de imóvel ideal.

Outros novos empreendimentos da região seguem a mesma tendência. Ao observar os folhetos de propaganda, dá para ver que a moda atual nesse mercado é usar termos em inglês na descrição dos imóveis, como garden, para os antigos apartamentos no andar térreo, e rooftop, para coberturas. Há também preocupação com sustentabilidade, segurança e tecnologia. O prédio da construtora Bait, que será erguido na esquina das ruas Jardim Botânico e Nascimento Bitencourt, prevê reconhecimento facial, fechadura eletrônica, wi-fi e infraestrutura para instalação de comandos de voz dentro de cada unidade. Na General Rabelo, o Grid Gávea, da INTI, terá 18 apartamentos de 1 quarto com metragem a partir de 37.86 m² até 59 m². O prédio contará com espaço coworking, horta comunitária e central de delivery. Já no Oka Residence Lagoa, o diferencial é a vista para o espelho d’água de todas as 44 unidades. Entre as facilidades oferecidas tem Meeting Room (sala de reunião) e concierge (o bom e velho porteiro).

Mas, apesar de toda essa expansão do mercado imobiliário, ainda há muitos imóveis desocupados ou mesmo abandonados na região. Na rua Jardim Botânico, entre as ruas Maria Angélica e J.Carlos, a casa de uma antiga clínica radiológica (foto 1) está se deteriorando há anos. Também na JB, quase ao lado do Zona Sul, um prédio inteiro que foi utilizado pela TV Globo (foto 2) está desocupado desde antes da pandemia. Na rua Frei Leandro, perto da Lavanderia Santa Helena, o imóvel que abrigou restaurantes famosos segue fechado há cerca de 10 anos. Na Lopes Quintas, a casa onde ficava o Lorenzo Bistrô está à espera de um melhor aproveitamento, assim como a construção ao lado, na rua Visconde Carandaí, onde funcionou o Lunático. Outras duas casas onde funcionaram importantes agentes do ramo imobiliário, como a Júlio Bogoricin e a Brasil Brokers (foto 3), estão vazios há um bom tempo, assim como duas lojas do número 700, da rua Jardim Botânico, onde funcionaram o Ponto Frio e o Mundo Verde. Já o prédio em frente, ocupado pela Cultura Inglesa até o final de 2020, encontrou uma solução melhor: passará por um retrofit que o transformará no Pratik, condomínio residencial com pequenas unidades e duas lojas no térreo.

Bráulio Ferreira: (21) 98272-2334
Eileen Worcman: (21) 99626-0848
João Campos: (21) 98820-7278

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