O JOCKEY CLUB E SEUS 90 ANOS DE HISTÓRIA

Foi-se o tempo em que o Jockey era um clube fechado, frequentado apenas por sócios e apostadores de cavalos. Os páreos continuam acontecendo, mas, desde o início do novo século, foram abertas diversas opções de gastronomia e lazer, com espaços amplos e área ao ar livre, como manda o tal novo normal. De hipódromo a polo cultural e gastronômico, o Jockey Club Brasileiro (JCB) ainda recebeu uma injeção de cidadania este ano ao abrir o salão embaixo da Tribuna C para a vacinação contra Covid-19, em parceria com a Prefeitura do Rio.

Fundado em 1932 a partir da junção de dois clubes promotores de corridas de cavalos do Rio de Janeiro, o Derby Club e o Jockey Club, o JCB teve como seu primeiro presidente Lineu de Paula Machado, grande entusiasta e promotor do turfe no Rio de Janeiro. Anteriormente, no mesmo endereço funcionava o Hipódromo Brasileiro, cujas pista e tribunas construídas sobre lodaçal aterrado com sobras do desmonte do Morro do Castelo foram inauguradas seis anos antes da fusão. O projeto arquitetônico foi do francês André Raimbert, especializado em hipódromos, que desenhou uma réplica do de Longchamps, em Paris.

Em agosto de 1933, foi realizado o primeiro Grande Prêmio Brasil, que teve como vencedor o cavalo “Mossoró”. Desde então, o GP Brasil tem sido a mais expressiva prova do turfe nacional, com reconhecimento internacional. O apogeu das corridas se deu nos anos 1950. A mudança da capital para Brasília diminuiu a popularidade do turfe na cidade; entretanto, o prestígio e a tradição do Jockey Club Brasileiro seguiram em alta. A cada ano, o prêmio reunia em suas tribunas a elite brasileira, com sobrenomes distintos como os Peixoto de Castro, os Guignard, os Seabra e os Marinho. Com o passar dos anos, a frequência foi diminuindo e, em 2017, o clube aboliu a obrigatoriedade de uso de traje passeio completo para assistir ao Grande Prêmio na Tribuna Social, substituído pelo esporte fino. Fora essa data, até o uso de bermuda está liberado, só não pode usar camiseta regata, chinelo e camisas de time de futebol ou de cunho político. Lembrando que, com a pandemia, a máscara é item obrigatório em qualquer situação.

O maior hipódromo do país ocupa uma área de 643 mil metros quadrados, espalhando-se pelos bairros da Gávea, Jardim Botânico, Lagoa e Leblon. As vilas hípicas contam com mais de 100 cocheiras, cerca de 500 moradores, sendo 250 cavalariços que cuidam de mais de 1.000 cavalos no local. Com cerca de 20 mil associados, o clube mantém uma escola de Ensino Fundamental I e II e outra voltada para profissionais do turfe para formação de jóqueis.

Em 1992, foi criado o Teatro do Jockey, que, de 2001 a 2014, foi incorporado à lista de equipamentos culturais da cidade do Rio de Janeiro. Sob a direção da atriz e dramaturga Karen Acioly, o Teatro do Jockey tornou-se importante ferramenta na formação de público, abrigando o primeiro Centro de Referência do Teatro Infantil. Depois de alguns anos fechado, o teatro passou por ampla reforma interna e externa, passando a se chamar Teatro XP Investimentos, atualmente fechado devido à pandemia.

A partir dos anos 2000, o Jockey Club Brasileiro passou a buscar uma maior integração ao dia a dia da cidade, especialmente dos bairros de seu entorno. Esse novo perfil começou a ser traçado com a abertura do restaurante Victoria (atual Páreo), seguido pelo Espaço Nirvana, que funcionou por cerca de 12 anos e chegou a ser considerado o maior centro de yoga e meditação do Rio. Depois vieram o Palaphita, El Turf, Porcão, entre outros. A flexibilização teve sequência com a abertura do clube a grandes eventos, como feiras de moda, gastronomia, festas juninas, festivais, cinema ao ar livre, torneio internacional de tênis e shows, incluindo a comemoração dos 60 anos de Zeca Pagodinho no verão de 2019.

A chegada de uma filial carioca da rede Rubaiyat, com sua varanda com vista para o Cristo Redentor e o prado, abriu caminho para a criação de um polo cultural e gastronômico na antiga Vila Portugal, revitalizando a área onde ficavam antigas casas de funcionários abandonadas. O processo foi longo: cinco anos para negociação, curadoria, desenvolvimento e legalização do projeto. Os empreendimentos pagam aluguel ao Jockey, além de uma taxa de administração aos idealizadores do “condomínio”. Hoje, a Vila Portugal engloba a Casa Camolèse, a galeria Carpintaria, a cervejaria Maguje, o Studio OM.art e o espaço para eventos EXC. Todos têm aproveitado a área aberta, comum a todos, para suas atividades.

Dentro do Jockey, atualmente, funcionam ainda uma academia Smart Fit, o Derby Bar, o Inverso Gávea, o Mandarim e, mais adiante, o Bosque Bar, que acumula reclamações de moradores do entorno pelo alto volume de seus eventos. Apesar do aluguel para tantos empreendimentos, o Jockey Club Brasileiro há anos negligencia o cuidado de suas calçadas. A pior parte fica ao longo de seu muro na rua Jardim Botânico, que, no início dos anos 2000, era um dos pontos mais grafitados da cidade e foi repintado de tom bege por exigência do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade. A revitalização, porém, nunca chegou ao piso da calçada, que apresenta inúmeros buracos, desníveis e falta de pedras portuguesas, prejudicando tanto pedestres e ciclistas, que acabam se concentrando do outro lado da rua.

Quanto ao turfe, atualmente os páreos são realizados aos domingos, das 14h às 17h, e às segundas e terças-feiras, das 16h às 20h. Dá para assistir às corridas no YouTube, mas nada como a emoção do ao vivo, um bom programa para adultos e para as crianças. Para quem quer fazer uma “fezinha”, há uma loja física de apostas embaixo da tribuna, além de um sistema on-line: www.apostas.jcb.com.br.

Jockey Club Brasileiro
Praça Santos Dumont 31
Entrada gratuita

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