MATRÍCULAS E PORTAS ABERTAS PARA APRENDER

Outubro é, tradicionalmente, o período de abertura de matrículas nas escolas. Hora de renovar o voto de confiança em um colégio ou método de ensino ou de descobrir novos caminhos capazes de agradar as crianças e seus responsáveis. Se antes a proximidade de casa era um ponto fundamental na escolha da escola para o filho; hoje, instalações abertas e arejadas também têm seu peso na balança. A região entre Humaitá e Gávea – passando pelo Jardim Botânico – sempre foi pródiga em colégios, que vão dos mais tradicionais aos inovadores, passando por novos estabelecimentos inaugurados durante a pandemia.

Um dos colégios mais tradicionais da região é o Padre Antonio Vieira, fundado há mais de 80 anos no Humaitá. A instituição – conhecida na vizinhança pelo apelido carinhoso de “Padreco” – tem como principais valores o respeito e a justiça, orgulhando-se de oferecer um ensino que respeita a diversidade cultural e respeita os princípios cristãos. A escola atua em todos os segmentos, da Educação Infantil ao Ensino Médio, com possibilidade de período integral para os menores, horário estendido para os mais velhos, além de atividades extras.

Um dos diferenciais do colégio é o programa intensivo de Língua Inglesa, desenvolvido e implantado em 1999, abrangendo todos os alunos de todos os segmentos. Além do inglês, os alunos têm aulas de Espanhol – ao longo dos Ensinos Fundamental I e Médio – e Francês, no Fundamental II. Mas o que faz a alegria dos estudantes são as competições esportivas, que dividem o colégio em dois times: um vermelho e o outro azul. A Festa dos Jogos inclui campeonatos de ping-pong, voleibol, futebol e uma série de outros esportes e brincadeiras, tendo como objetivos pedagógicos aprender a perder e ganhar e desenvolver o espírito de coletividade, entre outras coisas.

A fluência no Inglês é, cada vez mais, uma ferramenta que faz a diferença nos mais variados mercados de trabalho. Por isso, o CEL Intercultural School tem como um de seus pilares a formação global dos alunos, que, do 9º ano do Ensino Fundamental à 2ª série do Ensino Médio, podem optar por cursar uma High School norte-americana no contraturno do ensino regular. As aulas são ao vivo e com professores nativos, com matérias exclusivas do currículo dos EUA. O programa conta também com uma assessoria individual para facilitar o ingresso em uma universidade na terra do Tio Sam, além de uma certificação que é válida por toda a vida. Os exames de Cambridge são reconhecidos por mais de 20 mil instituições e facilitam o acesso em cursos de graduação e pós-graduação em várias partes do mundo.

– Nosso objetivo é proporcionar aos nossos alunos amplas possibilidades para a concretização de seus sonhos, seja orientando e favorecendo o acesso a estudo no exterior, seja apoiando alunos-atletas e artistas na conciliação dos estudos com a carreira – explica Lucimar Motta, assessora pedagógica do CEL.

A atleta de vôlei Paola Pimentel – formada em Jornalismo/Comunicação de Massa, no Miami Dade College, e graduanda em Business, Marketing e Publicidade, no Georgia Institute of Technology, em Atlanta – confirma o apoio e diz ter vivido os melhores anos de sua infância e adolescência no CEL, ao qual agradece pelos campeonatos, amigos e também pela vida acadêmica de uma “aluna normal”.

É de pequeno que se aprende

O segmento de Educação Infantil é o que conta com o maior número de estabelecimentos. Além do Tabladinho Centro de Educação Infantil, que acumula quase 60 anos de experiência, duas novas escolas tiveram o desafio dobrado de abrir em plena pandemia: a Quintal da Lagoa, que está iniciando suas atividades como escola, mas traz na bagagem expertise em educação parental; e a Meimei Escola Montessoriana, que inaugurou sua segunda unidade no JB, após mais de 40 anos de experiência na Tijuca, onde atua em todos os segmentos de ensino.

Neste primeiro ano aqui, o foco da Meimei ficou na Educação Infantil, mas, a partir de 2022, a escola passará a oferecer uma nova agrupada, para crianças entre 6 e 9 anos, que corresponde ao 1o, 2o e 3o anos do Ensino Fundamental. Os mais velhos ficarão instalados em uma sala especialmente preparada para eles. As turmas de, no máximo, 25 crianças contarão com um professor titular, um auxiliar e professores especialistas para inglês, música e laboratório. Segundo a coordenadora pedagógica da unidade, Eliane Bragança, já há uma grande procura para este novo segmento.

Desde que começaram as matrículas, Eliane tem recebido vários pais, não só para conhecer o espaço físico, mas também para entender melhor a metodologia adotada pela Meimei. As visitas duram cerca de uma hora, ao longo da qual ela explica o processo de aprendizado e o sistema de avaliação:


– A procura tem sido grande. O ensino montessoriano desperta curiosidade dos pais, que querem saber como é o aprendizado na prática. A preocupação é se os filhos aprenderão a mesma coisa que é ensinada nas demais escolas. De uma maneira geral, eles ficam felizes em saber que, na verdade, o desenvolvimento das crianças vai muito além, e que elas aprendem e são avaliadas por sua atuação e participação em projetos, aulas de campo, atividades voluntárias, entre outras coisas – observa a profissional que trabalha com o método há 30 anos, sendo 20 deles na própria Meimei.

Já a escola Quintal da Lagoa, dedicada a crianças de nove meses a seis anos, abriu suas portas em janeiro deste ano, em ritmo de colônia de férias. Nada mais adequado para uma escola que valoriza o brincar e acredita que cabe ao educador estar atento aos interesses das crianças, estimulando-as a descobrir o mundo por meio do movimento, da arte e das suas múltiplas linguagens.

Apesar de nova, a escola conta com a experiência da diretora pedagógica Cecília Helal, que há mais de 20 anos trabalha com pedagogia e psicomotricidade, com especialização em comunicação não violenta, parentalidade positiva e mestrado em educação no Porto (Portugal). Com espaço amplo e arejado, a escola é um lugar de afeto, aprendizagem, cuidado e acolhimento. No próximo sábado, dia 23/10, a Quintal promove uma manhã de vivência com as famílias, das 10h às 11h30, no Parque dos Patins.

– Aqui a criança tem vez e voz, sentindo-se valorizada em toda a sua essência, como constatamos com a transformação do muro externo da escola em galeria de arte, dando visibilidade à produção infantil não só para as famílias, mas para toda a vizinhança. Neste final de semana, vamos promover uma ação na Lagoa para que outros pais possam conhecer nosso trabalho – avisa Cecília.

As vivências e convivências são verdadeiras fontes de energia para o Tabladinho Centro de Educação Infantil. A escola é uma referência em primeira infância e mantém como desafio oferecer uma educação voltada para o afeto, a criatividade, a alegria e o respeito pelo ser humano com todas as suas diferenças e particularidades. A proposta pedagógica entrelaça as melhores contribuições dos pensadores da educação com o que chamam de “prática da sensibilidade e do bom senso”, desenvolvida ao longo de mais de 60 anos de trabalho com crianças. A partir de estímulos lúdicos e artísticos, cada um descobre novas formas de expressão, de modo a construir, à sua maneira, sua própria identidade. Segundo Lúcia Motta – uma das diretoras da escola –, este ano ainda está sendo atípico, uma vez que o convívio precisou ficar limitado a pequenos círculos:

As diretoras Inez e Lúcia Motta


– Vivemos um período de muito cuidado com toda a comunidade escolar. Nossa expectativa para 2022 é funcionar o mais próximo possível da normalidade, valorizando ainda mais a convivência. Sempre fomos uma escola de portas abertas. Sempre priorizamos o encontro com “o outro”. Acreditamos que o acolhimento, o abraço e o carinho do outro são condições indispensáveis para o desenvolvimento da pessoa. Formamos uma grande comunidade Tabladinho, com forte identificação com o bairro. Já estamos na terceira geração de crianças – pontua Lúcia, que faz parte da segunda geração familiar à frente da escola ao lado de sua irmã Inez.

As matrículas já estão abertas para as quatro turmas de Educação Infantil, que atendem, no máximo, 15 crianças, de um ano e meio a seis anos. O ano letivo de 2022 terá início em fevereiro, mas, em janeiro, o Tabladinho seguirá de portas abertas com o projeto Vamos Brincar, que divide as manhãs do espaço com outros cursos livres para crianças de 2 a 12 anos.

Ensino público ameaçado

Na rede pública, o ânimo – ou a animação – voltou aos corredores nesta segunda quinzena de outubro, com a liberação das aulas presenciais para todos os alunos, sem rodízio de turmas. Só a hora do recreio segue de forma escalonada, a fim de não provocar aglomeração. A mudança do protocolo sanitário da Secretaria Municipal de Saúde alimenta a esperança de pais e responsáveis de alunos das escolas públicas da região, onde encontram-se alguns bons exemplos de ensino gratuito de qualidade, como os colégios Estadual Camilo Castelo Branco, o de Aplicação da UFRJ e o Pedro II, sempre disputadíssimos.

A situação neste último, porém, é muito delicada. Com comunicação ruim e administração rígida, envolvendo sindicatos e conselhos de classe, o reitor das 15 unidades do colégio afirma não estar preparado para reabrir este ano e pretende seguir com as aulas 100% on-line até março de 2022. Com a escola fechada há 580 dias, um grupo de alunos e responsáveis decidiu organizar a manifestação “Mova CP2 no próximo sábado, dia 23/10, na frente do campus do Centro, às 11h.  

Os jornalistas Karla Prado e Raphael Roque estão vivendo uma verdadeira montanha russa de emoções de dois anos para cá. No final de 2019, o filho do casal foi sorteado para o Colégio Pedro II. O que era para ser uma felicidade duradoura virou tormento sem fim: “Um verdadeiro fardo. Além do peso da pandemia, ficou uma angústia”, explica o pai de Gustavo de 8 anos. Ele lembra que as aulas foram suspensas logo no primeiro mês. Enquanto as escolas particulares articularam-se para garantir as atividades on-line para seus alunos em um curto espaço de tempo, no Pedro II as aulas remotas só começaram em fevereiro deste ano. Neste meio tempo, pais e filhos sentiram-se desamparados, a ponto de procurarem escolas particulares e cursos extras para suprir a total ausência de atividade e criar uma rotina para as crianças, que completarão dois anos de estudo em um.

Primeiro dia de aula de Gustavo, março/2020 (Foto: Raphael Roque)

– Num primeiro momento, as famílias acolheram a suspensão das aulas, defendendo a necessidade de isolamento e, depois, a bandeira da vacinação. Agora, a situação mudou, e o argumento sanitário não faz mais sentido. A equipe da unidade Humaitá I quer voltar. Ficam claras a falta de planejamento e a ineficiência da burocracia interna, impedindo a volta as aulas agora – constata Raphael, que admite, com pesar, ter decidido matricular o filho em uma escola particular, caso não seja anunciada a volta as aulas no início do próximo ano letivo.

CEL Intercultural School 
Fundamental II e Ensino Médio
Rua Maria Angélica 294
Tel: (21) 2536-3500

Da Creche ao 5º ano
Rua Lopes Quintas 537
Tel: (21) 3205-9200

Colégio Padre Antonio Vieira
Rua Humaitá 52
Tel: (21) 2539-2292

Meimei Escola Montessoriana
Rua Abade Ramos 94
Tel: 2148-0721 / 98186-0038 

Quintal da Lagoa
Rua Lineu de Paula Machado 965
Tel: (21) 98770-4064

Tabladinho Centro de Educação Infantil
Rua Lineu de Paula Machado 795
Te: (21) 2239-9085

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