PRECISAMOS FALAR DE (IN)SEGURANÇA

A sensação de insegurança anda solta nos bairros da Gávea, Jardim Botânico, Humaitá e parte da Lagoa. Todos os dias há relatos de roubos e assaltos na região e um grande número de câmeras registrando quase tudo. O alarme é disparado nos grupos de moradores no WhatsApp e no Facebook e em mensagens enviadas à redação do JB em Folhas. Numa enquete promovida pelo jornal, em seu perfil no Instagram, 85% dos leitores marcaram que a violência cresceu muito no bairro nos últimos meses. Entretanto, nada disso conta para as instituições responsáveis pela segurança pública. Para que elas possam fazer seu trabalho, seja aumentando rondas ou destacando reforço policial, é fundamental que as vítimas façam boletim de ocorrência.

A ação está a cada dia mais fácil e acessível. A Polícia Civil conta com um sistema para Registro de Ocorrência on-line, que pode ser acessado, inclusive, por smartphones, agilizando o procedimento. É sempre bom lembrar que o declarante deve ter mais de 18 anos e que uma falsa comunicação e inserção de informações inverídicas são crimes previstos pelo Código Penal Brasileiro.

Mas e a Polícia Militar, o que tem feito em relação a isso? Quem souber, pode avisar. O JB em Folhas vem tentando há semanas entrevistar o comandante do 23º Batalhão da PM, mas nem o número e tipo de ocorrências mais comuns registradas na região ou uma comparação com anos anteriores são informados. De acordo com o tenente-coronel Maurílio Nunes, que assumiu o grupamento em setembro deste ano, as entrevistas devem passar pela Assessoria de Imprensa da corporação. Apesar de inúmeras tentativas de contato por telefone e e-mail, a redação do JB em Folhas não teve retorno.

Sem informações oficiais, resta registrar o que se ouve por aí. A preocupação atual são os assaltos realizados por motoqueiros com mochilas usadas pelos entregadores de aplicativo. Eles circulam pelas ruas e calçadas da região e fazem meia volta quando percebem uma vítima em potencial. Isso tem acontecido nas ruas Pacheco Leão, Maria Angélica e Alexandre Ferreira, por exemplo. Nesta última, uma outra modalidade que assusta a vizinhança são os roubos de carros em horários em que a rua está deserta, de manhã cedo ou depois das 22h. Um automóvel ultrapassa o da vítima, forçando-a a parar o veículo e saltar, dando lugar a um criminoso, que parte com o carro roubado.

Na praça Pio XI, cantinho reservado do JB, ocorreu um arrastão em novembro, com cinco pedestres assaltados. O corretor de imóveis Bráulio Ferreira, que mora e trabalha na rua Conde Afonso Celso, lembra que, anos atrás, aconteceu algo parecido na pracinha, levando à unificação das duas cabines particulares das ruas do entorno por um mesmo prestador, buscando melhorar a proteção:

– Por um tempo, ficamos mais tranquilos, mas agora, com poucos pagantes e sem acordo entre os moradores, as duas cabines serão retiradas pelo proprietário em dezembro, e não haverá mais segurança privada ali – avisa Bráulio.

Os frequentadores do Mercado Afonso Celso já estão apelando para a antiga vigília no início da noite. Enquanto bebem, eles mantém um olho na cerveja e o outro nos veículos que entram na rua e em qualquer movimentação suspeita.

Em outro trecho do Jardim Botânico, que compreende as ruas Maria Angélica, Frei Leandro, Eurico Cruz e Professor Saldanha, um grupo de moradores liderados por Teresa Condé e Márcio Balthazar está fechando contrato com uma empresa de tecnologia para instalação de um conjunto de câmeras inteligentes de alta resolução, interconectadas, formando uma rede com imagens armazenadas em nuvem. A proposta permite acompanhar a movimentação pela sucessão de câmeras integradas, verificando o trajeto dos bandidos. Outro diferencial do sistema Gabriel é um “botão de emergência” do próprio aplicativo, instalado nos celulares de quem adotar ao sistema.

Na Gávea, a associação de moradores aderiu a uma iniciativa, sem custos, de apoio à segurança pública da região. O sistema do Instituto Kuidamos é baseado no compartilhamento das imagens de câmeras de segurança com a central de monitoramento instalada na sede da Operação Gávea Presente. Além de aumentar a prevenção de crimes, o monitoramento realizado pelos próprios policiais agiliza o atendimento de ocorrências, facilitando a identificação do suspeito e o rastreamento de sua fuga pelo bairro. Dessa forma, é possível informar a localização do suspeito em tempo real para que os agentes de campo possam realizar a prisão do criminoso.

Ao que parece, a sensação de aumento de casos corresponde à realidade. Pela própria lógica da PM de que o registro contribui para o mapeamento da violência e a busca de soluções, houve um agravamento da situação. As ruas da região estão com várias viaturas da PM estacionadas em pontos estratégicos. Os lugares escolhidos são a praça Pio XI, a esquina das ruas JB e Maria Angélica, Pacheco Leão e Von Martius, e na rua Humaitá, onde alternam o sentido, atendendo a uma solicitação antiga dos moradores a fim de evitar também que veículos passem pela via em alta velocidade.

O morador do Jardim Botânico Antonio Taliberti, porém, acredita que somente a presença de carros no policiamento não resolve o problema, já que “as viaturas não têm mobilidade para perseguir ladrões a pé ou de moto. Ficam paradas em cima das calçadas, infringindo a lei e dando uma falsa impressão de segurança”. Para ele, faltam planejamento e informações oficiais, que demonstrem uma gestão unificada e eficaz para o problema de segurança que afeta toda a cidade. Taliberti resume, assim, a situação:

– A polícia está devendo uma estratégia para evitar essas ocorrências. Só dizem para fazer B.O. Mas e daí? – questiona.

Histórico do relacionamento com a PM

A comunicação com a PM já foi mais transparente e menos burocrática. Em 2016, o Coronel Rogério Lobasso recebeu a equipe do JB em Folhas no Batalhão e apresentou o que estava planejado para o período das Olimpíadas. Anos antes, em 2012, o tenente-coronel Luiz Octávio da Rocha Lima mostrou a planilha de ocorrências da região, falou sobre as ações da polícia e deu dicas de segurança para a população.  

Coordenadora de segurança da AMAJB desde antes do 23º Batalhão existir (ele foi criado em 1988), Maria da Glória Grève perdeu as contas de quantos comandantes conheceu. Ela diz que, atualmente, não recebe mais os relatórios de ocorrências, mas que, sempre que faz contato direto com os comandantes, eles respondem. Somente do início da pandemia para cá, já são quatro. Antes do tenente-coronel Nunes, o comando passou pelo tenente-coronel Luciano, que entrou no lugar da tenente-coronel Gabryela, que, por sua vez, substituiu o tenente-coronel Heitor.

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