VERDE QUE TE QUERO FRESCO

A proximidade da natureza é um fator determinante para muita gente que escolhe o Jardim Botânico e seu entorno para morar. Apesar disso, poucos usufruem realmente a imensa área verde que nos cerca, seja para fazer uma caminhada, seja para se refrescar em uma das muitas cachoeiras escondidas na mata ou para admirar a Cidade Maravilhosa de um ponto de vista diferente.

A partir de 2016, isso ficou mais fácil, com a criação da Trilha Transcarioca, que cruza todo o Rio de Janeiro, com um percurso de aproximadamente 180 km – saindo da Barra de Guaratiba até o Morro da Urca –, divididos em 25 trechos com o objetivo de facilitar a visita, de acordo com o interesse, a aptidão e a disponibilidade de tempo dos visitantes. Destes 25 trechos, seis passam ou têm início no Jardim Botânico/Horto e possuem nível de dificuldade moderado: Portão da Floresta x Mesa do Imperador, Vista Chinesa x Dona Castorina (+ Circuito Parque da Cidade), Dona Castorina (Jequitibá) x Primatas, Primatas x Paineiras/Corcovado e Paineiras/Corcovado x Parque Lage. A exceção é o trecho Mesa do Imperador x Vista Chinesa, de apenas 1,6 km e nível leve de dificuldade.

Coordenador Geral da Transcarioca e ex-Vice-Presidente da Federação de Esportes de Montanha do Estado do Rio de Janeiro (Femerj), Horácio Ragucci levou 15 dias para percorrer toda a trilha quando ela foi inaugurada. Foi ele que acompanhou a equipe do JB em Folhas nos trechos entre o Parque Lage e as Paineiras/Corcovado e, de lá, até a Cachoeira dos Primatas (foto acima) em 2019. Argentino radicado no Rio de Janeiro, Horácio aponta o primeiro trecho como um dos mais procurados da cidade, especialmente por turistas.

– A trilha foi modificada para receber melhor o fluxo de visitantes e se adequar às normas de conservação recomendadas. Com a alteração de traçado, o percurso ficou um pouco mais extenso, porém mais suave para quem caminha – explica Horácio, destacando que, atualmente, é comum cruzar com grupos ou duplas de corredores nas trilhas.

Para aqueles que têm disposição de encarar duas horas de caminhada em aclive, o trecho tem boa parte do percurso sob a proteção da mata fechada, que, em determinados momentos, descortina mirantes incríveis, com vista para a Lagoa Rodrigo de Freitas, o Morro dos Cabritos e o vale do rio Cabeça. Em uma parte mais íngreme, degraus metálicos foram instalados para dar mais segurança. Uma boa dica é ir somente até o Centro de Visitantes do Corcovado, instalado no antigo prédio do Hotel Paineiras, pois o caminho até a entrada do Cristo Redentor é pelo asfalto, com tráfego de veículos. Na volta, uma opção é pegar a trilha Paineiras x Primatas, repleta de riachos e quedas d’água. O ponto alto é a cachoeira dos Primatas, que tem fácil acesso (20 minutos) a partir da rua Sara Vilela, no Alto Jardim Botânico.

Mesmo quando não há bifurcações, a Trilha Transcarioca tem sinalizações frequentes, com objetivo de tranquilizar os visitantes. Se a pessoa não observar nenhuma placa ou pegada estampada em uma árvore por mais de cinco minutos, provavelmente pegou o caminho errado. O melhor a fazer é voltar até o último ponto em que viu uma indicação para reencontrar a rota correta. Com isso, o número de pessoas perdidas nas trilhas nos últimos 15 anos foi reduzido de 100 para menos de cinco por ano. Na trilha do Parque Lage, uma guarita instalada logo no início do percurso registra o número de pessoas que estão subindo e o horário, mas a principal recomendação do coordenador da Transcarioca é que as pessoas nunca façam as trilhas sozinhas.

A Trilha Transcarioca conta com o trabalho de voluntários para sua manutenção, informação, sinalização e mesmo para a abertura de novas trilhas. É importante lembrar que os animais domésticos não devem ser levados para o Parque, por ser perigoso tanto para eles – que entrarão em contato com zoonoses diferentes, às quais não estão acostumados – como para os animais selvagens, que estão em seu habitat natural e podem ser atacados pelos cães.

No verão, o movimento nas cachoeiras sempre aumenta. Além da dos Primatas, há inúmeras outras, como a da Gruta, a do Jequitibá e a do Horto (ou do Chuveiro), com queda d’água de 20 metros de altura, que desce encravada entre duas rochas, formando uma piscina natural. Escondida no meio do bairro do Jardim Botânico, a do Santinho é conhecida como Cachoeira da Faro. No início da pandemia, o acesso pela rua Senador Simonsen foi fechado, a fim de evitar aglomeração. Apesar da retomada das atividades na cidade, os moradores da comunidade local decidiram manter o portão trancado, impedindo a passagem de visitantes, para revolta de muitos moradores, que consideram a decisão é arbitrária: “Essa decisão foi imposta pelo pequeno grupo de moradores da vila. Mais uma expressão do declínio da democracia no país. A Mata Atlântica é um patrimônio nosso!”, diz Beatriz Maia, que reside na área.

Morador do Jardim Botânico, Bráulio Ferreira, um dos sócios do Mercado Afonso Celso, sempre encontra um espaço na agenda para uma curtir as cachoeiras espalhadas pelo bairro: “A gente mora em um lugar maravilhoso, com muitas cachoeiras acessíveis e perto de casa”. Sua favorita é a Cachoeira da Gruta, que é mais fácil para levar as crianças, considerando o tempo de trilha e a piscina que ela forma, garantindo a diversão dos filhos pequenos.

Para aqueles que não se sentem seguros de caminhar na mata, é possível aproveitar a cachoeira do Quebra, a mais conhecida da região, graças à sua localização. Situado às margens da Estrada Dona Castorina, o local é acessível de carro (apenas nos dias de semana), de bicicleta ou mesmo a pé. Sem muito esforço, dá para se refrescar e deixar as crianças pequenas brincarem na área de brinquedos infantis. Para aqueles com mais disposição, a dica é subir a trilha ali do lado para descobrir outras quedas d’água e conhecer por dentro as belezas da floresta.

O Parque Nacional da Tijuca conta com vários guias voluntários. Seguem alguns contatos para ninguém se perder pelo caminho:

Rodrigo RDSC – 96982-3230
Felipe Romeiro – 99785-9602 (fala outros idiomas)
Nerval Roedel Salles: 97119-4567 (fala outros idiomas)
Paulo Cesar – 98194-2776
Rafael Salles – 97429-4969 (especialista em escalada)

*Por Betina Dowsley

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