MAIOR DESAFIO DO SUBPREFEITO É A ORDEM URBANA

Formado em Economia pela Fundação Getúlio Vargas, Flávio Valle assumiu a subprefeitura da Zona Sul do Rio de Janeiro no dia 2 de fevereiro. Antes de assumir o cargo, o jovem de 22 anos já estava envolvido com a administração municipal, como assessor de Pedro Paulo na Secretaria de Fazenda e Planejamento e, na faculdade, escreveu sua monografia a respeito do Novo Regime Fiscal do Rio de Janeiro.

Em entrevista ao JB em Folhas, Flávio fala sobre sua trajetória na política, os objetivos da administração e problemas da região. Confira os pontos mais importantes da entrevista a seguir:

JB em Folhas: Como você foi parar na política?

Flávio Valle: Eu não sou da política, sou da administração pública, mas sempre gostei muito de política. Me filiei ao PSDB em 2015, quando eu fiz 16 anos. Antes disso, com 14 anos, eu ia a algumas reuniões do Partido Verde também, eu gostava muito do engajamento do pessoal.

JBF: E como se deu essa aproximação com o Prefeito?

FV: Foi muito curiosa essa história. Sempre mostrei esse meu lado “engajador” na política. Em 2019, mandei uma mensagem para o prefeito no Instagram falando “prefeito, sou seu fã, gosto muito de política, gosto muito de você e quero trabalhar com você”. Ele aceitou a mensagem, começamos a conversar e ele me passou o número do WhatsApp dele. Em 2020, quando veio a decisão dele de se candidatar à prefeitura do Rio, ele me chamou para participar da campanha, mas eu estava enrolado em outros projetos pessoais e acabei não ajudando muito. Mas depois veio o convite para participar do governo. Comecei como assessor do Pedro Paulo, na Fazenda, por conta da minha formação em economia. Depois, fui para o Gabinete do Prefeito e, no início de fevereiro, assumi a Subprefeitura da Zona Sul.

JBF: Como está sendo essa experiência?

FV: O meu curso de economia da FGV tem um reconhecimento muito forte da América Latina, mas não há curso superior ou pós-graduação em Harvard que banque o conhecimento que se adquire estando ao lado do Prefeito.

JBF: Como foi este primeiro ano de governo pós-Crivella, com a cidade abandonada?

FV: O primeiro ano é um ano muito de ajuste. O orçamento do ano passado foi montado pelo Crivella, muito limitado. Além disso, tinha um rombo em torno de quatro bilhões de reais. Hoje a gente tem uma cidade com as contas equilibradas. Este é um ano em que as pessoas vão começar a ver a prefeitura na rua, atuando. A gente aumentou em 20% o orçamento em um ano, passamos de R$ 31 para R$ 40 bilhões. O que o prefeito diz para a nossa equipe interna é “acabou a desculpa, agora tem dinheiro, a máquina tem que funcionar como funcionava nos parâmetros políticos de 2015”.

JBF: Antes você estava no gabinete, agora você é o chefe. Não te assusta um pouco, considerando sua pouca experiência?

FV: De certa forma, o subprefeito da Zona Sul é uma cópia do prefeito regional. Então, uma das vantagens que eu tenho é que já cheguei aqui conhecendo todos os órgãos, os presidentes, os secretários, isso foi um fator muito facilitador para esse início de gestão na subprefeitura.

JBF: Qual é o grande problema da subprefeitura atualmente? Você está assumindo com que objetivo?

FV: Temos quatro grandes metas principais para a nova fase da Subprefeitura Zona Sul: acolhimento da população em situação de rua, ordenamento urbano, conservação como um todo e combate as construções irregulares. A população de rua é um grande desafio, pois as ruas da Zona Sul já estavam em um estado crítico e, com a pandemia, o número aumentou substancialmente. A questão do ordenamento urbano nós já estamos fiscalizando e fazendo cumprir a regra.  Nossa atuação enquanto Subprefeitura é garantir a interlocução com a população, por meio de vistorias e fiscalizações preventivas junto aos órgãos competentes, para garantir o cumprimento das regras já existentes. O mesmo se aplica às construções irregulares. Vamos trabalhar de forma integrada com os órgãos municipais para fazer o que deve ser feito. E na conservação vamos fazer serviços como limpeza, poda de árvores, desentupimento de bueiros, recolocação de pedras portuguesas e paralelepípedos, iluminação, revitalização de praças e parques e tapa-buracos, entre outros. Ou seja, colocar a casa em ordem. E já comecei pela própria Subprefeitura, que estava bem abandonada. Pintamos a fachada e arrumamos por dentro, para os funcionários terem orgulho de virem trabalhar e espelhar isso no resto da área que cuidamos.

JBF: E como você pretende resolver tudo isso?

FV: Temos um planejamento de fazer 320 rondas por mês na Zona Sul, são quase 20 diariamente. A subprefeitura, no geral, vai se tornar uma espécie de coordenadora e agregadora dos órgãos públicos.

JBF: Você já fez o contato com as associações de moradores dos bairros?

FV: Fizemos uma reunião na sexta-feira passada, reunindo todas as associações de moradores da Zona Sul e também algumas páginas de alerta das redes sociais para eu poder me apresentar. Nesse primeiro momento, vai ser muito difícil atender a todos. Eu, como subprefeito, tenho uma visão um pouco mais macro da Zona Sul, mas as associações sabem exatamente como o local ali está disposto a ajudar, a contribuir.  Tenho recebido algumas queixas de moradores e cada um tem uma demanda diferente, mas a questão dos moradores de rua é a que mais tem chamado atenção.

Logo que assumi, eu me concentrei aqui dentro, para mapear as organizações, definir a equipe, etc. Fiquei muito surpreso aqui na Gávea, com a Praça Santos Dumont.  Eu montei um projeto da Secretaria do Meio Ambiente para revitalizá-la. Quando eu fui olhar o lugar, soube que o Rogério Marques, da Arte Flores Gávea, havia adotado a praça. Eu acho que o Rio de Janeiro é uma cidade maravilhosa muito por conta disso. Você vê sintonia dos órgãos públicos com o privado e com o cidadão.

A bem cuidada praça Santos Dumont, na Gávea

JBF: Há duas situações que estão incomodando muito atualmente: a falta de conservação das calçadas e os fios soltos. O que você pensa em fazer a respeito?

FV: Veja bem, o problema de fios envolve concessionárias. Depende muito das concessionárias de internet, telefone e energia para resolver esse problema. Mas isso também não exime o poder público de ter responsabilidade, que é cobrar.

JBF: Está chegando março, e a questão das chuvas?

FV: A questão de chuva e alagamento é um problema crônico do Rio de Janeiro. O que a subprefeitura pode fazer, e a Secretaria de Infraestrutura vem fazendo e planejando, é mapear as áreas críticas, junto com o Centro de Operações. Nós montamos um pequeno centro de controle aqui na Subprefeitura, que vai espelhar algumas câmeras, para que possamos ter uma ação mais rápida nos dias de chuva forte.

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