CARLOS MONTE PREPARA BIOGRAFIA DE HAROLDO LOBO

O ano em que o Carnaval foi adiado será também aquele em que o compositor Haroldo Lobo (1910 – 1965) ganhará uma biografia. A homenagem vem sendo preparada por Carlos Sabóia Monte, engenheiro aposentado que vem se dedicando a este trabalho nos últimos dez anos de seus mais de 80 de vida. Carlos mora na Gávea há mais de 20 anos, mesmo bairro de sua filha mais famosa, Marisa Monte, e espanta-se que o autor de sucessos como “Alá-lá-ô” e “Tristeza” tenha virado nome de rua na Ilha do Governador e não no Horto ou no Jardim Botânico, onde nasceu e viveu por toda sua vida.

Carlos Monte e Denis Lobo (camisa verde), no show do centenário de Haroldo Lobo

– O pai de Haroldo Lobo foi funcionário da fábrica de tecidos Carioca, e a família morou na Rua da Escola [atual Estela], que fazia parte da Vila Operária – narra Monte, reforçando que Haroldo nunca saiu da região: depois morou na Lopes Quintas, na vila ao lado do Filé de Ouro e na rua Faro, onde morreu.

Monte suspeita que a proximidade de Lobo com a floresta e seus animais tenha inspirado a criação do Bloco da Bicharada e muitos de seus sucessos, como “A dança do macaco”, “A dança do ganso”, “O passo do Canguru” e “Passarinho do relógio (cuco)”, todos esses com Milton de Oliveira.

Já a afinidade musical de Carlos revelou-se aos 8 ou 9 anos, aprendendo os sambas e os nomes dos artistas. Naquela época, porém, ele ainda não atentava aos nomes dos compositores. O envolvimento tornou-se mais sério quando fez parte da direção da Portela no começo dos anos 1970, e tornou-se amigo de muitos dos integrantes da Velha Guarda da escola de samba. Aos 60 anos, ele lançou seu primeiro livro, “A Velha Guarda da Portela”, em parceria com João Baptista Vargens, no qual traçou o perfil dos artistas e a discografia do grupo. Seu novo livro está passando por uma última revisão e consulta jurídica para os direitos autorais. O projeto gráfico é de sua atual esposa, Sílvia Negreiros, e deve ser lançado ainda este ano.

O engenheiro é daqueles que está sempre atento a boas histórias e valoriza as iniciativas locais. Morador da Glória e aluno do Colégio Zaccaria, no Catete, ele foi convidado a escrever algumas de suas memórias sonoras daquela região para o site Catetear, de Luiz Carlos Prestes Filho.

Já a relação do pesquisador e escritor com a Gávea e o Jardim Botânico é bem anterior a seu interesse pela obra de Lobo. Carlos começou a frequentar o Jockey Club na infância, levado por seu pai, que era comissário de corrida e conta que aprendeu a ler com os folhetos de apostas. Ainda hoje costuma ir ao clube, entrando pelas cocheiras para visitar um amigo que tem cavalo lá.

Nos anos 1980, sua primeira esposa tinha o restaurante Bem-feito, na rua Maria Angélica. Depois, em seu segundo casamento, Carlos morou na rua General Garzon, onde nasceu sua quarta filha, Carolina, que, hoje, também mora na Gávea, pertinho dele. Há uns 25 anos, mudou-se para a rua Conde de Afonso Celso, quase ao lado do mercadinho: “Nunca fui ao Suvaco do Cristo, mas gostava de conversar com o Dr. João Avelleira. Minha ligação com o samba da região era com a turma do Força Jovem, que ensaiava perto da Tia Elza”, recorda-se.

Do JB à Gávea foi um pulo. Como nunca foi muito fã de shopping, Carlos gostou da mudança de endereço do Árabe da Gávea, na mesma rua Marquês de São Vicente, mas sente falta do Hipódromo e do chorinho que acontecia na praça Santos Dumont, reunindo bambas do gênero. Em seu segundo endereço no bairro, ele segue freguês do Hortifruti e Da Casa da Táta, e torce pela volta do Samba da Gávea, de Pedro Miranda, que costumava frequentar às segundas-feiras. Enquanto isso não acontece, seguiu o músico para o Museu Histórico da Cidade, que desde o ano passado vem se apresentando no esquema banquinho e violão: “Além da música, a Sílvia adora o acarajé de lá”.

No Samba da Gávea, na Da Casa da Táta, e o show de Pedro Miranda no MHC

– Fui eu que apresentei ao Pedro a música “Samba da Gávea”, incluída no álbum “Da Gávea para o Mundo”, que ele lançou no ano passado. Embora assinada por José Batista, pai do Wilson Batista, e Oswaldo Lobo, irmão de Haroldo, acredito que a música seja de autoria de Haroldo e Wilson e registrada no nome de seus familiares por questões de direitos autorais – indica o biógrafo de Haroldo Lobo.

*Por Betina Dowsley

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