CALA A BOCA JÁ MORREU!

O livro desta semana é emblemático. Lançado no final do ano passado, “Mordaça: histórias de música e censura em tempos autoritários” chega à Estante na semana que marca o golpe de 64 e traz as lembranças sombrias deste país.  Escrito pelos jornalistas João Pimentel e Zé McGill, a obra reúne casos emblemáticos sobre o embate entre a arte e o autoritarismo no Brasil de antigamente que, curiosamente, insiste em nos assombrar. Na semana passada, em um ato totalmente autoritário, o Presidente Jair Bolsonaro acionou o TSE para impedir manifestações políticas durante o festival Lollapalooza, provocando mais reações da classe artística. A ação reacendeu a luz da censura e gerou o movimento “Cala a boca já morreu”, contra proibições do gênero.

“Mordaça” inova ao trazer, em seus 29 capítulos, o depoimento dos próprios artistas sobre situações vividas por eles durante a ditadura. Constam no livro relatos de Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Jards Macalé, João Bosco, Ivan Lins e Paulo César Pinheiro, entre outros. E também do advogado João Carlos Müller, que, ao longo de uma década (1966 – 1976), atuou no departamento jurídico da gravadora Philips, tendo como missão dialogar com os censores para tentar liberar músicas vetadas em discos da companhia fonográfica.

Um dos fatores que motivou os autores foi o atual momento do país, quando muita gente exalta o regime militar e seu período mais violento, iniciado com o AI-5, em 13 de dezembro de 1968.  Chama a atenção na obra o último capítulo, em forma de posfácio, intitulado “Censura nos anos Bolsonaro”, incluindo casos ocorridos antes da posse, como o cancelamento da exposição “Queermuseu”, em Porto Alegre, em 2017, e a proibição de exibição do clipe “O real resiste”, de Arnaldo Antunes, na estatal TV Brasil, em 2019. 

O livro já está sendo reconhecido por sua importância e vai ganhar, justamente no dia 1º de abril, uma moção de Honra ao Mérito, do vereador Tarcísio Motta (Psol), em uma cerimônia democrática, como pede a cultura.  “A gente é da rua, então não faz sentido ter um protocolo, por isso, nós vamos receber a homenagem na livraria Folha Seca, no centro da cidade, com uma roda de samba, a partir das 17h, com ou sem chuva. Vamos retomar as ruas e com música”, avisa Janjão, como é conhecido. 

Livro: Mordaça: histórias de música e censura em tempos autoritários
João Pimentel e Zé McGill
Editora Sonora
336 páginas
Preço sugerido: R$ 55,00

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