POLÊMICAS E HISTÓRIAS DO SOLAR MONJOPE

Quem passa pela rua Tasso Fragoso, quase na esquina com a Jardim Botânico, impressiona-se com o imponente portal de entrada do condomínio Parque Monjope, decorado com medalhão e armas. Os ornamentos são meros detalhes da propriedade que o endereço abrigou muitos anos atrás.

Segundo pesquisa da museóloga Ana Cristina Vieira – moradora nascida e criada no bairro e atual coordenadora da Comissão de Cultura da AMAJB –, o terreno foi ocupado, no início do século XIX, pela Chácara de Bica, que se estendia até a Lagoa Rodrigo de Freitas. A edificação original deu lugar ao Solar Monjope, construído pelo novo proprietário, Dr José Mariano Filho, entre 1920 e 1928, em estilo neocolonial em homenagem à fazenda homônima onde nascera, nas proximidades de Recife. Defensor da arquitetura “tradicional”, o médico e colecionador trouxe do Nordeste painéis de azulejo, móveis e objetos coloniais legítimos.

O projeto do solar envolveu concurso, bilhetes trocados com Lúcio Costa e concepções de vários profissionais. Após concluído, o Monjope passou a disputar as atenções com a vizinha Mansão Besanzoni-Lage, abrigando festas e recepções da alta sociedade e servindo de cenário para fotonovelas, álbuns de casamento e filmes, como “Sangue mineiro” (1929), de Humberto Mauro. A propriedade incluía amplos jardins com inúmeras árvores frutíferas e frondosas, além do casarão propriamente dito, onde Dona Violeta Siciliano Carneiro da Cunha viveu suas três últimas décadas.

Fotos do site Foi um Rio que Passou.

Após a morte de sua última moradora em 1973, ganhou espaço na imprensa o debate sobre a preservação ou demolição do casarão por técnicos do IPHAN, entidades de classe e representantes do mercado imobiliário. Ao final, apesar do tombamento do imóvel por seus valores artístico e ambiental e da opinião dos moradores da área, que se posicionavam a favor da preservação do imóvel, da paisagem e da ambiência do entorno, a propriedade foi demolida no mesmo ano para dar lugar ao atual condomínio, composto por seis blocos de apartamentos, de cinco pavimentos cada. Como legado das mobilizações, o portão e parte da vegetação foram preservados e o limite de gabarito de altura para novas construções na região foi estabelecido.

Fachada atual do condomínio Parque Monjope.

As histórias e polêmicas sobre o imóvel viraram assunto para diversos estudos acadêmicos, como o artigo de Fernando Atique “De ‘Casa Manifesto’ a Espaço de Desafetos”, disponível na internet; e livros, como “Solar Monjope”, de Julio Bandeira, que conta com farto material fotográfico, mas está fora de estoque nas principais livrarias.

*Por Betina Dowsley

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