1001 LEITURAS NA CAMILO CASTELO BRANCO

Em homenagem ao Dia Mundial do Livro, 23 de abril, o destaque vai para a Sala de Leitura da Escola Municipal Camilo Castelo Branco, no Horto. O espaço vem nadando contra a corrente e demonstrando a importância de um espaço bem estruturado, com um bom acervo e profissionais qualificados desenvolvendo ações de leitura ligadas ao currículo escolar e ao projeto pedagógico.

Segundo Jenny Fernandez, uma de suas professoras regentes, a Sala de Leitura da Camilo Castelo Branco é muito utilizada pelos alunos. Um dos motivos salta aos olhos: a sala é bem equipada. Graças ao prêmio de vencedor do concurso Escola de Leitores, do Instituto C&A, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação e a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), recebido em 2015, o espaço foi pintado, ganhou mobiliário novo, colorido e adequado às atividades, destoando das demais salas da escola. Jenny trabalha há 17 anos na Camilo Castelo Branco e, em maio, completa 10 anos à frente do espaço: “A Sala de Leitura é como uma caixa de presente sempre aberta, accessível, multimodal e adaptável ao tipo de atividade que será desenvolvida”, atesta a docente de Língua Portuguesa, que divide a tarefa com Cristiane Marcelino, professora de Artes.

Atualmente, o acervo da Sala de Leitura da Camilo conta com seis mil livros, muitos deles adquiridos com os recursos do prêmio. Foi o caso da compra dos 40 exemplares do livro “Malala, a menina que queria ir para a escola”, de Adriana Carranca, que passaram pelas mãos de todos os cerca de 500 alunos da escola, em forma de rodízio e gerando inúmeros projetos interdisciplinares. As doações de autores e editoras também são fundamentais para renovação do acervo. Uma parceria com a escritora Luciana Sandroni na mediação de leitura do livro “Ludi na Revolta da Vacina”, em 2017, resultou em desdobramentos importantes, como uma palestra da autora e visita de turmas à Fiocruz.

A autora Luciana Sandroni, de verde, participou da leitura de “Ludi na Revolta da Vacina”

– Este ano, estamos trabalhando na Sala de Leitura o tema “refugiados”, motivados pelo que estamos vendo na Guerra da Ucrânia. O projeto utiliza o que sai na mídia: reportagens, fatos, fake news, mapas, fotos e legendas. No âmbito da literatura, os livros escolhidos são “Pretinha, eu?” (Júlio Emílio Braz), “Sete ossos e uma maldição” (Rosa Amanda Strausz), “Contos de Fadas de Perrault, Grimm, Andersen e outros” (tradução de Maria Luiza Borges) e “O Diário de Pilar na Amazônia” (Flávia Lins e Silva) – exemplifica Jenny.

A Escola Municipal Camilo Castelo Branco, como a grande maioria das instituições públicas, tem dificuldade para manter seu acervo de livros atualizado e desenvolver projetos mais ambiciosos e diversificados. Mas isto parece um detalhe, considerando a situação geral enfrentada pelas escolas, que recebem verba insuficientes para seus gastos mínimos (e imprescindíveis) de manutenção. Segundo o Anuário da Educação 2020, 7,5 mil escolas brasileiras não têm energia elétrica; mais de 15 mil estudantes não têm sequer banheiro dentro do seu ambiente escolar; 2 milhões de estudantes brasileiros sequer têm acesso à água potável nas suas respectivas escolas; 47 mil escolas não têm acesso à internet; e 97 mil não têm biblioteca.

A falta de estrutura e investimentos em educação, inclusive, já levou muitas escolas a transformarem suas bibliotecas em salas de aula. A atitude não leva em consideração o impacto positivo no aprendizado dos alunos. A própria denominação “Sala de Leitura” foi adotada para escapar de uma questão legal, já que toda biblioteca precisa, por lei, de um bibliotecário em tempo integral.

Diante de tal panorama, a Sala de Leitura da Escola Municipal Camilo Castelo Branco é privilegiada! Para chegar lá, é preciso mais do que esforço e dedicação. As professoras regentes estão sempre em busca de apoios e parcerias, seja em forma de doações em dinheiro, de materiais ou de livros literários em bom estado e voltados para o público de 11 a 17 anos, faixa etária dos estudantes.

– A missão da Sala de Leitura é dar a ler. É importante manter o espaço vivo e dinâmico, pulsando cultura. Os programas nacionais e municipais de incentivo à leitura são importantes para ampliação do acervo, mas, para promover eventos, premiar alunos e garantir acesso a bens culturais, é preciso um orçamento mínimo – observa Jenny, que, no momento, está em busca de apoio para a compra de mapas.

Contato para apoios e doações:
Escola Municipal Camilo Castelo Branco
Rua Pacheco Leão 1.004 – Horto
Tel: 2512-5663 / 2294-9248
emcbranco@rioeduca.net

*Por Betina Dowsley

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