METRÔ É PRIORIDADE PARA A AMAGÁVEA

A eleição da nova Diretoria e Conselho Fiscal da AMAGávea ocorrerá em 13 de junho 2022 e abrangerá o período de junho de 2022 até maio de 2024. Assim como acontece no Jardim Botânico, pouca gente se dispõe a participar efetivamente da associação de moradores da Gávea. René Hasenclever é um desses poucos. Ingressou na AmaGávea logo no começo e, em 1985, assumiu pela primeira vez sua presidência. De lá para cá, ele manteve sua atuação comunitária, seja como presidente, vice ou diretor. Sua luta pela Estação de Metrô da Gávea vem daquela época. Em julho do ano passado, recebeu a Medalha de Mérito Pedro Ernesto, da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. Para quem o critica e diz que a AmaGávea não lhe representa, ele sugere que se auto-represente, procure a Região Administrativa e reclame do que não está gostando: “O associativismo ainda não é uma coisa importante para o carioca. Aqui são cinco ou seis que carregam o bonde”, constata René, que duvida que até a data da eleição surja uma nova chapa para assumir a direção.

JB em Folhas: Qual é o principal problema do bairro atualmente?

René Hasenclever: O barulho. O Festival Mita foi um horror, começaram a ensaiar de manhã e ficaram tocando até de noite. Quem mora de frente para o Jockey não conseguia nem ouvir o próprio telefone. As janelas tremem. Não há tratamento acústico, nada.

Trânsito é outro problema. Na gestão do Crivella, autorizaram mais uma escola no bairro, a Mapple Bear. Não dá mais, a escola foi legalizada, apesar de a cota de estabelecimentos de ensino e templos já ter sido atingida. É o caos, ninguém respeita nada. Todo mundo anda na contramão, buzina, para no portão da garagem dos outros e fica com o motor ligado enquanto espera a criança.

O crescimento vertical da Gávea também preocupa. Já que foi aprovado o Parque Sustentável, não deveriam ter aprovado a construção de dois novos prédios na rua General Rabelo, no lugar de duas escolas, a Dínamis e um curso de inglês. Não tem planejamento urbano nenhum. Que cidade sustentável nós vamos ter? Nenhuma. É só carro borrificando gás carbônico. A Prefeitura está ausente.

JBF: Quais eram suas principais metas ao assumir este mandato na presidência da associação?

RH: Uma das metas era obter uma solução para o terreno onde está sendo construído o Parque Sustentável da Gávea, na rua Marquês de São Vicente. Ficamos 15 anos brigando com a Prefeitura. O projeto atual é bacana dentro do que queriam fazer no terreno. Quem aprovou o projeto do Marcelo Conde – filho do ex-Prefeito Luiz Paulo Conde – foram os arquitetos da secretaria municipal de urbanismo. O Paes chegou a desapropriar o terreno que era do supermercado Mundial para fazer um parque. Na época, alertei para o custo de manutenção e risco de abandono da própria praça Santos Dumont. O prefeito acabou devolvendo o terreno, mas quando veio esse novo projeto, os vereadores disseram que só poderiam fazer se tivesse um parque e deixassem a população entrar. Depois de quererem fazer três torres, o projeto foi reduzido: diminuíram as lojas, mas aumentaram o número de apartamentos. Dentro do caos, eu bato palmas.

Outros pontos são a estação do metrô com a conclusão da linha 4 e o barulho do Jockey. Ali virou um negócio de louco, ninguém faz tratamento acústico, é um caos. O Jockey aluga o espaço e depois lava as mãos. Fora isso, o viaduto Graça Couto, alça de escape do túnel acústico, é sempre uma questão polêmica. Para os moradores do alto da Gávea a abertura é boa, mas para quem mora aqui embaixo não é tão bom assim. Na verdade, o caos do trânsito ali não é provocado por esse acesso, mas pelas escolas. Nesse caso, passei a bola para a CET-Rio resolver, não é da nossa competência.

Nossa grande luta agora é sentar com o Governador, talvez na semana que vem, e conseguir a retomada da Linha 4 do Metrô. Isso é fundamental pelas rachaduras que estão aparecendo. Já tem laboratório da PUC com vazamento. Particularmente, acho que, nesse ano de eleição, isso não vai dar em nada.

JBF: O que vai acontecer com o chafariz da praça Santos Dumont?

RH: Estamos com uma proposta lá no patrimônio para tirar tudo o que está podre ali e botar um esguicho simples de água. Seria lindo, mas quem vai cuidar do chafariz? Temos dúvidas se não vai acabar virando banheiro, piscina ou lugar de lavar roupa para as pessoas em situação de rua. Uma das propostas seria fechar e fazer uma pista de skate. O problema é que cada um tem uma opinião. Acho que agora o governo Paes está totalmente desligado da cidade. Os órgãos não estão funcionando direito, SEOP, Parques & Jardins… Não temos tido poda de árvores. Qualquer chuvinha fraca já cai galho na rua. Não conseguimos sentar para conversar. Esse Flávio Valle, que assumiu a Subprefietura da Zona Sul, não responde. No setor privado, há problemas com a fiação de luz que toda hora cai e com a calçada do Jockey, que é terrível. Já questionamos a direção do clube que faz festa, barulho, ganha dinheiro e não conserta isso!

JBF: Os moradores costumam participar das reuniões e eventos promovidos pela AmaGávea?

RH: A adesão dos moradores é pequena. A participação é voluntária, as pessoas colaboram com R$ 30,00 ou R$ 40,00, no máximo, por mês. Ao todo, esse número não chega a 200 pessoas. Tem dois ou três que dão um pouquinho mais, mas é muito pouco para tanta coisa que precisa ser feita. Nós adotamos essa praça [Santos Dumont] em parceria com a Rede D’Or. Com o fim do contrato e a pandemia, o valor diminuiu muito. Agora a mesa de ping-pong estragou, vamos ter que esperar para consertar. Quanto à segurança, a parceria com o Instituto Kuidamos e a instalação de câmeras ainda não foi adiante, porque são poucos os moradores que querem pagar. O fato é que pouca gente faz e muitos reclamam.

JBF: Haverá nova eleição em junho. Você será candidato novamente?

RH: Eu tô aqui. Quero terminar esse negócio do metrô. Penso até que, quando isso sair, passo para a minha vice e saio. Estou muito cansado.

JBF: O que você gostaria de deixar como legado da sua administração?

RH: Sem dúvida, ver o metrô funcionar. Estou nessa luta desde 1984, seria bom para todos os cidadãos. Automóvel não é a solução. Um metrô de rede melhoraria a saúde da cidade. Penso que a AMAGávea, a AMAJB, Horto, Humaitá, Leblon, todas as associações deveriam se unir para lutar pelas melhorias em toda a região. Uma andorinha só não faz verão!

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