MACHADO DE ASSIS, A CIDADE E SEUS PECADOS

O carioca Machado de Assis, nascido de uma família pobre no Morro do Livramento em pleno século XVIII, é hoje um dos grandes nomes da literatura mundial e nos deixou um belo patrimônio cultural em forma de romances, contos e crônicas. Era um conhecedor de sua gente, um bruxo capaz de radiografar nossos desejos ocultos. Sua obra é impecável, repleta de personagens inesquecíveis, mas não menos pecadores do que cada um de nós. A história de Machado mistura-se com a do Rio de Janeiro, e daí veio a ideia genial da editora Dark Side de reunir contos, novelas e fragmentos de romances do autor, estabelecendo um diálogo natural entre pecados e pecadores. O resultado está no livro “Machado, a Cidade e seus Pecados” que acaba de chegar às livrarias, com organização de Bruno Dorigatti e Christiano Menezes.

Um gesto de vaidade aqui, uma procrastinação ali, e onde deveria haver virtudes, escorregadelas em vícios mundanos. Cada pecado é observado – e por vezes acolhido – por uma cidade repleta de belezas naturais, que manifestava em cada esquina sua herança errática. Entre os textos selecionados está o poema “A um Bruxo, com Amor”, de Carlos Drummond de Andrade, publicado originalmente no Correio da Manhã, em 1958. Nele, o mineiro revê sua posição em relação ao autor e o reconhece como um dos nossos maiores mestres. O escritor João Paulo Cuenca foi convidado a escrever sobre a obra e deixou o registro: “As sinas de seus personagens, tão bem escolhidas neste Machado e seus Pecados, iluminam as arestas mais obscuras da sociedade brasileira. Suas tramas são um pretexto para que o autor retrate a mesquinhez da aristocracia tropical vigente com tintas universais”.

E assim “Machado, a Cidade e seus Pecados” segue entre textos originais do bruxo e análises comentadas por autores, historiadores e jornalistas convidados. A publicação conta ainda com ilustrações inéditas de João Pinheiro e fotografias do escritor e da cidade do Rio de Janeiro, cenário para grande parte de sua obra. Uma edição à altura do fundador da Academia Brasileira de Letras. Como afirma Drummond em seu poema, “Outros leram da vida um capítulo, tu leste o livro inteiro”. Machado continua a ser um autor essencial para entendermos a sociedade que construímos desde então, repleta de erros e alguns acertos, permeada, porém, por pecados e pecadilhos.

Negro, de ascendência africana e açoriana, Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908) cresceu na chácara de uma família de portugueses, com alguma oportunidade que a ampla maioria dos seus não chegou nem perto de ter.  Entre 1856 e 1858, começou como aprendiz de tipógrafo e revisor na Imprensa Nacional, onde contou com a ajuda e o incentivo de Manuel Antônio de Almeida, autor de “Memórias de um Sargento de Milícias”. Depois foi repórter, editor, e, em 1867, foi nomeado por D. Pedro II diretor-assistente do “Diário Oficial”, o primeiro de diversos cargos públicos. Além de romances, o autor produziu em torno de 200 contos, nove romances e peças teatrais, cinco coletâneas de poemas e sonetos e pelo menos 600 crônicas. E assim Machado de Assis seguiu escrevendo e transformando-se em um mestre da literatura universal, ao lado de Dante, Shakespeare e Camões.

Machado, a Cidade e seus Pecados
Autor |
Machado de Assis
Ilustrador | João Pinheiro
Organizadores | Bruno Dorigatti e Christiano Menezes
Editora | DarkSide®
Preço: R$ 63

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