O ESPÍRITO AGREGADOR DE REGINA KATO

Quem entra no Atelier Fernando Jaeger, na rua Corcovado, logo se sente em casa. Muito mais do que uma loja – ou showroom, que define melhor a proposta –, o lugar é charmoso e, a cada dia, com mais alma. O segredo está em Regina Kato, cuja simpatia e alto astral transformaram a casa em ponto de encontro da região. Sua fórmula para combater a tristeza da pandemia passa pela realização de eventos charmosos e interessantes, como a mostra “10×12 – 10 ambientes, 12 ceramistas”, prorrogada até o final de julho, acompanhando o período de liquidação.

Devido à pandemia, Regina passou um ano direto na serra. Na volta, encontrou um clima de tristeza geral, com muitos lugares fechados ou em dificuldades, e pensou em fazer algo para levantar o astral das pessoas:

– Como estava todo mundo triste e recolhido, pensei em fazer algo para esquentar. Para me ajudar, chamei a Simone [Raitzik, jornalista e também moradora do Jardim Botânico], que é a mentora de tudo. Já acompanhava o trabalho dela e precisava de uma pessoa para dividir e trocar – conta Regina.

O primeiro projeto das duas foi o Atelier Botânico, em abril de 2021. Para a mostra, elas convidaram designers, paisagistas e floristas para transformarem os ambientes, como se estivessem em suas próprias casas, apenas com flores, plantas e outras interferências botânicas. Em seguida, teve “A Casa de Quem Cria”, com 11 ambientes do Atelier Jaeger transformados por arquitetos em espaços aconchegantes para a criação de artistas de diversas áreas.

– A Casa de Quem Cria foi um sucesso e hoje a gente pensa que poderia ter durado mais tempo. As visitas eram só com hora marcada e com número de pessoas limitada por vez. Todos os dias, um arquiteto ou artista tinha direito de chamar cinco convidados para um chá, mas muita gente acabou não tendo tempo de ir – atesta ela, que adora receber as pessoas, seja na serra, no apartamento da Eurico Cruz ou no imóvel centenário e tombado da rua Corcovado.

O chá – ou drinks e petiscos servidos nos eventos mais recentes – era oferecido por Regina, que já abriu espaço também para eventos da arquiteta Gabriela Toledo e as artistas Mucki Skowronski e Esther Bonder, sem qualquer cobrança. O importante para Regina é a troca: “Os eventos agregam, trazendo gente diferente, é bom para os dois lados”, acredita.

O sorriso é a marca de Regina.

Para ela, é difícil mensurar, em números, o resultado desses eventos, pois, com a pandemia, as pessoas passaram a investir mais em itens para casa, a fim de torná-la mais confortável e agradável.Uma coisa que dá para constatar é o crescimento das redes sociais do Atelier Fernando Jaeger neste período, sem qualquer tipo de aporte financeiro. Tudo na base do relacionamento e divulgação espontânea dos parceiros e convidados de ambas as partes, um reforçando o outro.

– Às vezes aparece gente de outros estados. Eles adoram a casa e os produtos. Nosso problema no Rio são os impostos. O ICMS em São Paulo é 12%, aqui é 20% – constata. 

Regina trouxe o Atelier Fernando Jaeger – do qual é sócia desde 1998 – para o Jardim Botânico em 2005: “A ideia era sair do ambiente de shopping e ficar mais perto de nossos clientes”, lembrou Regina, em sua entrevista para a coluna Meu JB, publicada na versão impressa do JB em Folhas em 2015. O bairro logo a conquistou e, em 2006, ela acabou se mudando para cá e, mesmo antes da pandemia, fechou sua loja de Laranjeiras.

Na opinião de Regina, morar e trabalhar no Jardim Botânico é um luxo. Até 2020, ela costumava ir almoçar em casa, no entorno da praça Pio XI. Naquela época, ela e o marido moravam em apartamentos diferentes, ambos no JB. Com a pandemia, foram para a casa dos dois na serra fluminense e descobriram que não precisavam de tantos endereços.

Sempre que pode, ela ainda aproveita para comer em casa, antes ou depois de ir para o Atelier. Nos outros dias, ela costuma prestigiar o comércio local, mas observa que faltam opções mais em conta para os trabalhadores da região. Seu favorito é o Prana, mas gosta também de almoçar no La Bicyclette: “tem bons pratos quentes, além dos sanduíches, que lá são um alimento completo”. À noite, ela gosta do Escama, do Grado e “do restaurante da Roberta [Sudbrack, Sud, o pássaro verde], para ocasiões especiais”. Depois do expediente, Regina gosta do pastel do Globar e está curiosa para assistir a uma das apresentações do cartunista Aoreira, às quintas-feiras, no Giá.

– A rua Maria Angélica está ótima! Graças a Deus abriu uma nova livraria no bairro. Gosto muito do Braz, do Sabores de Gabriela e do Bar Rebouças, onde se reúnem músicos, artistas e intelectuais. O JB tem disso: sofisticação e simplicidade – destaca Regina, para quem a nova farmácia da rua destoa do ambiente.

É justamente essa dualidade que agrada a designer, que adora feiras, da Junta Local, na praça Santos Dumont, à da rua Frei Leandro, passando pela orgânica, ao lado da igreja de São José, e a da Lineu de Paula Machado. Mesmo sem saber o nome dos feirantes, ela faz questão de especificar seus favoritos: “Tem o cara dos ovos orgânicos, caipiras, da barraca ao lado do ‘Grande’, que vende ótimas frutas e alguns legumes, no trecho mais perto da rua Alexandre Ferreira. Os ovos são bem frescos, quando você abre, a gema fica em pé e a clara, retida em volta, sem se espalhar. Tem também o feirante que traz bananas orgânicas, maçã e ouro, de seu sítio em Guaratiba. Gosto de comprar do próprio produtor”, valoriza.

A boa forma é uma marca de Regina, uma das primeiras adeptas do Método Igarashi. Depois do falecimento do mestre, passou pelos cuidados do fisioterapeuta Bernardo Chazan, do Studio Trâmite, na rua J.J. Seabra, e tem planos de fazer natação no Clube dos Macacos. Um hábito que adquiriu na pandemia foi caminhar do Alto Maria Angélica ao Alto Humaitá.


– Para evitar a Lagoa, muito procurada pelas pessoas, passei a andar por áreas pouco frequentadas. Subia a Maria Angélica, ia até a Engenheiro Alfredo Duarte e, de lá, até a Maria Eugênia. Na volta, fazia quase o mesmo caminho, descendo pela Ministro Artur Ribeiro, para variar. Gosto de me sentir turista, tem cada cantinho lindo, as escadas… – suspira.

Texto e foto escada: Betina Dowsley

Fotos Regina, Giá e feira orgânica: Chris Martins

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  1. Pingback: ARTE EM SUSPENSÃO NO FERNANDO JAEGER ATELIER – JB em Folhas

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