OS ENCANTOS DE UMA VISTA BEM CARIOCA

Se o Rio de Janeiro é conhecido como Cidade Maravilhosa, muito se deve a suas belas paisagens. Concorrendo com o Corcovado e o Pão de Açúcar, há quem diga que a Vista Chinesa descortina o melhor visual da Zona Sul. Fincado em plena Floresta da Tijuca, o mirante enquadra a Lagoa Rodrigo de Freitas ao centro, as praias de Ipanema e Leblon, o morro Dois Irmãos, a Baía de Guanabara com Niterói ao fundo, além dos dois principais cartões postais da cidade. A Vista Chinesa ainda leva uma vantagem sobre os outros: é de graça!

Um ponto negativo é que não há transporte público até lá. Para chegar, é preciso pegar um táxi/carro de aplicativo ou – para quem tem disposição – subir a pé ou de bicicleta. Com isso e apesar disso, a Vista Chinesa é muito frequentada pelos cariocas, que redescobriram a rota caminhando, correndo e, principalmente, pedalando. De fato, o fluxo de ciclistas aumentou muito ali a partir do início dos anos 2.000, com grupos de amigos do pedal, que transformaram o caminho em passeio, desafio, prática e até percurso de prova olímpica. A criação da Trilha Transcarioca, em 2016, também contribuiu para o aumento de visitantes ao local.

A vista alcança o Corcovado, o Pão de Açúcar, a Lagoa e as praias de Ipanema e Leblon. (Foto: Luísa Dowsley)

A origem da Vista Chinesa está associada ao plantio de chá. No século XIX, Dom João VI desejava desenvolver novas plantações entre o então Jardim de Aclimatação e a área onde a estrutura inspirada na arquitetura chinesa foi erguida. Para testar o cultivo do chá no Brasil, foram contratados colonos chineses, que chegaram a plantar 6 mil pés de chá no local. O objetivo do Príncipe Regente era a exportação do produto, aos moldes do bem-sucedido comércio estabelecido entre Macau e a Europa. A “Plantação Chinesa de Chá”, com a vista da Lagoa Rodrigo de Freitas ao fundo, foi registrada pelo pintor alemão Johann Rugendas em litografia de 1835. A experiência, porém, não teve êxito, e a plantação de chá foi substituída pelo café. Outros imigrantes chineses foram trazidos para cá por volta de 1850 para a lavoura de arroz, que tampouco vingou.

Fotos de Chris Martins (ciclistas) e de Luísa Dowsley. Litografia de Rugendas (1835).

A homenagem à presença chinesa na cidade data de 1903, quando o mirante foi construído de bambu, matéria-prima marcante no oriente. Uma forte tempestade acabou destruindo a estrutura, refeita em cimento três anos depois. A reforma mais recente do ponto turístico data de 2017, quando foram recuperadas áreas danificadas, melhorando detalhes feitos à mão e o revestimento da pista, além da instalação de novas sinalizações para maior segurança dos ciclistas.

Atualmente, muita gente que sobe até a Vista Chinesa aproveita as trilhas e cachoeiras da região, como a do Horto e a da Imperatriz. Para aqueles que preferem locais mais vazios e tranquilos, é só subir um pouco mais (1,6 km de caminhada de nível leve), até a Mesa do Imperador, assim chamado por ser local de descanso da família real em suas viagens e passeios pela floresta.

O lado B da Vista

Nem tudo é beleza no entorno da Vista Chinesa. Houve um tempo, não muito distante, em que o lugar era considerado bastante perigoso. O aumento do número de frequentadores na região contribuiu para a diminuição dos casos de assalto e violência, mas é sempre aconselhável não ir sozinho ou em horários de pouco movimento.

📷 Foto em destaque de Lucas Freitas.

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