Texto: Simone Barreto *
Tenho uma amiga que, para mim, é como uma curadora de livros perfeitos para se passar os fins de semana. Outro dia, dela recebi um pacote de presente com o viciante “Amanhã, amanhã e ainda outro amanhã”, livro da autora estadunidense Gabrielle Zevin. Editado pela Rocco e traduzido por Carol Christo, a obra de Zevin é um delicioso mergulho no universo gamer, uma história de amizade e amor, criatividade e design, sucessos e fracassos, luto e ainda da possibilidade de renascimento – nem que isto somente aconteça nas telas dos videogames. Ao passar a última página, fiquei feliz em saber que o livro, lançado em julho de 2022, já está sendo adaptado para o cinema, pelos estúdios da Paramount.
Zevin, autora premiada e com outros livros traduzidos no Brasil (“A vida do livreiro A.J. Fikry e “Em outro lugar”), é brilhante ao escrever uma história que trata de dois amigos universitários, Samson Mazer e Sadie Green, que se reencontram no fim dos anos 1990, em Massachusetts, depois de um longo tempo distantes. Na infância, os dois passaram pela dor de perdas importantes e desenvolveram, numa sala de hospital, uma íntima amizade dividindo jogos de computador e de consoles, por meio dos quais também emaranharam suas vidas.
Mesmo que seja zero a sua intimidade com um videogame, você vai se envolver com ”Amanhã, amanhã e ainda outro amanhã”, uma história universal e repleta de referências além dos jogos. A começar pelo título, uma passagem de Macbeth, de Shakespeare – que tem, na interpretação da autora, uma relação com a constante renovação de vidas no mundo virtual – e pela capa, onde figuram a gigantesca onda do mar do Pacífico e o Monte Fuji, desenhados pelo artista japonês, Katsushika Hokusai no século XIX. Videogames também são peças criadas com concepção de arte, coisa que a autora, ela mesma uma intensa jogadora, nos lembra ao descrever o processo de concepção dos jogos.
AMANHÃ, AMANHÃ E AINDA OUTRO AMANHÃ
Gabrielle Zevin
400 páginas
R$ 47
*Simone Barreto é jornalista e devoradora de livros.
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