24 de julho de 2025
DE OLHO NA IDADE E NAS ATIVIDADES FÍSICAS

Texto: Apoena Rebecca e Fábio Espíndola*

Fugindo dos estereótipos e do comodismo, idosos da Zona Sul do Rio de Janeiro esbanjam saúde ao terem agenda cheia de atividades físicas. Com o desejo de permanecerem saudáveis e ativos, eles não escondem que manter o corpo em movimento é um dos maiores segredos para envelhecer bem, seguindo o mantra  “mente sã em corpo são”. O JB em Folhas apresenta alguns pontos de encontro da geração 60+ que dança, faz yoga e se exercita, sem pensar na idade.  

THE JAZZ  – Rua Jardim Botânico 119 – Tel: (21) 99911-0221. Aulas Jazz 50+: segundas e quartas às 8h30 e 9h30 e terças e quintas às 19h30.

A turma Jazz 50+ já está ensaiando para a apresentação de fim de ano.     (Fotos Chris Martins)

Há 43 anos no Jardim Botânico levando a dança para um público variado, a The Jazz tem visto crescer o número de alunas “mais maduras”, que chegam na academia meio ressabiadas e, tempos depois, já estão soltando o corpo. Para Thereza Mascotte, que criou há dois anos, uma turma 50+ no The Jazz, é uma questão de vencer o medo e pensar que nunca é tarde para dançar. 

Hoje, a escola já conta com três turmas 50+, totalizando 30 alunas. Uma delas é Silvia Parga, 80 anos, que está há dois anos na academia e elogia a didática de Anne Claude Cécillon, francesa, há três  anos no The Jazz, ajuda muito. Ela conta que a professora começa a aula com alongamento, treina a respiração e aos poucos vai ensinando a coreografia. 

Durante as aulas de jazz, Silvia relembra alguns passos do balé clássico

–  Eu fiz escola de dança quando era nova, mas depois deixei de lado. Um dia minha irmã me chamou para ver a neta se apresentar aqui na The Jazz e eu decidi experimentar o balé clássico. Comecei, parei e há dois anos voltei com o jazz. Tem dias em que eu acordo com uma dor aqui, outra ali, mas venho fazer aula e tudo melhora. Amo muito! – conta Silvia entusiasmada. 

Outro ponto favorável foi a união da turma, que formou um grupo animado além das aulas. Com esse estímulo, a aluna deixou a vergonha de lado e se apresentou ano passado, no espetáculo que marcou o fim das atividades, em dezembro. 

– Quando eu subi no palco e não vi mais nada, só a mim mesmo. Foi a minha maior realização, uma emoção indescritível. Esse ano eu quero ir de novo. – relembra Silvia, emocionada.

Thereza estará em Florianópolis, na próxima semana, com alunas para participar de um Festival de dança, reforça. 

– Muita gente acha que dançar é coisa só de jovem, mas não é. O movimento nos transforma e renova o prazer pela vida. É só vir fazer uma aula que você vai descobrir o movimento dentro de você. – convida a diretora do espaço, no Jardim Botânico.

 

HIDROVIDA: Av. Padre Leonel Franca, 110 – Gávea – Tel:  (21) 98554-6511. Aulas de hidroginástica: de segunda a quinta-feira, das 6h às 21h; às sextas, das 6h às 20h; aos sábados, das 8h às 12h30

Roberto cercado pelas animadas alunas (Fotos Chris Martins)

Chova ou faça sol, Rita Maria e Carminha Viana têm um ritual toda segunda, quarta e sexta-feira. Há dez anos, as duas participam das aulas de hidroginástica na Hidrovida, em diferentes horários – manhã, tarde e noite.

Tudo começou por ocasião de um atendimento no Centro Municipal de Saúde Píndaro Carvalho. O professor convidou as funcionárias do posto para conhecer a Hidrovida e fazer uma aula experimental. Despachada, Rita, que é técnica de enfermagem do local, topou a ideia e ainda levou a vizinha Carminha. Desde então, mesmo morando em Jacarepaguá, não faltam.

E quando perguntam a idade, Rita brinca:

– Eu tenho a idade que você quiser. Esse lance de idade está mais na cabeça. Mudou muito. Vejo muita gente com 80 anos se exercitando. Eu estou de férias, mas não abro mão da aula. Eu tenho artrose, mas adoro rebolar o esqueleto. Adoro!! – afirma.

Carminha e Rita estão se preparando para quando o carnaval chegar…

Empolgadas, as duas mantêm a rotina de treinos com foco total no carnaval. Já desfilaram em várias escolas e estão confirmadíssimas para entrar na Sapucaí com a Estácio de Sá em 2026. A distância até a Gávea não é problema. “São quarenta minutos, passa rápido”, diz Carminha.

Único homem na turma, o professor Roberto da Pós destaca o trabalho de força, equilíbrio e ganho muscular, sempre com leveza e bom humor.

– Essa turma é bem animada e isso faz toda diferença no resultado – afirma.

Prestes a completar 20 anos na Gávea, a Hidrovida conta com oito turmas de hidroginástica em diferentes horários. Além disso, oferece uma variedade de atividades aquáticas e de solo com foco em saúde e bem-estar. Para o professor Roberto, o ambiente lúdico é fundamental:

– Aqui na Hidrovida, a gente preza por atividades que ajudem as pessoas mais velhas a fugirem do sedentarismo, sem esquecer do componente de socialização – diz.

SAUER DANÇASRua Lopes Quintas 576, Jardim Botânico | Tel: 21.2274-1546 | WhatsApp: 21.99922-5887 

Tradição é uma palavra que serve para descrever a Sauer Danças, que permanece firme ao longo dos anos no Jardim Botânico com opções de danças para o público em geral, mas com aulas específicas para quem tem 50+. O espaço, comandado pela professora de dança Pat Sauer, parece o encontro de uma grande família, onde os alunos se sentem acolhidos e podem ser livres para dançar da forma que sabem. 

 A dança é infinita,  dá para fazer milhões de coisas sem se machucar. – declara a animada professora que vibra com o resultado das alunas e está sempre promovendo aulões. 

GESTOS Rua Conde Afonso Celso 99, Jardim Botânico | Tel: 21.2539-9804 | WhatsApp: 21.99711-4814

Dona Lea com a professora Elisa no pilates (Foto: divulgação)

O Gestos do Corpo tem como slogan um simples e direto “sinta-se em casa”. E, realmente, é muito fácil imaginar o local como uma casa. Lea da Costa, conhecida como Dona Lea, de 94 anos, é aluna de pilates do espaço e uma inspiração para outras pessoas, como a própria professora, a fisioterapeuta Elisa Rocha.

– Ela sempre foi muito ativa. Hoje, o momento que ela sai de casa e interage com outras pessoas é aqui, então sempre estimulamos que ela faça turma com idades diferentes para poder conversar e ter esse contato. – afirma a professora.

ATIVIDADES AO AR LIVRE 

Lora (de joelhos) com as alunas de yoga na Praça Santos Dumont 

O Rio de Janeiro é uma cidade para se viver na rua, isso não é segredo. E a turma mais madura tem aproveitado para usar as praças para fazer atividades ao ar livre.  Toda terça e quinta, de 9h às 10h, Lora Rabello marca presença na Praça Santos Dumont, na Gávea, com suas aulas de yoga.  Ela monta seu tapetinho, ajeita a pequena caixa de som, pega seu ukulele e espera os alunos, que vão chegando aos poucos. Indiferentes ao som das crianças no parquinho ou dos carros circulando, eles ocupam um pedaço da praça, que se transforma, durante uma hora, em um espaço de relaxamento mental e corporal, com a natureza fazendo sua parte. A atividade é benéfica para a saúde mental e física, pois relaxa o corpo, equilibra a respiração e contribui para reduzir o estresse e a ansiedade do dia a dia. 

Professora de yoga há 8 anos, Lora dá aula para alunos de diferentes idades, mas a turma 60+ é bem presente e atuante. Segundo ela, o yoga não transforma só a saúde mental, mas faz com que as pessoas tenham amigos e fiquem mais independentes. 

Jacira Nemesio, 68 anos, frequenta a praça há um ano e conheceu a ação pelas redes sociais. Ela se reveza entre a hidroginástica e a yoga, que faz por prazer, especialmente por conta da sensação de equilíbrio que ganha a cada aula.

– Eu pratico três vezes por semana hidroginástica, mas yoga é uma coisa que eu adoro, por ter a liberdade de estar ao ar livre, com as crianças e os animais.

E quem preferir praticar sozinho, as Academias ao Ar Livre (AAL) podem ser usadas gratuitamente e estão nas praças, para quem quiser, só tomando cuidado para não fazer nenhum movimento exagerado.  

Na Praça Santos Dumont, a aposentada Teresa Leite – que não quis revelar a idade- se diverte fazendo exercícios na estação AAL instalada ali, com a ajuda de seu personal trainer para garantir o sucesso da atividade com segurança e responsabilidade. Teresa gosta de se exercitar, mas não em academias fechadas. Ela sempre andou de bicicleta e faz atividades esportivas há mais de 10 anos. Apesar do entusiasmo pelos aparelhos ao ar livre, ela reclama da manutenção da prefeitura.

Ao lado do Planetário da Gávea e da PUC-Rio, a Casa Maria Haydeé recebe muitos idosos e oferece orientação para as atividades para os praticantes acima de 60 anos. Entre os que frequentam o espaço está um senhor de 71 anos, que prefere não se identificar. Ele sempre fez atividades físicas e considera a prática fundamental. Atualmente, costuma fazer exercícios nos equipamentos ao ar livre do Planetário. 

– A gente chega a uma certa idade e começa a perder a elasticidade. É aquele momento em que você fica crocante, tudo estala. Precisamos nos exercitar. 

Fundamentais para a saúde física, as atividades físicas também são importantes para a vida social da pessoa com mais idade que, muitas vezes, sai menos e tende a se isolar. 

 

*Conteúdo produzido pelos alunos Apoena Rebecca e Fábio Espíndola, através da parceria do JB em Folhas com a disciplina de Jornalismo e Cidadania, ministrada pela professora Lilian Saback, do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio.

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