Por trás do Na Pracinha Foodtruck, na Rua Pacheco Leão, há uma história que se confunde com a do próprio Horto. Pedro Marins, de 64 anos, nasceu e cresceu no bairro e faz questão de manter viva a memória e o espírito comunitário do lugar. Formado em Comunicação pela FACHA, ele fundou, em 2016, a TV Horto, canal criado para registrar e divulgar as lutas e as histórias dos moradores que travaram durante 43 anos uma brigada com o Jardim Botânico do Rio de Janeiro pela terra onde moravam, que foi resolvida só agora, em 2025. Foi dessa trajetória de engajamento e convivência que nasceu, em 2021, o foodtruck que se tornaria ponto de encontro de vizinhos, famílias e amigos — um espaço que, como o nome diz, é literalmente “na pracinha”, e feito para se sentir em casa.
A ideia surgiu de forma inesperada.
– Foi por acaso, quando uma vizinha me pediu para ajudar a vender o foodtruck que ela tinha. Eu sempre imaginei que aqui seria um local maravilhoso para ter um quiosque, uma barraca, qualquer coisa, justamente por ser de passagem e decidi encarar o desafio – lembra Pedro.
Assim nasceu o FTTC, Foodtruck Tempero Caseiro, inaugurado em 9 de dezembro de 2021, no final da pandemia, em parceria com Julio de Almeida Neto, amigo de vida e companheiro da TV Horto. Ao longo desse tempo, Pedro contou com alguns parceiros e sócios e muito aprendizado até chegar ao nome definitivo, Na Pracinha, em 2024, já com a sua cara e o tempero de Andreza, a “chef” que assumiu a cozinha em 2022.
Andreza comanda a chapa quente do Na Pracinha e cria os sanduíches (Fotos: Chris Martins)
– Foi nessa pracinha que eu joguei bola de gude, soltei pipa e subi nessa árvore que foi pequena um dia. Posso contar boa parte da minha vida aqui neste lugar – diz ele, orgulhoso.
O cardápio traduz bem essa mistura de afeto e sabor. O hambúrguer artesanal é o carro-chefe, mas cada sanduíche carrega uma história e, como Pedro diz, um pedaço das pessoas que fazem parte da vida dele. O KCM (hamburguer com ovo e queijo) homenageia os filhos de Pedro — Kim, Cássia e Maria Clara; o MM (carne, cheddar e cebola crispy) leva o nome da neta Maria Maitê; o Staiti (sanduíche de salame italiano, com cream cheese) foi criado para a família de Andreza, de origem italiana; e N Burguer (hamburguer com cream cheese e anéis de cebolas empanadas) para prestigiar Nélia, namorada e companheira de luta de Pedro, além do Marins (hambúrguer de salmão), que é a marca registrada do dono. De todos, o Jota Burger, o primeiro, com o nome do antigo sócio, ainda é um dos mais pedidos.
Os sanduíches são o carroichefe do foodtruck (Foto: Acervo Pessoal)
Com cerca de 30 opções no menu, o Na Pracinha também oferece petiscos que viraram sucesso, como croquete alemão, coxinha de costela e bolinho de bacalhau. A qualidade é levada a sério em todos os ingredientes, do pão, que é feito pela Bread Maker, usado nas melhores hamburguerias do Rio. E o tempero final é dado por Andresa, a quem Pedro não poupa elogios.
– Ter uma pessoa como ela na equipe já é garantia de sucesso, porque não tem tempo ruim. A gente pode ser pequeno, mas trabalha com produtos de ponta e faz bonito. – destaca.
Além da comida, o que conquista é o ambiente acolhedor que o lugar oferece. A casa comporta cerca de 50 pessoas confortavelmente, podendo chegar a 100 em dias de festa. O cuidado vai do atendimento ao som. Nascido e criado na região, Pedro sabe o quanto é importante respeitar os vizinhos. O volume pode aumentar em dia de festa, mas na medida certa, que não incomode. E se orgulha de contar com o apoio dos moradores, que ocupam o espaço mesmo quando não está aberto, para alegria do pequeno empresário.
Dona Artelete toma sol todo dia pela manhã no foodtruck
– O pessoal usa para fazer reunião por telefone, outra para fazer terapia; e tem a Dona Arlete que, aos 95 anos, costuma tomar sol sentada aqui, acompanhada da sua cuidadora – relata Pedro.
O espaço tem sido procurado para diferentes comemorações ou pequenos encontros, como um grupo que joga pelada semanalmente no Clube dos Macacos e desce para “tomar a saideira” no foodtruck ou o ciclistas que param para jogar conversa fora depois das pedaladas na Vista Chinesa O empresário contabiliza uma média de quatro festas ao mês e costuma ter mais movimento no final de semana, mas como o lugar é aberto, brinca que é vendedor de picolé: \ só ganha dinheiro se o tempo estiver bom.
O espaço recebe de 3 a 4 eventos por mês, mas está sempre de olho nos vizinhos. (Fotos: acervo pessoal)
Mesmo com as intempéries, Pedro está satisfeito com o empreendimento e pensa em melhorias, mas mantendo as características do lugar. Entre os projetos para o próximo ano estão um aplicativo para começar a fazer entregas no bairro e um pagode aos domingos, no horário da tarde. Mas já adianta quem tem que ser pagode de mesa, sem caixa de som.
– O segredo do sucesso é tratar o cliente como amigo. Quero que as pessoas cheguem aqui e se sintam na pracinha — resume Pedro. — Aqui é um espaço de convivência, não de barulho — diz.
Para ele, o Horto é mais do que um endereço — é parte da própria identidade.
– O Horto é um pedacinho de terra cercado de verde por todos os lados. Como diz o Tarcízio Idelfonso, o Rio de Janeiro sem o Horto é uma cidade sem alma — cita emocionado.
Na Pracinha Foodtruck
Rua Pacheco Leão, próximo ao 1222 – Horto
Horários: Quarta a sexta – 17h às 23h
Sábado – 10h às 22h
Domingo – 10h às 20h




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