17 de dezembro de 2025
DESIGN COM ALMA PARA RECEBER EM CASA

Texto e fotos: Chris Martins

Arrumar a casa para receber amigos e família nas festas de fim de ano costuma ir além da limpeza e da organização básica. É um exercício de olhar para os espaços com mais cuidado, valorizar a convivência e criar uma atmosfera que traduza afeto, identidade e memória. Ao invés de soluções rápidas e padronizadas, cresce a busca por peças com história, design autoral e atendimento personalizado, especialmente na região entre a Gávea e o Horto, passando pelo Jardim Botânico, bairros já reconhecidos por sua ligação com a arte, onde ateliês funcionam quase como extensões da casa de quem entra. 

Nesse circuito, três endereços se destacam por oferecer um serviço que faz toda a diferença e não se restringe às festas de fim de ano. Cada um do seu jeito, a Lattoog Design, o Ateliê Fernando Jaeger e a Legado Rio têm muito a oferecer. Os espaços estão longe de ser apenas uma loja onde você entra, encomenda, paga e vai embora.  

Na rua dos Oitis, um portão de ferro identifica a Lattoog Design.  O nome vem da junção do sobrenome dos sócios Leonardo Lattavo e Pedro Moog. O primeiro é arquiteto e urbanista de formação, professor da PUC-Rio nos departamentos de arquitetura e de arte e design.  Já Pedro, formado em administração, é designer autodidata, que se dedica às colagens e às pinturas. Juntos, eles uniram suas diferenças artísticas e criaram há 20 anos o negócio, que há cinco ocupa um espaço na Gávea, onde projetam móveis, luminárias, tapetes e objetos, mas também se dedicam aos prazeres da arte, criando instalações, quadros e outras obras.

— Aqui todas as peças são criações nossas, com narrativa conceitual e inspiração na cultura brasileira. Alguns a gente vende por pronta-entrega e outros são por encomenda: o cliente pode  escolher um tecido, um outro tom de madeira. Já as obras de arte são únicas explica Leonardo que tem sua produção distribuída por todo o Brasil.

Leonardo Lattavo cria peças autorais, apostando no DNA brasileiro. 

A Lattoog conta com mais de 400 peças de design fabricadas e umas dez mil que ainda estão no papel. Entre as criações favoritas e procuradas estão a poltrona Vidigal, feita de fibra de taboa, uma das mais vendidas e que ganhou um prêmio de sustentabilidade há alguns anos.  A preocupação com o meio ambiente está entre as prioridades da empresa que foca no DNA brasileiro. Um exemplo são as grandes pedras de madeira feitas por uma cooperativa de maneira sustentável no coração da Amazônia. 

— Quando eu descobri esse pessoal, fui até o Tapajós para treiná-los e começamos a trabalhar juntos e, hoje, geramos negócios com eles. As peças são feitas com restos de podas, de árvores — explica Leo.

No Jardim Botânico, o Atelier Fernando Jaeger reforça a ideia de que arrumar a casa também é um processo de escuta. Instalado em um casarão do século XIX, na rua Corcovado desde 2005, o espaço funciona como uma casa aberta, onde móveis e tecidos são apresentados em um clima de acolhimento e troca. Em 2023, Regina Kato, sócia de Fernando no Rio de Janeiro, abriu a Vitrine, na rua Von Martius, a um quarteirão do Atelier, que tem como proposta divulgar as linhas e os produtos, além de promover um convite inconsciente ao casarão, onde é possível explorar melhor todo o catálogo da marca. 

– A loja serve para instigar a curiosidade e o olhar de quem passa. Trouxemos para a rua o visual que ficava mais escondido no atelier. – conta Regina, que apostou no verde natureza como decoração de natal, fugindo dos tradicionais vermelho e verde.

O diferencial FJ está no atendimento personalizado: cada peça é pensada a partir do perfil do cliente, do espaço disponível e da atmosfera desejada. Ao todo, o espaço conta com quatro vendedores – Angélica Accioly, Eloisa Helena dos Santos, Leonardo Carneiro e Arnold Kaufmann, que atuam sob a supervisão da coordenadora Roberta Carvalho, formada em design de interiores e há 25 anos no FJ. 

O espaço conta com duas linhas: a FJ com peças prontas para levar e o Atelier , onde não existe um móvel com preço fixo. A customização do cliente junto ao vendedor faz essa construção de perfil. Um estofado, dependendo dessa customização, se torna único.

– A gente trabalha com o sonho da pessoa. Entramos na intimidade da casa dela. É uma venda construída, em que cada móvel é pensado de forma única. Quando o cliente entende isso, ele se sente especial. – explica Roberta.

Formada em design pela PUC-Rio, Angélica Accioly veio do universo das galerias de arte e tem 20 anos de Fernando Jaeger, atendendo projetos corporativos, como hotéis e construtoras. Ela cita, entre os móveis mais procurados, a linha Serafina e as cadeiras Copa.

Todas concordam que a marca Fernando Jaeger ganha na qualidade de seus móveis, que duram por anos. “É comum alguém chegar e falar de um móvel que herdou de outro parente e que está intacto até hoje”, reforça Roberta. 

Com apenas três anos nas vendas, Eloísa é a mais nova no atendimento, mas já entendeu que o acolhimento é a marca do espaço.

– A gente recebe todo mundo como se estivesse recebendo em casa. Conversa, observa, entende a personalidade do cliente. O resultado é sempre muito gratificante, especialmente quando o cliente manda foto dizendo que ficou exatamente como imaginava”, conta.

Uma das características do Atelier Fernando Jaeger nos últimos anos têm sido abrir o espaço para divulgar a arte, através de exposições e que reúnem artistas, designers e arquitetos. 

– Essas mostras servem para trazer um público diferente no Atelier. E a troca é boa.- ressalta a coordenadora.

Roberta (em pé) coordena a equipe formada por Eloísa e Angélica.

Foi no  Atelier Fernando Jaeger que Bel Tinoco e Kiki Arruda se aproximaram mais e fecharam uma parceria que tem rendido bons frutos. As duas fizeram o curso de Design de Interiores da Universidade Cândido Mendes, em Ipanema, e acabaram participando do projeto “Entre, Palavras”, no Atelier da rua Corcovado. Apesar de terem apresentado trabalhos em ambientes diferentes do casarão, acabaram se unindo e, hoje, a dupla atua em reformas e projetos de decoração para ambientes comerciais e residenciais.

Kiki (sentada) e trabalham em parceria para alguns projetos. (Divulgação)

– Nosso grande mote é estar sempre pensando no cliente — nas suas questões, nos seus afetos e na forma como ocupa os espaços. Uma complementa a outra: enquanto Kiki traz sua bagagem estética e conhecimento de design gráfico, eu contribuo com um olhar apurado, construído a partir de experiências em projetos especiais, como exposições e produções variadas. O resultado são ambientes autorais e conectados às pessoas que os habitam  – explica Bel Tinoco.  

Ainda no no Jardim Botânico, a Legado Rio aposta no poder das histórias. Especializada em mobiliário vintage, a loja-galeria trabalha com relíquias garimpadas — principalmente peças modernistas das décadas de 1950 a 1970 — que carregam memória e autenticidade. André Felipe Bispo Serqueira e sua equipe assinam a curadoria, que transforma o ato de escolher um móvel em uma experiência sensível, quase narrativa. 

A história da Legado começa, inclusive no aluguel do espaço, que só foi liberado porque o proprietário Duilio Sartori – que tinha o Gabinete no mesmo local – gostou da proposta e da curadoria. 

Neste atendimento, um dos passos é oferecer ambientes com camadas de tempo: uma poltrona que já teve outras vidas, uma mesa que atravessou décadas e agora volta a ser cenário de encontros. Mais do que vender peças, o Legado Rio oferece consultoria e diálogo, ajudando a integrar o mobiliário vintage a projetos contemporâneos, com liberdade criativa e respeito à identidade de cada casa. O resultado são ambientes únicos, onde passado e presente convivem de forma harmônica.

Luíza e André oferecem uma consultoria vintage. 

A galeria nasceu como um desdobramento de um projeto maior, que se dividiu em frentes distintas: enquanto outras unidades do grupo seguiram caminhos voltados ao contemporâneo, a Legado Rio ficou com o foco no mobiliário vintage. 

– A proposta aqui é sempre o móvel vintage,  especialmente peças modernistas, o contemporâneo entra nos pequenos detalhes, de forma pontual em esculturas, cerâmicas, luminárias e obras de arte.  – explica André. 

Entre o design autoral da Lattoog, as relíquias cheias de memória da Legado e o atendimento sensível do Fernando Jaeger, arrumar a casa para o fim de ano deixa de ser tarefa e vira experiência. Uma forma de preparar não apenas os espaços, mas também o espírito para celebrar, reunir e criar novas lembranças.

Serviço
Ateliê Fernando Jaeger Rua Corcovado 252 – Jardim Botânico
Vitrine Fernando Jaeger  – Rua Von Martius 265 (ao lado do La Bicyclette)
Telefone: 21.2274-6026
Horário de Funcionamento: de segunda a sexta, de 10h às 19h
Sábado, de 10h às 15h

Lattoog
Endereço: Rua dos Oitis, 42 Gávea – Rio de Janeiro
Telefone: 21.97213-0882
Horário de funcionamento: de segunda a sexta: das 10h às 19h
Sábado: das 10h às 14h

Legado Rio
Endereço: Rua Lopes Quintas, 87 Jardim Botânico – Rio de Janeiro
Telefone: ‪ 21.99479‑3658‬
Horário de funcionamento: de segunda a sábado: de 11h às 19h

Bel Tinoco & Kiki Arruda21.98122-3200 | 21.98881-2040 (respectivamente)

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