Zezé Polessa é carioca com C maiúsculo. Nascida em Bangu, ela foi criada em Padre Miguel e depois no Encantado. Com passagens pelos bairros da Tijuca, Laranjeiras, Santa Tereza, Humaitá e Leblon. Na Gávea, ela viveu por 15 anos até se mudar para o Horto, onde está há oito. Aos 72 anos, a atriz rodou por cidades brasileiras com a peça Os Olhos de Nara Leão, e encerra a temporada no final de abril, no Shopping da Gávea. Em cena com direção e roteiro assinados por Miguel Falabella, Zezé ocupa o palco do Teatro Clara Nunes para narrar a trajetória de Nara Leão, costurando momentos marcantes da história do Brasil.
A inspiração para o espetáculo surgiu durante a pandemia, após a leitura da biografia Ninguém Pode com Nara Leão, escrita pelo jornalista Tom Cardoso. Admiradora da cantora desde a juventude, Zezé mergulhou ainda mais no universo da artista.
– Eu tinha Nara como uma figura muito doce, suave. Mas sabia da posição política, das críticas em relação à ditadura militar. As três décadas dela de trabalho artístico foram durante a ditadura. Eu era muito fã dela e tinha os seus discos. Quando fiz meu primeiro show de escola, cantei músicas do Chico que ela tinha gravado — relembra a atriz.
Depois de viver Nara Leão por dois anos, Zezé já se prepara para novos rumos no cinema. Seu próximo projeto será o longa inspirado na peça Veraneios, de Leonardo Cortez, com filmagens previstas perto de Arembepe, na Bahia.

Zezé personifica Nara Leão no teatro
No Horto, Zezé leva uma rotina simples e afetiva. Gosta de caminhar pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro, onde faz exercício. As aulas de canto são seguidas de um café no La Bicyclette.
– Eu ainda sou nova no Horto, mas gosto muito de fazer as coisas a pé. Já usei muito o Jardim Botânico como quintal da minha casa, fazia exercício com personal, mas agora isso não pode mais. Mas gosto do clima do Jojô, de tomar um drink no Heleninha e dos “PFs” do Globar — afirma.
A proximidade do Dia das Mães leva Zezé Polessa a pensar na maternidade. Para ela é uma experiência profunda de celebração da vida e de cuidado permanente com o outro. Mãe de João Polessa Dantas, fruto de seu casamento com Daniel Dantas, a atriz fala com orgulho e admiração do filho, que define como um homem bondoso, generoso e cheio de compaixão. A data é carregada de emoção e costuma ser dedicada à mãe e às irmãs. A comemoração costuma acontecer em sua casa, em clima afetivo e coletivo: cada uma prepara um prato, compartilha receitas e transforma o encontro em uma homenagem à mulher que escolheu ser mãe.
– Para mim, a maternidade é estar o tempo inteiro agradecendo e celebrando a vida, Assim como não me concebo sem fazer o meu trabalho, eu também não me concebo sem o meu filho.
De Bangu ao Horto, Zezé Polessa segue em movimento — múltipla, intensa e profundamente carioca.




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