A gente anda todos os dias por ruas batizadas com nomes de pessoas sobre as quais não sabemos absolutamente nada. Depois de 23 anos de JB em Folhas, alguns personagens da geografia do bairro eu até conheço. Muitos foram presidentes do JBRJ. Outros, continuo sem fazer ideia de quem sejam.
Sou fã do Tá na História, de Thiago Gomide, e da maneira como ele apresenta personagens da história carioca e brasileira. Foi acompanhando o perfil que descobri — e fiquei com vergonha alheia — quem era Nina Rodrigues, que dá nome à minha rua. Médico e antropólogo do século XIX, foi também um dos expoentes das teorias raciais de seu tempo, defendendo a inferioridade da população negra. E fica aqui o convite: adoraria fazer um Rolé com Thiago pelo Jardim Botânico, descobrindo quem são as pessoas por trás das placas das nossas ruas.
Nina Rodrigues me fez pensar: se a cidade é um organismo vivo, por que seus nomes não podem acompanhar o tempo? Adoraria ver Marília Kranz dando nome à Professor Saldanha ou Jards Macalé no lugar da Rua Araucária. E quem sabe homenagear alguém ainda vivo. Deborah Bloch no lugar de Abade Ramos?
Sim, mudar nome de rua dá trabalho. É uma burocracia sem fim. Mas, vira e mexe, algum político resolve rebatizar um logradouro. Eu mesma já ajudei a impedir algumas sandices. Certa vez quiseram trocar o nome da praça do Tabladinho — oficialmente Praça Almirante Custódio de Mello — pelo da socialite Gisela Amaral. A ideia não foi adiante. Ainda bem.
Em 2023, após a morte de Francisco Dornelles, um administrador regional me ligou. Queriam homenagear o político no bairro e pensaram na Praça Pio XI. Fui contra. Nunca o tinha visto por ali e avisei que os moradores provavelmente não gostariam.
Meu interlocutor tentou outra:
— E a praça do Tablado?
De novo?!
Também fui contra. Se algum dia aquela praça mudar de nome, que seja para fazer justiça a quem pertence à sua história: Maria Clara Machado.
Já desanimado com meus vetos, ele sugeriu o Parque das Figueiras. Nesse eu concordei. Afinal, não atrapalharia a vida de ninguém com burocracias de endereço e continuaria com o mesmo nome. Como, de fato, aconteceu.
No fim, nomes de ruas e praças contam quem uma cidade escolhe lembrar. Então, alô, Prefeitura: em 2026, quando O Tablado completa 75 anos, que tal finalmente dar à praça do Tabladinho o nome de Maria Clara Machado?
Essa, eu aposto, a vizinhança vai aplaudir.




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