7 de agosto de 2025
LEMBRANÇAS DE UM CORRESPONDENTE NO JB 

Texto: Zé Miranda 

Quem vê o jornalista Pedro Vedova, 41, circulando pelo Jardim Botânico, não sabe o quanto o repórter do Fantástico – que até pouco tempo era correspondente da Globo em Londres – tem ligação com a região. E não é de hoje. Filho de pais separados, ele cresceu morando com a mãe, em Ipanema, mas sempre frequentando a casa que seu pai dividia com a tia e a avó na Rua Maria Angélica, de onde ele guarda lembranças. E foi por conta dessas memórias que, de volta ao Brasil, ele decidiu morar no bairro, para oferecer aos filhos Ana e Antônio, de 6 e 4 anos, respectivamente, o melhor de sua infância. 

Do Jardim Botânico à Gávea, ele marcou presença tanto no lúdico quanto no didático. Quando criança,  jogou “tacobol” e andou de carrinho de rolimã pelo JB, enquanto, no bairro vizinho, cursou o ensino básico inteiro na Escola Parque, onde sua mãe era professora, e se formou em jornalismo pela PUC-Rio. Quis o destino que ele fosse trabalhar na TV Globo e logo fez carreira, sendo convidado para ser correspondente em Londres onde viveu até 2022. Depois de oito anos, decidiu que estava na hora de voltar ao Brasil. Pedro recorda de uma matéria que fez e o ajudou a tomar a decisão. 

– Eu fiz uma reportagem para o Globo Repórter sobre uma cidade, na Inglaterra, que venceu a solidão. Eles trataram a questão como uma epidemia e, a cura, foi promover encontros entre os moradores idoso para realizar atividades físicas em grupo. Isso resultou numa redução de 85% de incidência de ataques cardíacos. Porque quem se sente só, se sente num mundo hostil. Essa reflexão foi algo que me motivou a voltar para cá. Queria que meus filhos tivessem essa experiência de estar no coletivo – lembra  o repórter.

 O Globo Repórter sobre solidão motivou Pedro a voltar para o Brasil (Reprodução / TV Globo)

Ao retornar, Vedova percebeu diferenças entre a sua infância e a dos seus filhos: o uso de telas. Porém, as crianças já chegaram à idade em que são criadas à base de conversa e combinados. Trocando ordens por pedidos, ele consegue limitar o acesso aos aparelhos a 30 minutos por dia e sugerir brincadeiras como as que, para ele, foram tão importantes: quebra-cabeça, jogo da memória, amarelinha e o novo “balançobol”, inventado em família no parquinho da Pio XI, 

– Essa pracinha fez toda diferença na hora de vir morar aqui. Antes, eu já tinha vindo no Bloco da Pracinha e adorei o clima de confraternização – diz o jornalista, apontando para a Praça Pio XI, onde aconteceu a entrevista. 

Há três anos no Brasil, Ana e Antônio já colhem os frutos da volta. São cercados do amor familiar dos avós e repetem a tradição familiar, estudando na Escola Parque, coordenada por seu tio, Thiago, irmão de Pedro. Além disso, o contato direto com a natureza que a região oferece dá às crianças algo que não seria encontrado com facilidade no exterior. Morando a 10 minutos de distância do trabalho –  cronometrado no relógio – e próximo ao Parque Lage e à Lagoa, Pedro valoriza esses benefícios.

Pedro levou os filhos ao Maracanã para ver o Flamengo (Acervo Pessoal)

– O Jardim Botânico é um simulacro de cidade pequena. Conseguimos estar, ao mesmo tempo, próximos da natureza, do pediatra e do dentista. Fora que é uma delícia poder ir ao Mercadinho ouvir  um chorinho às quartas e tomar um chope ou comer um PF no Jóia. Também gostamos muito da Grano e Farina, nossa padaria. Mas tivemos que fazer um combinado: só um pain au chocolat por semana. Se não, vai dar problema – brinca Pedro.

A reportagem sobre a enchente no Sul, em 2024, rendeu um prêmio para o jornalista.(Reprodução / TV Globo)

Como jornalista, Vedova tem na conta feitos notáveis. Como correspondente da Globonews em Londres, a partir de 2014, fez boas reportagens por toda a Europa. No ano seguinte, após sua cobertura do atentado ao jornal Charlie Hebdo, em Paris, passou a fazer reportagens para o Jornal Nacional. De volta ao Brasil, foi cobrir a enchente no Sul em 2024. Ele confessa que, apesar de se sentir satisfeito, ainda tem ambições de escrever um livro e dirigir um documentário. Mas, por hora, seu plano é um café da manhã em família, para comemorar o Dia dos Pais na companhia de Ana e Antônio, seus maiores orgulhos.

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