25 de setembro de 2025
CORRENTE DO BEM PELOS PETS

Mimi, uma gatinha rajada, de pelo marrom e preto, apareceu na Rua Abreu Fialho, no Horto, em 2020, em plena pandemia do Covid-19. Ao final da rua, bem perto do campo de futebol do Condomínio Esporte Clube, encontrou um terreno em desuso para chamar de lar, onde a cor de sua pelagem se mistura à dos galhos, folhas secas e a da terra. Ali, ela foi vista por Sueli, uma moradora da região de 69 anos, que abriu as portas da sua casa para o bichano, que preferiu ficar no terreno, onde é alimentada por diversos moradores dos arredores e recebe carinho a bel prazer. Hoje, Mimi continua lá, mas se recusa a sair. Muitos até já quiseram adotá-la, mas a gata prefere ser dona de si e de todos.

Essa história não passa de uma exceção. De acordo com uma matéria publicada pelo site Terra, em 2024, a expectativa de um gato ou cão de rua é de somente três anos. Se não fosse por pessoas como Sueli e Mauro – seu irmão que ajuda a cuidar de Mimi e que ainda adotou outra gata, que vive em sua Kombi – a gatinha não estaria alí. 

– Se as pessoas fossem como esses bichinhos, pode ter certeza que o mundo seria um lugar melhor. Quem tem condições, tem a obrigação de ajudar – explica Mauro, enquanto faz carinho na gata “Gatinha”, que já vive há mais de seis anos em seu veículo.

Mimi é a dona do terreno da rua Abreu Fialho, no Horto (Foto: Zé Miranda) 

Na Gávea, um trio faz o que pode e, às vezes, até o que não pode, pelos animais. Unidas pela causa dos pets desabrigados e pelo gosto pelos whippets – uma raça de cães oriunda do Reino Unido -, Rosana Rosadas e Beth Lessa, donas do Riopet Gávea, e a atriz Betty Gofman lutam para que haja cada vez menos animais pelas ruas. Juntas, as cariocas conseguem formar uma rede de suporte que promove adoção responsável, e já chegaram a resgatar um número incontável de bichos em situação de vulnerabilidade. 

Elas começaram por acaso. Beth e Rosana se conheceram, em meados dos anos 2000, através de um grupo de aficionados pela raça whippets. O RioPet nasceu na Tijuca, e não tinha a estrutura que tem hoje. Mas o negócio cresceu e se mudou para a Gávea, onde Beth entrou como sócia. Com espaço e melhores condições financeiras, a coisa engatou. 

Beth, Betty e Rosana formaram uma rede de solidariedade pet (Foto: Acervo Pessoal)

A atriz, Betty Gofman, por ser notoriamente apoiadora da causa, recebe diversos pedidos de resgate de cães pelas redes sociais, e acabou se aproximando da dupla do RioPet que pode oferecer um lar temporário para os animais. A corrente do bem se completa com Tatiana Verena, gerente da página AdoçãoCarioca e responsável por fazer uma investigação minuciosa para saber se o adotante está apto a dar uma vida de qualidade ao pet.

–  Comecei a pegar um bichinho aqui, um bichinho ali, e quando vi, eu estava conseguindo muitas parcerias para ajudar na causa. Isso foi criando uma rede de uma dimensão tão grande, que eu mesma me assustei. Quando parei para pensar, percebi que acabei formando uma corrente enorme de pessoas dispostas a salvar uma vida e fazer o bem. Não tem nada mais lindo do que isso. E nessa corrente estão essas essas duas maravilhosas – afirma Betty, segurando as mãos de suas parceiras do RioPet.

O pet que vem da rua se encontra, normalmente, com saúde frágil e diversos traumas. Por isso, o trabalho vai além de oferecer abrigo. Elas contam com uma rede de pessoas bem intencionadas que consegue veterinários dispostos a fazer o acompanhamento dos cães, além de doação de suplementos alimentares, remédios, ração e diversos outros parceiros para exames em laboratório, fisioterapia e etc. 

Atualmente, no RioPet, dos 110 cães que circulam por lá diariamente, 20 são animais resgatados em busca de um lar, que são vacinados, medicados, alimentados e castrados. Porém, isso apresenta outra dificuldade enorme a Rosana e Beth, que precisam lutar para não se apaixonar demais pelos animais, uma vez que não podem ficar com todos. 

– Nós três já temos, em casa, animais resgatados. Eu tenho o Dastan, de sete anos, a Tamina, de seis, e o Pipo, que está com três anos. E ainda tem os cachorros do RioPet, pelos quais a gente já se apegou e não vai deixar sair de lá. É o caso do Lupin, que ama ficar na minha sala. Ele não tem movimentos em duas pernas, mas corre atrás de mim o dia todo – explica Rosana.

Desde a formação dessa corrente do bem, centenas de pets foram salvos das ruas. Um trabalho imprescindível que se completa com outras formas de ajudar animais abandonados. Uma delas é divulgar os pets que precisam de um lar (frequentemente publicados pelo Riopet Gáveae aAdoçãoCarioca) aumentando  o alcance dessas páginas, além de repostar pedidos de resgate sempre que possível. A união, em prol da causa,  salva vidas.

Riopet Gávea
Endereço: Estrada da Gávea, 25 – Gávea
Tel: (21) 3687-8108 / (21) 3687-8110
WhatsApp: 21.99664-6775
E-mail: contato@riopetgavea.com.br

Adoção Carioca

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