6 de novembro de 2025
GAVEANOS CONTRA O BOOM IMOBILÁRIO 

Moradores da Gávea e integrantes da Associação dos Amigos e Moradores da Gávea (AMAGÁVEA) intensificaram as ações para conter o avanço de novos empreendimentos imobiliários na região. Em uma conta rápida, tem quatro condomínios em fase de construção na região. O cenário desperta preocupação entre os moradores quanto aos impactos urbanos, ambientais e sociais dessas obras.

O temor tem uma explicação. Até agora há seis empreendimentos imobiliários em construção pela Gávea. Um dos maiores receios da vizinhança atualmente é a venda do terreno que vai da loja OMO ao Restaurante Bacalhau do Rei, no começo da rua Marquês de São Vicente. A possível demolição dessas lojas acende o alerta para a descaracterização do bairro e o desaparecimento de comércios que fazem parte da vida cotidiana da Gávea há décadas. Além disso, moradores temem um agravamento do trânsito, sobrecarga na infraestrutura urbana e desgaste do meio ambiente.

Preocupada com o cenário, a presidente da AMAGÁVEA, Luiza Maria Carneiro, convocou uma reunião de emergência em outubro para debater soluções e ações para reduzir os danos previstos, uma vez que muitos dos projetos já foram aprovados. Na ocasião, foi criado um grupo de trabalho multidisciplinar, formado por arquitetos, engenheiros, paisagistas, jornalistas advogados e outros profissionais, todos moradores da área, com a missão de organizar uma estratégia e elaborar ações que possam efetivamente deter esse crescimento desorganizado da região. A Associação também estuda a contratação de especialistas para um relatório de impacto urbano e não descarta encaminhar uma denúncia ao Ministério Público.

O vice-presidente da AMAGÁVEA, René Hasenclever, destacou a importância da mobilização dos moradores e do fortalecimento financeiro da entidade. 

– Para contratar um advogado, precisamos de verba. Embora o perfil da AMAGÁVEA conte com mais de cinco mil seguidores, o número de associados não chega a 50. A maior parte do nosso caixa vem das parcerias com o comércios. Precisamos aumentar a arrecadação.  – afirma. 

Outro motivo de preocupação é a recente implantação de uma ciclofaixa na via, que, embora represente um avanço de mobilidade, pode piorar o congestionamento em horários de pico. 

– Todo mundo tem o direito de empreender e investir nos terrenos, mas o bairro não tem mais condições de suportar esse ritmo de expansão. Essa é a nossa luta. – resume Luiza Carneiro.

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

MUITO ALÉM DO TEATRO

MUITO ALÉM DO TEATRO

 Espaço Sérgio Porto e Teatro Domingos Oliveira promovem cultura acessível aos moradores.