A arte está colorida e estampada em muros dos diferentes bairros da Zona Sul. São grafites, de artistas independentes, que dão vida à cidade e trazem temas pertinentes tanto a fatores sociais quanto geográficos. E vem mais por isso. O famoso painel da Hípica deverá ser renovado no começo do ano No sábado 15 de novembro, o Flamengo reinaugurou o muro da sede na Gávea em comemoração aos seus 130 anos. Foram convocados seis artistas rubro-negros para idealizar um museu a céu aberto com pinturas que contassem a história do clube, que durou dez dias de muita arte e pintura nos 274 metros de muro, que cerca o clube na Rua Mario Ribeiro. Cada artista ficou encarregado de retratar uma parte importante da trajetória rubro-negra, que reverencia ídolos, símbolos e principalmente a torcida.
A parte “Galinho de Quintino, Buck e a maior do mundo” é uma representação dos grandes ídolos do clube. A arte foi ilustrada pelo grafiteiro Carlos Esquivel, conhecido com Acme, um dos mais antigos artistas de rua da Zona Sul, que já pinta para o clube há bastante tempo.
– O projeto ficou caprichoso, agora a arte de rua está para a eternidade lá no muro. O processo criativo foi feito a partir de muita consultoria para entender quem não podia faltar na arte, o layout foi e voltou, um trabalho bem difícil para mim como artista – relembra.
Outro local que abriga representações artísticas é o Baixo Gávea. O restaurante Braseiro da Gávea tem parceria com a Ambev e todo ano, quando fecha para sua manutenção, convida um artista visual para criar um novo grafite para a casa. Este ano, o convidado foi Marcio SWK, que criou uma uma arte que lembra os cartões-postais do Rio de Janeiro de forma mais abstrata. Com um estilo bem voltado para formas geométricas, Márcio buscou inspiração na vista da sua casa para fazer os paineis do Cristo, do Pão de Açúcar e da Pedra da Gávea.
– Eu moro em Santa Teresa e tenho esses visuais no meu horizonte desde que nasci. Tentei mesclar tudo isso em cores, acho que minhas mãos acabaram falando na pintura, e curti muito o resultado. E o melhor, e mais importante é que o cliente ficou feliz com o resultado – garante o artista.
O grafite de Marcio SWK no Braseiro da Gávea
Conhecido no mundo por sua arte e seus personagens que estão espalhados pelos muros da região, Toz é cria do Jardim Botânico. Baiano de nascimento, ele já é carioca de coração e morou no Horto e no JB, por onde está sempre marcando presença. Recentemente participou da pintura de restauração do muro do Cap-Uerj, na Lagoa, e reproduziu seu famoso personagem, o Vendedor de Alegrias, na fachada da Casa de Antonia, na rua dos Oitis.
– Fico muito feliz de contribuir com a beleza da cidade que tanto amo e escolhi pra viver. O Rio é inspirador e fazer parte desse cenário de forma sútil me atrai e me motiva. – declara o artista.
Antonio Sodré não mora no Jardim Botânico, mas ganhou fama por seus grafites com garis, que começaram na Banca Corcovado com o retrato do famoso Seu Paulo, que já é patrimônio do bairro. Depois foi convidado para ilustrar o muro da Gerência Adjunta da Comlurb no Jardim Botânico, no início da via, também com grafites de outros garis da região.
O painel de RafaMon une tecnologia e educação no Humaitá.
No Humaitá, o “Mural da educação” estampa os 150 metros do muro do CIEP. A artista RafaMon, já tinha feito alguns trabalhos na parte interna da escola e foi convidada pelo vereador Flávio Valle para retratar a tecnologia agindo na educação. Para entrar no clima da criação, ela usou óculos de realidade virtual durante seu processo criativo.
– Eu trabalho muito a tecnologia nas minhas artes e acredito que ela não substitui nenhuma mão-de-obra, vem somente para nos ajudar, acho genial. Eles queriam que eu representasse as crianças felizes com a tecnologia, mas sem o celular. E eu quis juntar como parte lúdica a paisagem do Rio De Janeiro que é muito presente no meu trabalho. – diz RafaMon.
Em meio a esse cenário cada vez mais colorido, o grafite reafirma seu papel como uma das expressões culturais mais importantes no Rio. Mais do que estética, ele produz identidade, democratiza a arte e aproxima diferentes grupos sociais que compartilham a cidade. A arte urbana se torna uma linguagem capaz de transformar muros em narrativas, ressignificar espaços e fortalecer o sentimento de pertencimento. Com 30 anos de grafite, Acme comenta que a arte urbana está em constante evolução.
– A cena não para de evoluir e o artista urbano companha esse processo. Acredito que a rua é uma escola e o artista tem crescido como cenário urbano e também como mercado.




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