24 de julho de 2025
TAL AVÓ, TAL FILHO E TAL NETO

Texto e foto (capa): Zé Miranda

Dorothea Schunemann de Miranda, uma “gaúcha fajuta” de 65 anos, é moradora do Jardim Botânico há 36 anos. Foi no mesmo bairro que, em 1978, fundou o Baukurs, centro cultural e escola de alemão. Após anos formando incontáveis falantes do idioma germânico, Thea – como prefere ser chamada – se aposentou e pode se dedicar às tantas outras atividades que gosta. Mas a mais importante atualmente é ser avó de Niko, com direito a comemorar o Dia das Avós, em 26 de julho.

Para Thea, o melhor momento é agora, curtindo o neto Niko. (Acervo Pessoal)

Descendente de alemães, filha de um pastor luterano e natural de Santa Rosa, Thea se mudou para o Rio de Janeiro com sete  anos, junto com os pais e suas quatro irmãs. A família tinha um ritual e, todas as noites, antes de dormir, ouvia as histórias que sua mãe lia, em alemão. 

A gaúcha, cada vez mais carioca, se apaixonou por Jades Miranda, engenheiro químico e remador. Em menos de um ano, foram morar juntos no mesmo prédio onde vivem até hoje, no Horto. Na nova residência, Thea repetiu o ritual da família e passou a ler para os filhos. Mas, diferentemente da mãe, Kim e Noah (36 e 34 anos, respectivamente) não ouviam uma versão do Velho Testamento para crianças, em alemão. Em português, puderam conhecer excelentes escritores como Tony Ross, Helme Heine, Astrid Lindgren e tantos outros nomes da literatura infantil.

Thea entre os dois filhos, Kim e Noah  (Acervo Pessoal)

– Eu sempre adorei literatura infantil. As crianças têm que pensar fora da caixinha, sem moralismos, sem a cabeça voltada para temas educativos. Elas têm muita fantasia, e o livro infantil trabalha com isso. O que parece simples, na verdade, remete a uma possibilidade imaginativa enorme – explica a avó de Niko.

No aniversário das crianças, Thea aproveitou a linguagem afetiva já estabelecida e começou a escrever livros infantis como “ViKim” e “A arca de Noah”. Os exemplares eram produzidos em xerox, com ilustrações de Kim e Noah, e repassados aos familiares e convidados das festas. 

De repente, “ViKim” ficou adulto, conheceu Mayra Sá, e tempos depois nasceu Niko. Tal avó, tal pai e tal neto, o menino cresce ouvindo histórias deitado em sua cama antes de dormir. Em fase de alfabetização, o garoto já se mostra um ávido leitor, carregando um livro para todos os lados, inclusive no banheiro. 

Enquanto ser mãe vem com um “convívio diário e inúmeras obrigações”, como avó Thea pode simplesmente apreciar a companhia do neto, se dedicar às brincadeiras, com idas ao teatro, passeios pelo Jardim Botânico e pedaladas na Lagoa. Porém, isso não a impediu de estar atenta às necessidades do Niko. Ela viu nele semelhanças com a criança observadora, como Kim, que também não gostava de multidões e nem de aparecer. Por isso, quando veio o primeiro aniversário de seu neto, Thea não pensou duas vezes.

– Eu sempre colocava ele para dormir cantando uma versão nossa de “Tico-tico no Fubá”, apelidando ele de Niko-tico. Aí me veio a ideia de contar a história de uma família de passarinhos, cujo filho, Niko-Tiko, descobre que é careca. Eu escrevi um texto sobre ser diferente. Porque você supera a discriminação quando passa a valorizar as suas particularidades – relembra a avó.

Em 2020, após se aposentar e deixar o Baukurs nas mãos de seus filhos, Thea aproveitou para se dedicar à escrita. A família de Tico-ticos foi contemplada novamente nos livros “Niko-Tiko e o Papageno” e “Niko-Tiko e a família Rupamelhas”, ilustrados por André Mello e editados por Guto Miranda. Os exemplares, de capa dura, não ficaram restritos aos familiares e estão disponíveis para venda via WhatsApp, tal como o livro “Ser pai é…” – escrito em homenagem ao companheiro Jades e ao dia dos pais. Na contracapa do livro, que introduz a família de passarinhos, Schunemann resume o que é, para ela, ser avó:

– Ter um neto é uma experiência realmente maravilhosa. Já é lugar comum se dizer, que neto é amor em dobro. Eu não acredito nisso, acho que é um novo amor. É um amor libertador, pois não envolve absolutamente nenhuma obrigação. Ter neto é uma segunda nova chance. A gente tem que aproveitar! Quando nosso neto Niko nasceu, Jades e eu ficamos radiantes. Niko foi e é inspirador para tudo na vida. Acompanhar o olhar desse pequeno ser, descobrir novamente o que é praia, o que é areia, o que é joaninha e cachorro é viver de novo, e é renovador.  – afirma. 

 

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