26 de junho de 2025
UM OLHO NO CÃO E OUTRO NAS PLANTAS 

O passeio é o momento mais sagrado e salutar para os cães. É quando eles têm a oportunidade de gastar energia, estimular seus instintos, reduzir o estresse, além de ser imprescindível para o fortalecimento do vínculo afetivo com seus tutores. Mas nem tudo são flores durante a caminhada e é importante estar atento ao comportamento do animal e ao que ele encontra na rua, como as plantas tóxicas que enfeitam alguns prédios. 

Uma maneira de prevenir é evitar que ele consuma qualquer coisa ao longo do trajeto. A veterinária Viviane Guimarães Dias, plantonista na Riopet Gávea, destaca que é importante manter a guia curta e ficar atento ao passeio, sem distração no celular, como ela costuma ver pelas ruas.

Viviane Dias dá algumas dicas para o passeio seguro (Acervo Pessoal) 

—  O animal tem o instinto de cheirar por onde passa e isso não faz mal algum, mas  tem que ficar de olho porque ele pode comer algo que não deve. Basta um segundo de distração. Na rua, há restos de comida, plantas tóxicas, plantas com veneno para ratos e água de poças (que, inclusive, podem ter sido contaminadas por outros cães doentes). Até mesmo os potes de água na entrada de estabelecimentos, se não forem trocados com frequência, apresentam riscos. O tutor deve estar atento. O passeio precisa ser um momento de carinho e de interação – explica Viviane. 

Saber identificar as espécies de plantas é uma habilidade importante não só para a prevenção, mas para saber o que deve ser feito no caso do consumo. Além de plantas como a espada-de-são-jorge, costela-de-adão, coroa-de-cristo, dracenas, comigo-ninguém-pode, que são notoriamente tóxicas para os pets e frequentemente encontradas no bairro Jardim Botânico e arredores, os donos devem se manter atentos a arbustos baixos e floridos em geral. Essas são as vegetações danosas que mais atraem os cachorros, que gostam de se embrenhar em meio a elas, saindo do campo de visão do tutor. Aplicativos como PlantNet podem ser utilizados para a identificação com algum grau de precisão. Basta fotografar a planta suspeita que ela será reconhecida. 

A vegetação coroa de cristo está espalhada pelas ruas. 

A maioria dos canteiros carece de uma proteção que isole os animais, protegendo não só a vegetação mas, principalmente, os cães. Dessa maneira, mesmo um dono atento pode passar pelo infortúnio de ter seu pet em situação de risco. Alguns sintomas de intoxicação, como vômito, diarreia, náusea, tendem a aparecer em cerca de uma hora após o consumo e são sinais em casos leves e moderados. Tremores e letargia, no entanto, são sintomas de maior gravidade, que demandam atendimento veterinário imediato. 

Caso o dono tenha visto o cachorro ou gato consumir alguma planta e apresentar sintomas, deve consultar um veterinário com urgência para aplicar a medicação correta. Se não souber de qual é a planta, é recomendado que arranque dela uma amostra, para levar à consulta. Isso ajudará o profissional a identificar a causa da intoxicação e optar pela melhor maneira de tratá-la. Se o pet vomitar, não há razão para alarde, pois é uma maneira instintiva de expelir do corpo as substâncias nocivas. Isso, porém, não deve ser forçado pelo dono.

Um medicamento que é indispensável para quem tem um pet de quatro patas é o carvão ativado. Pode ser comprado em farmácia e, apesar de ser pensado para humanos, é natural e igualmente benéfico para os animais, pois o medicamento absorve toxinas e substâncias químicas no canal alimentar, podendo ser um aliado para lidar com dores abdominais e gases intestinais. Porém, ele não deve ser usado em demasia ou sem a autorização prévia do veterinário do caso, uma vez que pode atrapalhar a absorção de certas vitaminas, minerais ou outros remédios.

Marcelo passeio de olho nos  cães e nas plantas (Fotos /Zé Miranda)

O aviso vale também para os passeadores de animais, figuras comuns nos dias de hoje, que estão sempre circulando com vários cães. Marcelo Luz, 55, que circula pelo bairro do Jardim Botânico, já tem mapeado onde estão as vegetações nocivas em suas rotas de passeio e está sempre atento ao comportamento dos 15 cachorros com os quais passeia diariamente. 

– Eu já trabalho na região há mais de 20 anos e como circulo por quase 12 horas, conheço o bairro como a palma da minha mão e sei exatamente quais são os riscos em cada trajeto. É por isso que eu prefiro as ruas do alto Jardim Botânico, que são mais calmas e seguras para os bichos – afirma o passeador.

Serviço
RioPet Gávea |Estr. da Gávea, 25 – Gávea
Contato: (21) 3687-8108

Passeador: Marcelo Luz | Contato: (21) 99302-0197

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