Texto: João Pedro Passaline e João Pedro Rocha*
Em meio ao ritmo acelerado do Rio de Janeiro, um recanto escondido entre a vegetação densa do Jardim Botânico oferece não apenas lazer e tranquilidade, mas também uma história curiosa. Conhecido informalmente como Clube dos Macacos, o espaço é oficialmente batizado de Clube 17 — um nome carregado de significado e estratégia.
Fundado em 22 de setembro de 1964 por engenheiros da então Companhia Estadual de Águas da Guanabara (Cedag), atual Cedae, o clube surgiu com uma missão prática: manter equipes técnicas de prontidão durante fins de semana e feriados para garantir o atendimento a emergências no sistema de abastecimento de água da cidade. Instalado em uma área cercada pela exuberante Mata Atlântica, o terreno logo se tornou um espaço de convívio entre funcionários e suas famílias.
O nome “Clube dos Macacos” nasceu de maneira quase natural. O Rio dos Macacos, que corta os fundos do terreno e nasce na Floresta da Tijuca, inspirou a denominação carinhosa entre os frequentadores. Contudo, o Brasil vivia os primeiros meses do regime militar instaurado após o Golpe de 1964, e os fundadores temeram que um nome informal como “Clube dos Macacos” pudesse ser mal interpretado politicamente.
A entrada do Clube 17, no Horto (Fotos: Chris Martins)
Com o passar dos anos, o clube foi se tornando cada vez mais um lugar de encontro de amigos, vizinhos e, principalmente, famílias. Professor de natação do clube desde 1989, Ricardo Pinheiro conta que já deu aula para três gerações diferentes da mesma família. Para ele, o clube é sinônimo de encontro e beleza, enquanto as aulas são garantia de resenha.
– Já dei aula para a mãe de algumas alunas atuais, para a irmã mais velha e até para algumas avós delas. O clube aqui é muito família.
Além disso, o papel social que a associação desempenha nas redondezas é notável. Segundo Ricardo, o Clube dos Macacos gera muita oportunidade de trabalho para os moradores das proximidades.
Todo morador que vive nas comunidades por perto, na subida da Rua Pacheco Leão, por exemplo, já trabalhou ou conhece alguém que foi funcionário daqui – explicou.
Ricardo com Julia, que faz natação de 2014 no clube. (Acervo Pessoal)
Julia Wahmann nada no clube desde 2014, e viaja o Brasil e o mundo atrás de mares, piscinas e paisagens. A nadadora já visitou lugares paradisíacos na Alemanha, França, Espanha e Inglaterra, e ainda assim não encontrou nenhuma piscina com uma paisagem mais bonita que a do Clube dos Macacos.
– Nadei em vários lugares, mas minha piscina favorita ainda é a do clube! Nem sempre a grama do vizinho é mais verde, né? – constata Julia. – O entorno de natureza do clube é especial, graças à proximidade com a Floresta da Tijuca e às palmeiras ao redor da piscina. Ter esse refúgio verde em meio às atribulações e às correrias de trabalho é algo para se agradecer.
Além das aulas de natação, o clube oferece atividades como academia, futebol, futsal, pilates, hidroginástica e tênis. Mais recentemente, ganhou uma quadra de areia para aulas e prática de beach tennis, futevôlei e vôlei de praia.
A quadra de beach tênis é novidade no clube. (Fotos: Chris Martins)
As peladas semanais no recém-reformado campo de grama sintética são, sem dúvida, um marco do clube. Diversos grupos, das mais distintas idades, se reúnem semanalmente para a prática esportiva que sempre termina em resenha e reforça ciclos de amizade. De adolescentes até adultos de 50 e 60 anos, as peladas costumam atrair muitas pessoas que não são sócias do clube.
– Jogo lá toda sexta-feira. Temos horário marcado das 20h às 21h30 mesmo que não tenha nenhum sócio do clube no nosso grupo. A gente paga uma mensalidade para garantir o horário. A cada pelada a lista fecha com 18 pessoas e esses aí dividem semanalmente o valor. A maioria da galera que joga é da faculdade, entre 20 e 22 anos – explicou Gustavo Musa, frequentador semanal de uma pelada nos Macacos.
O quadro de filiados do Clube dos Macacos é marcado pela diversidade: são moradores da região do Horto e também de diversos bairros do Rio de Janeiro.
A piscina é principal área de lazer do clube.
– Eu dou aula para alunos que são desde donas de casa até empresários e artistas. O público de alunos é bem variado e, no quesito da localização, não é diferente. Apesar de a maioria ser do Jardim Botânico, tem gente que vem do Alto da Boa Vista para nadar aqui – explica o professor Ricardo.
Opções de confraternização também não faltam. A festa Rockeria, muito tradicional na região, continua acontecendo. A próxima edição será dia 14 de julho. O ingresso pode ser comprado pelo site ShowPass e custa R$70. Outras opções são eventos realizados em datas comemorativas, como o Arraiá dos Macacos, com data marcada para o dia 26 de julho deste ano.
Para se associar ao clube é necessário esperar. No momento, não há vagas disponíveis para novos sócios, pois há um limite para filiados ativos. Por conta disso, os novos associados chegam pelo “boca a boca” de amigos e frequentadores do espaço.
André joga tênis diariamente, em vários horários.
Morador do Jardim Botânico desde pequeno, o advogado André Figueiredo, jogou pelada por mais de 25 anos no clube, mas só em 2023 se tornou sócio. Atualmente, ele marca presença no saibro, onde joga tênis diariamente, em qualquer horário que tenha quadra disponível.
As quadras são terceirizadas, o que facilita o acesso, pois não precisa ser sócio, mas eu gosto também de prestigiar os eventos, como a roda de samba do Último Gole e a festa Rockeria. Muito mais do que um local para praticar esportes ou para visitar, o Clube dos Macacos se tornou um espaço único no bairro, por unir esporte, lazer e natureza exuberante. Só quem conhece, sabe como é bom. O lugar tem um astral maravilhoso, muito por conta de estar “dentro” da Floresta da Tijuca. – conclui André.
Clube dos Macacos
Rua Pacheco Leão, 2038 – Jardim Botânico, Rio de Janeiro
Horário de funcionamento: terças e quintas: 09h às 22h e quartas, sextas, sábados e domingos de 09h às 20h
Telefone para contato: (21) 2274-1429
*Conteúdo produzido pelos alunos João Pedro Passaline e João Pedro Rocha, por meio da parceria do JB em Folhas com a disciplina de Jornalismo e Cidadania, ministrada pela professora Lilian Saback, do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio.




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