TEXTO: William Siqueira e Guilherme Gama*
Com o avanço da idade, o lazer ganha um papel essencial na promoção do bem-estar e da qualidade de vida. Dedicar tempo a atividades prazerosas, como ir ao teatro, assistir a shows, visitar exposições ou simplesmente compartilhar momentos com amigos, contribui não apenas para a saúde emocional, mas também para manter a mente ativa e o espírito leve. Para a população 50+, o lazer não é um luxo: é uma necessidade que reforça os laços sociais, estimula a criatividade e traz mais alegria ao dia a dia.
Fora os problemas de toda metrópole, envelhecer no Rio de Janeiro é um privilégio, cheio de possibilidades, especialmente pela Zona Sul. Pode ser uma caminhada pelo Jardim Botânico, uma festa matinê no Jockey ou até mesmo uma água de coco na Lagoa, o essencial é manter o corpo ativo e o espírito vivo. Até um shopping center, como o da Gávea, pode oferecer distração.
Moradora do Jardim Botânico, Glória Regina Marcondes, de 76 anos, adota uma rotina leve e ativa. Durante a semana, participa de aulas de hidroginástica de terça a sexta-feira voltadas para o público da terceira idade, no Clube 17.
— Gosto de bater papo no condomínio, ir a restaurantes ou ao shopping. Esses momentos me fazem muito bem —relata ela, que aos finais de semana aproveita para estar com a família e com as amigas.
Glória reunida com os amigos do Clube 17 (Acervo Pessoal)
Também moradora do Jardim Botânico, Jacira Alves de Oliveira, de 67 anos, compartilha uma rotina parecida com a de muitas mulheres da sua geração. Entre as tarefas do dia a dia, a aposentada cuida da casa, da filha e da neta, vai às compras, mas aproveita, nos fins de semana para passear, como ir ao cinema e visitar parques, como o próprio Jardim Botânico.
— De vez em quando dou uma volta por lá. É um respiro na cidade — destaca,.
Já Anna Lúcia, psicóloga moradora do Humaitá, organiza sua rotina com equilíbrio entre autocuidado e trabalho. Sua programação social também é movimentada.
— Às vezes, vou a teatros, restaurantes, cinemas, ou encontro amigos em lugares com música ao vivo. Esses momentos são importantes pra mim — conta.
Roteiro para Idosos
Eis algumas sugestões acessíveis de passeios pelo Rio de Janeiro, ideais para quem busca dias mais leves, saudáveis e felizes. Um roteiro que faz a diferença quando o assunto é longevidade com estilo.
Um dos destaques é assistir “Não me Entrego Não!” de Othon Bastos que, aos 91 anos, esbanja vitalidade no palco. Em cartaz até 27 de julho no Teatro Carlos Gomes, o ator apresenta um monólogo em que relembra, com alegria e senso de humor, momentos dos seus 70 anos de carreira.
Pensando no público 50+, a publicitária Kika Gama Lobo criou a festa Kikando. A ideia surgiu quando ela viu nas redes sociais, uma DJ sueca comandando uma matinê em Estocolmo, voltada para o público maduro. Foi o estalo para perceber que, no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, não havia opções de lazer que conversassem de forma moderna e descolada com essa faixa etária.
Kika e o DJ Mamede já estão nos preparativos da próxima Kikando, dia 9/8
— Sempre fui atenta ao mercado da longevidade e só via festa brega, em shopping center, na praça de alimentação — conta Kika que tem dois livros lançados com essa temática: “Kikando na Maturidade” e “Crônicas de uma carioca grisalha”, ambos pela Editora Lacre.
Junto com o DJ Marcos Mamede, amigo de longa data, eles apostam em uma festa com proposta inovadora: dançar, socializar e curtir boa música em um ambiente agradável e sem estigmas. Eles oferecem quase cinco horas de diversão intensa para esse público 50+. A próxima edição da festa já tem data marcada: será no dia 9 de agosto, dentro do Jockey Club Brasileiro.
Outro evento que segue essa linha é a festa Século XX que, sob o comando do DJ Tito M, promove uma viagem sonora para a turma acima dos 40 anos, com músicas lançadas nas décadas de 1970, 1980, 1990 e 2000. A terceira edição já está agendada para 16 de agosto no Vista Bar, (rooftop do Maguje).
DJ Tito M comandando a festa Século XX no Vista Bar (Divulgação)
As festas chegam como um movimento que celebra o envelhecer com estilo, autonomia e alegria — provando que a maturidade está longe de ser sinônimo de silêncio ou apagamento.
*Conteúdo produzido pelos alunos William Siqueira e Guilherme Gama, através da parceria do JB em Folhas com a disciplina de Jornalismo e Cidadania, ministrada pela professora Lilian Saback, do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio.




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