7 de agosto de 2025
UM PASSEIO PELAS ALTURAS

Texto e fotos: Zé Miranda

Enquanto a vida segue normalmente pelas ruas do Jardim Botânico, há aqueles que se aventuram nas alturas, rumo ao imponente Corcovado. São 710 metros de pura rocha e vegetação que abriga o Cristo Redentor, uma das sete maravilhas do mundo moderno. O local é destino visado por diversos praticantes da escalada, tornando-se mais um atrativo do bairro. 

Dudu recomenda que as trilhas sejam feitas em companhia de um guia.

Os registros iniciais do alpinismo no Brasil remetem às primeiras ascensões à Pedra da Gávea, no século 19, fazendo dela um marco inicial do esporte na cidade. A prática segura da atividade é possível graças ao equipamento usado regularmente nas rochas do Rio de Janeiro, onde a escalada é tão popular. Basta o trilheiro passar próximo a uma pedreira ou montanha na cidade e olhar com atenção que notará a presença de grampos e chapeletas na pedra, indicando uma via de escalada protegida. Resolvido esse quesito, só resta aproveitar o passeio, sempre bem acompanhado por um guia, como fez a equipe do JB em Folhas, que viveu a experiência de escalar uma das vias do Corcovado com Dudu Tukia. Apaixonado pela natureza, o  “carioca da gema” é formado nos cursos da União de Caminhantes e Escaladores do Rio de Janeiro (UNICERJ) e há dois anos e meio faz trilhas e escaladas na Floresta da Tijuca. 

– A maior diversão, para mim, é subir uma montanha e comer um bom sanduíche vendo a vista. E essa região é ótima para esse tipo de atividade, porque o Corcovado é emblemático. Além de o Parque Nacional da Tijuca ser público e mantido pelo Instituto Chico Mendes (ICMBio) em parceria com o governo federal, fazendo com que o lugar seja seguro para a atividade e aberto a todos – explica o guia, avistando a Zona Sul carioca, do alto da trilha para o Corcovado. 

Dudu apresentou a via “Grande Carrô”, aberta em 2007 e localizada na face sul da casa do Cristo Redentor. A trilha é uma das vias de acesso ao Corcovado por seu lado mais selvagem, atravessando trechos menos frequentados do Parque Nacional da Tijuca. Ela mistura caminhada por terreno íngreme, trechos com mata fechada, e escalada em rocha. Para acessá-la, foi necessário se embrenhar por mata fechada e confiar no guia. Mas valeu muito a pena! Após quase 70 metros de subida na rocha, com muita adrenalina no sangue, o montanhista tem acesso a uma vista panorâmica única. Diante dos olhos, estava a vista da Cidade Maravilhosa de um ângulo único: a Lagoa Rodrigo de Freitas, o mar de Ipanema com a Ilhas Cagarras, a Pedra da Gávea e muito mais. 

Dudu levou o repórter Zé Miranda para um passeio. (Fotos Zé Miranda)

Além do visual, a escalada, praticada com regularidade, apresenta diversos benefícios à saúde. Na pedra, o praticante precisa usar a força, a flexibilidade, o equilíbrio, a coordenação motora, a resistência física e aeróbica, e muita técnica. Esse esforço todo se soma à necessidade de raciocinar com calma para planejar rotas, manusear os equipamentos de segurança e controlar o medo – inevitável nessas condições –, fazendo com que a atenção da pessoa esteja totalmente voltada para o “aqui e agora”. Além de tudo, é um esporte coletivo normalmente realizado em meio a natureza, promovendo socialização, redução de estresse e bem-estar geral, com lições que podem ser aplicadas à vida cotidiana. 

Ainda há quem diga que, para começar a escalar, é necessário uns parafusos a menos. Talvez seja verdade. Mas enquanto o material de escalada, como o baudrier, as sapatilhas, as cordas, os mosquetões e etc. podem ser emprestados, a vontade tem que vir de dentro. Para desfrutar das vistas mais lindas e únicas do Rio de Janeiro, é necessário se desafiar e curtir o perrengue, se metendo no mato e encarando a pedra. E essa é só mais uma entre tantas maneiras de amar ativamente a Cidade Maravilhosa. 

Cuidados essenciais ao escalar:

  1. Ir com guia ou escalador experiente
    Contratar um guia local ou ir com alguém que já conheça bem a via é altamente recomendado.
  2. Verificar previsão do tempo
    Em dias de chuva, a trilha e os trechos de rocha se tornam escorregadios e perigosos. Evite qualquer tentativa em condições instáveis.
  3. Equipamento adequado
    Tênis ou bota com boa aderência, capacete de escalada,
    Corda, costuras, freios e proteções móveis (se for liderar trechos de escalada), roupas que protejam dos galhos e insetos, mochila leve, com água, lanche e kit de primeiros socorros
  4. Planejamento e horário de saída
    Comece cedo para evitar o risco de escalar ou descer à noite.
  5. Condicionamento físico
    É uma trilha longa e extenuante. É preciso estar com o preparo físico em dia para aguentar a subida intensa com trechos técnicos.

SERVIÇO
Guia Dudu Tukia – tel: 21 98897-8696

 

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