17 de dezembro de 2025
A MODA PELAS RUAS DO JB 

Texto Gabriela Chambarelli e Bruna Arruda *  | Fotos: Divulgação

No Rio de Janeiro, onde a leveza encontra a criatividade, um novo olhar sobre moda ganha força. Longe dos grandes centros comerciais e da lógica massiva do fast fashion, três marcas autorais, Casa de Antônia, Dona Coisa e Wasabi, vêm construindo um caminho onde estilo, história e sustentabilidade caminham juntos. Em comum, elas compartilham a crença de que vestir é mais do que cobrir o corpo: é um ato de identidade, memória e escolha consciente.

Essas três marcas representam muito mais do que vitrines bem montadas. Elas são exemplos de como é possível fazer moda no Brasil com afeto, responsabilidade e propósito. E mostram que o caminho da sustentabilidade não precisa ser o oposto do desejo: ele pode ser justamente o que o move.

Antônia, criadora da Casa de Antônia, se define antes de tudo como vendedora. Sua loja é mais do que um espaço de comércio: é uma curadoria afetiva de pequenas marcas brasileiras, muitas vezes sem visibilidade no mercado tradicional.

Para ela, vender moda é vender histórias, e educar o consumidor sobre o valor por trás de cada peça. A loja, que mistura moda, arte e cultura brasileira, promove um consumo mais consciente. 

— Na Casa de Antônia, o cliente aprende a enxergar a alma da peça antes de olhar o preço — explica a empresária. — A sustentabilidade aqui vai além do tecido. É também social: valorizar o trabalho manual, garantir que as costureiras sejam bem pagas e possam produzir de casa. 

Mas, como ressalta Antônia, esse compromisso tem um custo: “Sustentabilidade é cara. E as pessoas ainda não entendem isso”.

Em um charmoso espaço no Jardim Botânico, está a Dona Coisa, que une moda, arte e cultura desde 2005. Criada por Roberta Damasceno, a loja surgiu do desejo pessoal de reunir tudo aquilo que ela amava, e queria compartilhar com outros.

— É ter numa loja tudo que eu amo, as coisas que eu mais admiro, as marcas ou as coisas que eu adoraria encontrar ou adoraria ter e oferecer para os outros — conta Roberta.

Com uma curadoria baseada no seu olhar, a Dona Coisa aposta em marcas nacionais e em um tripé simples e poderoso: roupas atemporais, confortáveis e de qualidade. Para Roberta, isso também é sustentabilidade.

— Quando eu falo de sustentabilidade luxuosa, é isso: vender o que tem qualidade, para durar mais e gerar menos lixo — diz.

Comandada por Ana Wambier, a Wasabi tem uma trajetória de evolução contínua, como uma escada, degrau por degrau. A marca começou com camisetas estampadas por artistas e, ao longo dos anos, se transformou em uma etiqueta de moda autoral que une design, estratégia e sustentabilidade.

— Ao mesmo tempo que você tem que criar, também tem que cuidar do seu negócio como planilha, como números. É um equilíbrio difícil — reflete Ana.

A Wasabi tem como um de seus pilares a sustentabilidade. E não apenas como conceito, mas como filtro real para todas as decisões criativas e produtivas. A marca prioriza fibras naturais, produção local no Rio e evita materiais sintéticos como o poliéster.

Mas Ana também entende os desafios de oferecer moda autoral e consciente em um mercado competitivo. Por isso, trabalha para equilibrar peças com maior valor agregado e outras com preços mais acessíveis, sem abrir mão da ética ou da estética

Seja na arte de vender com verdade da Casa de Antônia, na curadoria elegante da Dona Coisa ou na construção consciente da Wasabi, a moda autoral no Rio respira autenticidade e inspira quem busca um vestir com mais sentido.

Casa de Antonia – Rua dos Oitis, 54 – Gávea

Dona Coisa – Rua Lopes Quintas, 153 – Jardim Botânico

Wasabi – Avenida Henrique Dumont, 68B – Leblon 

*Conteúdo produzido pelos alunos Gabriela Chambarelli e Bruna Arruda, por meio da parceria do JB em Folhas com a disciplina de Jornalismo e Cidadania, ministrada pela professora Lilian Saback, do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio.

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