26 de janeiro de 2026
MUITO ALÉM DO TEATRO

Por Maria Eduarda Süssekind e Rafael Amorim* 

O Espaço Municipal Cultural Sérgio Porto, localizado no Humaitá, e o Teatro Municipal Domingos Oliveira, no Planetário do Rio, na Gávea, buscam, de formas diferentes, chegar ao mesmo objetivo: promover cultura para os cariocas de maneira acessível. Conhecidos pela programação teatral, os aparelhos municipais oferecem produções culturais que vão desde exposições até shows com novos artistas.

Diferentemente de outros espaços voltados para as artes, os equipamentos Culturais do Município do Rio de Janeiro possuem um formulário de pedido de pauta, em que qualquer pessoa que deseja expor um projeto de cultura pode enviar para consideração. Cada um tem sua própria curadoria, como é o caso do Sérgio Porto e do Domingos Oliveira. A solicitação de pauta é aberta e organizada de forma trimestral, e o link fica disponível no site da Secretaria Municipal de Cultura

Há quase 40 anos, o Espaço Municipal Cultural Sérgio Porto se destaca pela pluralidade de manifestações artísticas como, espetáculos teatrais, apresentações musicais, oficinas, performances e encontros de poesias. O espaço funciona todos os dias, menos às terças-feiras, quando fica fechado, e tem como proposta incluir na programação ideias inovadoras, que, muitas vezes, abrem portas para jovens artistas, segundo a gestora Luiza Rangel.

– No Sérgio Porto, especificamente, a gente segue mais pela linha da inovação e da autoria. Priorizamos projetos, textos e dramaturgias novas, de autores contemporâneos, principalmente espetáculos inéditos que trabalhem com uma linguagem mais experimental e inovadora.Também temos um olhar bastante curioso para o teatro de pesquisa. Isso faz com que o espaço esteja sempre aberto para receber a arte mais experimental – explica.

Gestora do Sergio Porto desde 2021, Luiza Rangel, já recebeu mais de 200 projetos.

Na programação do Sérgio Porto estão as peças “TIP – Antes que me queimem eu mesma me atiro no fogo”,  com Milla Fernandez e direção de Rodrigo Portella; O PÔA – Um ensaio cênico sob a perspectiva de uma PCD, com Nabuco e Gabriela Ruppert e direção de Vitor Hugo Guimarães e Luiza Kosovski e Pedrinhas Miudinhas, com Ricardo Lopes, baseado na obra de Luis Antonio Simas, dirigido por Bruce Gomlevsky, que propõe um mergulho fundo na cultura popular brasileira. 

Inaugurado na década de 1970, o Teatro Municipal Domingos Oliveira, que fica na antiga área do Planetário do Rio, passou por diversas reaberturas. Em funcionamento desde 2023, o espaço ainda busca formar, dentro do bairro, um público que consuma suas produções.

– A gente trabalha muito para firmar a programação do (teatro) Domingos de Oliveira com o público da Gávea. Quero que o bairro abrace, assim como fez com os teatros do shopping e tenha um apego a eles – afirma Beatriz Souto Maior, gestora do espaço. 

Para despertar  o interesse do público, o espaço dá destaque a projetos produzidos por nomes mais conhecidos. Aproveitando a proximidade com a PUC-Rio, o teatro realiza um projeto em parceria com o Departamento de Artes Cênicas da Universidade, permitindo que estudantes e pesquisadores apresentem seus trabalhos e estudos desenvolvidos. Além disso, o espaço oferece aulas de iluminação, e sonorização gratuitas, além de oficinas de teatro para crianças e adultos.

“Um lugar logo ali” é um dos espetáculos em cartaz no Domingos Oliveira. (Foto: Divulgação)

A programação no começo de 2026 conta com os espetáculos “BRIO! 2026”, de Hamilton Vaz Pereira, e “Um lugar logo ali”, com Daniel Leuback, Helena Hamam, Kai Lopes e Raphael Pompeu. 

Os equipamentos teatrais da prefeitura têm o cuidado de proporcionar um acesso mais democrático e amplo à cultura. De acordo com a gestora do Sérgio Porto, uma das estratégias para garantir essa inserção é vender os ingressos a preços populares, com valores no máximo a 80 reais a inteira. Ela ressalta, no entanto, que a maioria das peças não chega a esse custo e algumas até são gratuitas, com pagamento da entrada através da doação de 1kg de alimento. 

O jornalista Diogo Uchôa, de 36 anos, frequenta semanalmente o espaço do Humaitá desde que se mudou para o bairro, em 2016. Segundo ele, além de oferecer produções de qualidade, o equipamento proporciona aos moradores o contato com a cultura, de maneira acessível. Diogo valoriza o atendimento carinhoso e receptivo dos funcionários, características que, para ele, refletem a identidade do Sérgio Porto de ir muito além do teatro. 

– Ano passado, recebi um videozinho no meu aniversário do pessoal do teatro. Eles disseram que era feito para o usuário que sempre vem em todas as peças. Isso foi muito especial. Só falta o meu cartão de cliente fidelidade. – brinca o jornalista. 

ESPAÇO CULTURAL MUNICIPAL SÉRGIO PORTO 
Rua Humaitá 163 
TIP – Antes que me queimem eu mesma me atiro no fogo 
Até 8/2 | sexta e sábado, às 20h, domingo às 19h. 
O PÔA | até 11/2 – quarta, às 20h
Pedrinhas Miudinhas | até 8/2, sexta e sábado, 19h, domingo às 18h

TEATRO DOMINGOS DE OLIVEIRA 
Av. Padre Leonel Franca, 240 – Gávea
BRIO! 2026 | Até 8/2 – sexta e sábado, às 20h; domingo às 19h
Um lugar logo ali | Até 8/2 – sábado e domingo, às 11h 

*Conteúdo produzido pelos alunos Maria Eduarda Süssekind e Rafael Amorim, através da parceria do JB em Folhas com a disciplina de Jornalismo e Cidadania, ministrada pela professora Lilian Saback, do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio.

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