Foto: Crédito Luciana Whitaker
No mês de fevereiro, a sociedade civil cansou de ficar só reclamando e foi à luta! Associações de moradores e coletivos se uniram para criar o abaixo-assinado “Por um Rio mais verde”, que denuncia o avanço do desmatamento urbano e cobra mais transparência nos licenciamentos. Na Zona Sul, o alerta é para cinco empreendimentos imobiliários na Gávea, com destaque para o Gaví, na Rua Marquês de São Vicente, que começou derrubando dezenas de árvores em seu terreno. A Associação de Moradores da Gávea, junto com outros moradores, vem organizando manifestações para chamar a atenção e tentar criar limites para a exploração imobiliária.
Não é de hoje que a população vem assistindo à perda de áreas verdes nesses territórios. No Humaitá, o empreendimento Hum, de 2024, ocupou o terreno do Colégio Padre Antônio Vieira; já no Horto, desde 2014 a obra do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), incomoda os moradores do Horto, sendo que, em 2023, foram retiradas mais de 450 árvores. E ainda na Zona Sul, o terreno do antigo Colégio Bennett teve 71 espécies arrancadas.
Todas saudáveis e fundamentais para amenizar o calor, ajudar na drenagem das chuvas e preservar a biodiversidade urbana.
O texto da carta destaca que o Rio de Janeiro possui hoje um déficit superior a um milhão de árvores, sendo mais de trezentas mil reconhecidas oficialmente pela própria Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Em um cenário de emergência climática, esse número preocupa especialistas, que associam a perda de cobertura vegetal ao aumento das temperaturas, à formação de ilhas de calor, à piora da qualidade do ar e ao crescimento dos riscos de alagamentos e deslizamentos.
O movimento reforça que não é contra desenvolvimento, mas defende um modelo que concilie crescimento, justiça climática, participação social e preservação ambiental. Tudo isso tem um preço – e a natureza está cobrando com juros, em forma de enchentes mais frequentes e calor exagerado.
ENTENDA O PROBLEMA
Segundo a Associação de Moradores e Amigos da Gávea (Amagávea), mais de 13 empreendimentos entraram em execução ou receberam licenciamento em um curto período, que vai resultar em mais de 650 novas residências na região.
Seguindo esse cálculo, como o bairro tem apenas uma via de acesso, a preocupação é que os novos prédios e casas irão provocar um impacto significativo no trânsito, no saneamento e no consumo de energia, além de danos ambientais, como consequência de áreas que estão sendo desmatadas por construtoras.
Até agora, mais de 120 árvores foram retiradas e o número deve aumentar, já que outros terrenos estão à venda.
Sem falar que não há estudo de impacto cumulativo e de infraestrutura.
Quem quiser apoiar pode assinar a carta aberta:




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