28 de maio de 2026
UM VIOLÃO EMBALA A FEIRA NO HORTO

Quarta-feira é dia de feira livre na Rua Abreu Fialho, no Horto. Entre caixas de legumes, fregueses apressados e o barulho típico das barracas, uma melodia afinada se destaca — ou melhor, dá o tom. É Daniel Pereira Barbosa, 18 anos, jovem feirante de Guaratiba que transformou o violão em companhia inseparável e vem chamando a atenção na feirinha enquanto trabalha na venda de frutas.

Há cerca de dois meses na feira do bairro, Daniel já acumula dois anos de experiência em feiras, trabalhando na barraca de um tio. Entre um atendimento e outro, aproveita os momentos de calmaria para dedilhar acordes.

 — É terapia. Em vez de ficar mexendo no celular, fico com o violão. — resume.

A música entrou cedo em sua vida. Sem tradição musical na família, começou ainda criança, aos três ou quatro anos, tocando bateria na igreja evangélica que frequenta em Guaratiba. O violão veio depois, por influência do padrasto, que mantinha um instrumento em casa.

— Eu era muito inquieto. Comecei brincando no violão dele e depois fui levando mais a sério. Aos nove anos, já tirava as primeiras músicas sozinho — conta.

Hoje, Daniel se dedica ao violão de nylon e ao estudo da bossa nova, do choro e da música gospel. As primeiras influências, porém, vieram do rock pesado, com bandas como Metallica, Scorpions e Guns N’ Roses. Atualmente, Tom Jobim é sua principal referência, e “Wave”, a composição favorita que ele pratica diariamente.

O talento não passou despercebido. Entre os clientes da barraca está o maestro e arranjador Gilson Peranzzetta. A conversa começou durante um atendimento e evoluiu para uma troca musical que se repete toda quarta-feira. Desde então, o maestro comenta harmonias, sugere caminhos e indica referências da música brasileira, como os estudos na plataforma do violonista Nelson Faria, que atualmente o jovem pratica.

— Eu estava tocando, ele chegou para comprar algo e começamos a trocar ideia sobre músicas, até que eu perguntei se ele tocava algum instrumento. Agora, toda quarta eu perturbo ele. — brinca Daniel.

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

O CIENTISTA DA COMPOSTAGEM 

O CIENTISTA DA COMPOSTAGEM 

Há 24 anos no Jardim Botânico, Lusimar Lamarte transforma resíduos vegetais em adubo e preservação ambiental