Chris Martins e Zé Miranda
Quem disse que a juventude não se interessa por política? As eleições deste ano mostraram o contrário. De norte a sul do país, estudantes ocuparam as ruas, organizaram debates e campanhas de vira-voto. Arregaçaram as mangas em defesa da democracia e tiveram papel importante na mobilização que ajudou a eleger Luiz Inácio Lula da Silva para o quarto mandato.
Aqui, na nossa vizinhança, os alunos da PUC-Rio deram uma aula de participação política. Após o primeiro turno, criaram o movimento independente PUC-Rio Antifascista, transformando indignação em ação. Não se intimidaram diante de grupos de extrema-direita que, em manifestação na porta da universidade, teriam dirigido ofensas e ameaças aos alunos. O episódio mais revoltante foi o desrespeito à memória de Marielle Franco, ex-aluna da PUC: aos gritos de “Marielle, presente!”, manifestantes responderam “Marielle, ausente!”.
— Eles fizeram um discurso de ódio com o nome de Marielle Franco, dizendo coisas terríveis na frente dos alunos que têm ela como referência. A gente não podia deixar isso passar e não deixamos! — conta Carolina Damian, de 22 anos, estudante de Psicologia e coordenadora do movimento.
Em tempos de violência explícita, os jovens mostraram que é possível ter firmeza sem perder a ternura. Não caíram nas provocações. Responderam com mobilização coletiva e, no dia 22 de outubro, realizaram o ato “Sementes de Marielle”, com lideranças políticas, entre elas Anielle Franco (PT), irmã de Marielle, eleita a mulher mais votada para deputada federal pelo Rio de Janeiro em 2026.
E pensar que ainda há quem considere os jovens alienados, preocupados apenas com as redes sociais! Mas a mobilização foi muito além das universidades. Jovens, adultos e idosos, brasileiros de todas as idades, foram às ruas, conversaram com vizinhos, participaram de campanhas e mostraram que a defesa da democracia não tem idade. Cada geração, à sua maneira, fez sua parte.
Enquanto a extrema-direita e movimentos autoritários avançam em diferentes países, o Brasil remou contra a corrente. Mas seria ingenuidade acreditar que a vitória nas urnas encerra a disputa. Com forte presença da direita na Câmara e no Senado, o caminho exigirá diálogo, vigilância e participação popular.
A democracia não se garante apenas com o voto. É construída todos os dias, com respeito às diferenças e cidadãos que, como diz o Hino Nacional, “não fogem à luta”.
Na PUC-Rio, a história de resistência ganhou mais um capítulo. Marielle continua presente. E a democracia agradece.




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