Texto: Chris Martins | Fotos: Silvia Freitas (fachada)
Os moradores do Jardim Botânico levaram um susto durante o carnaval deste ano, quando passaram pela Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR) e viram a parte da frente do terreno demolido. Mas o momento não é para alarde. Prestes a completar 70 anos de existência em 4 de agosto, a instituição está fazendo uma grande reforma de modernização, a primeira em toda a sua existência, onde quem vai ganhar é o paciente. Quem garante é João Grangeiro, ortopedista com pós graduação em medicina física e reabilitação, que há três anos está à frente da instituição como superintendente executivo.
– Esta reforma não é apenas para pintar e trocar o piso. Estamos promovendo uma modernização também no atendimento, com investimento em equipamentos novos e também de olho na otimização do espaço, que sempre foi espalhado e gerava muita despesa em segurança, limpeza e consumo de energia. Vamos tornar o dia a dia da instituição mais prático. A mudança é para melhor”. – garante o superintendente.
Para João Grangeiro, a reforma vai agradar a todos os pacientes (Foto: Chris Martins)
A obra começou em agosto de 2023 e o investimento é da ordem de R$30 milhões, que foi captado pela Ikarea, empresa especializada neste segmento. A reforma foi mais intensa nos últimos meses, aproveitando as férias, quando o movimento – de dezembro a fevereiro – reduz em 40%. E mesmo assim, não houve mudança no atendimento. “A mágica tem sido trocar o pneu com a caminhonete andando”, brinca João, que acredita que deva inaugurar as novas instalações até abril. “Seja em casa ou em hospital, obra é obra e nunca cumpre o cronograma”, diz.
A revitalização do espaço pretende modernizar as áreas de internação, o setor infanto-juvenil e o atendimento ambulatorial, além de aumentar o espaço dos pacientes do SUS. A área de internação foi a mais privilegiada e está sendo melhor estruturada. Do total dos 80 apartamentos que existem, 30 estavam fechados, sem equipamento e agora serão arrumados e disponibilizados aos poucos, atendendo a demanda. Grangeiro aproveita para esclarecer:
– Esses quartos vão funcionar como uma área de desinternação. Vai atender, especialmente, o paciente que teve um derrame, foi estabilizado, mas ficou com uma série de sequelas: não fala, não mexe o braço. Ao invés de ir para casa, em um sistema de home care, com um médico e um enfermeiro diferente a cada dia, o ele vai poder optar, através do seu plano de saúde ou particular, de vir para o hospital de reabilitação da ABBR, passar um período, onde será acompanhado para desenvolver um tratamento todo focado em suas necessidades.
A instituição que é privada, sem fins lucrativos, surgiu em 1954 com o objetivo de atender as vítimas da poliomielite e pessoas portadoras de sequelas motoras para que elas tivessem acesso a um tratamento especializado e fossem reintegradas à sociedade, trabalho inexistente no Brasil naquela época. Hoje, a ABBR é uma referência para a população carioca, o primeiro nome que surge quando alguém tem um AVC, derrame ou trauma e recebe pacientes de todo o Estado, além de enfrentar novos desafios da ciência. “Nós vencemos a pólio, mas hoje temos que cuidar do autismo, da paralisia cerebral e de pessoas com diabete crônica, que tem que amputar membros. As patologias vão mudando e a ABBR vai se adequando no combate a elas”, destaca João.
Pelo terreno de 13 mil m2 – com área edificada de 6.000m2, circulam mais de 400 pessoas diariamente em busca de tratamento. Deste total 70% é atendido pelo Sistema Único de Saúde, enquanto os outros 30% são particulares. E apesar de todo este cuidado e prestígio, a instituição recebe pouco repasse dos governos estadual e municipal.
– Para você ter uma ideia, a Prefeitura do Rio faz um repasse de apenas R$10 por consulta médica, pela tabela do SUS (Ministério da Fazenda), enquanto nós pagamos o restante, cerca de R$100 para o médico com especialidade que faz a diferença no nosso quadro. Só para comparar, a rede Sarah conta com uma verba federal de R$1 bilhão para todo o Brasil. A gente só quer um pouco mais de carinho dos nossos políticos e administradores, para que eles entendam que no Estado do Rio de Janeiro não existe um centro de reabilitação como o da ABBR, com a nossa capacidade de atendimento.
Sobre o futuro, Grangeiro só tem um pensamento: vamos continuar mantendo vivo o DNA da ABBR, promovendo o melhor atendimento hospitalar, com médicos que são uma referência. Que a instituição sobreviva por mais 70 anos mantendo o seu atendimento de excelência”, aposta o médico.
Parabéns
Tenho certeza que esta obra beneficiará a todos