10 de julho de 2025
A INSEGURANÇA QUE NOS CERCA

Está virando rotina. Todo dia tem alguém me parando na rua, enviando mensagem ou se manifestando pelas nossas redes para citar algum caso de violência na região. Normal, porque a cidade inteira está vivendo esse momento de insegurança, mas o Jardim Botânico, essa nossa bolha verde, tem tido mais ocorrências do que o habitual. Na última quinta-feira do mês acontece a  reunião do Conselho Comunitário de Segurança, com a presença do comandante Ludogero, do 23º BPM.  Na última, foram comunicados o elevado número de furtos e roubos de celular e o aumento de furtos na região do Parque Lage, que é usado como local de fuga.  Esses registros corroboram as situações que moradores do quarteirão entre o Parque Lage e a Rua Conde Afonso Celso vêm vivendo com frequência.

Os moradores da Rua Benjamin Batista começaram a notar, há alguns meses, um movimento estranho que saía da vegetação do Parque Lage, que fica ao lado do prédio amarelo, no número 34 da rua. Depois descobriram que os assaltantes roubavam pedestres no bairro e se escondiam na mata do parque durante o dia. E, religiosamente, por volta das 18h, saíam do esconderijo pela vegetação da Benjamin Batista, como se fosse fim do expediente, mas a tempo de faturar algum, caso algum incauto passasse no local no momento.  A polícia foi avisada e aos poucos foi prendendo alguns, mas os vizinhos da área ainda evitam passar por ali nesse horário. 

A mata ao lado do prédio 34 está marcada (Fotos: JB  em Folhas) 

Outro caso que chamou a atenção foi o assaltante de moto, disfarçado de entregador de Ifood, que vinha fazendo a festa nas ruas Conde Afonso Celso, Oliveira Rocha e Praça Pio XI. Ele agia normalmente à noite e seguia um ritual: subia na calçada, apontava a arma e levava celular e dinheiro. E fez isso intensamente nos últimos meses, mas já atua há muito tempo, há anos, porque eu mesma presenciei uma ação dele em uma noite de verão de 2023. Estava com uns amigos na pracinha quando um conhecido passou, nos cumprimentou e seguiu pela Conde Afonso Celso. Dois minutos depois ouvimos o grito “pega ladrão!” e ele voltou contando que tinha sido rendido por um motoboy que levou seu celular. 

Em junho deste ano, o assaltante lançou o golpe em três moradores da mesma família, mas não conseguiu levar nada, por conta de reações inesperadas das vítimas. Uma entrou correndo no prédio, a outra deu ré com o carro. As atitudes foram intempestivas e arriscadas e poderiam ter acabado em tragédia. Mas vendo com calma, levantou uma suspeita de que a arma era falsa. Só isso para justificar a falta de reação do gatuno, que finalmente foi preso na segunda-feira, dia 7 de julho, por conta, novamente, da ação de moradores. Quando ele foi atacar uma vítima, um vizinho que estava saindo da garagem, jogou o carro em cima e conseguiu imobilizar o meliante, que logo foi cercado por outras pessoas que passavam na rua. E, ali, descobriu-se que ele usava uma arma falsa para os seus assaltos.  Levado para a 15ª DP, na Gávea, José Edison da Silva acabou confessando outros crimes e a delegada titular está pedindo e reforçando que os moradores precisam fazer o boletim de ocorrência. 

O motoqueiro confessou seus crimes (Foto: Reprodução)

A vida segue, mas as marcas estão ali. A bucólica pracinha faz parte do passado. Hoje as pessoas andam por ali apressadas, olhando para o lado e acompanhando o movimento dos veículos. Os pontos escuros das ruas provocam insegurança, muito embora, nesse caso, a culpa da pouca iluminação é fruto do descaso da Prefeitura em não podar as árvores, mas isso é outra história. 

No último feriado, eu estive em São Paulo e no bairro onde estava hospedada vi uma placa que chamou minha atenção e que, junto com a ação dos bravos moradores desta semana, reforça um sentimento.  A placa diz “Vizinhança Solidária – área vigiada pela comunidade. Comunicamos toda atitude suspeita imediatamente para a polícia”.  É isso,  contra a insegurança, só o coletivo resolve.  Ninguém vai virar super-herói, mas precisamos, mais do que nunca, nos organizarmos. Não basta reclamar, é preciso participar, assim como a Prefeitura precisa cuidar da iluminação e podar as árvores e a PM montar uma ronda efetiva e estreitar esse canal com os moradores,  para enquadrarmos esses meliantes que andam tirando o nosso sossego. Eu mesma já conversei com vizinhos da rua onde moro para criarmos um grupo de WhatsApp, para nos comunicarmos quando houver algum movimento estranho.  O problema está em racionalizar o grupo, para que não se perca em discussões irrelevantes e que não acrescentem nada. O importante é começar com pequenos movimentos, mas começar.  

Voltando ao início do texto, vale dizer que quando recebo uma denúncia, ela sempre vem acompanhada da frase “não precisa citar o meu nome, não quero aparecer”.  As pessoas se esquecem que o movimento coletivo é que vai fazer diferença. Apesar de o jornal ter um alcance, sou eu a figura mais conhecida, que está sempre circulando por aí. Para o bem e para o mal. 

O  que vai fazer diferença são várias pessoas reclamando ao mesmo tempo, chamando a atencão dos órgãos competentes. Não podemos mais ficar à mercê de toda essa insegurança, mas para isso é necessário sair detrás da cortina e gritar quando virmos alguma atividade suspeita. É aquela velha máxima… juntos, somos fortes! Vamos tentar? 

 

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