No meu rolé pela região, venho observando o crescimento das pessoas em situação de vulnerabilidade no Jardim Botânico. Antes a gente contava nos dedos as figuras que circulavam pelas ruas do bairro. A mais conhecida é Luzinete, que circula pela região próxima à Visconde da Graça e até foi beneficiada durante a pandemia, com uma campanha feita pelo JB em Folhas, que dava a ela uma quentinha do Bar Joia por dia.
O que era pontual no bairro agora é uma realidade igual a do resto da cidade. Outro dia, voltando do Horto, a média era de uma ou duas pessoas em situação de rua por quarteirão. Segundo dados municipais, o Rio de Janeiro já conta com 8.195 pessoas em situação de vulnerabilidade, segundo pesquisa feita em 2024. Um número que segue em alta e evidencia a gravidade do problema.
A lógica tradicional de “recolher e encaminhar” frequentemente fracassa porque parte do princípio de que todos estão em condições de reorganizar a própria vida de forma imediata. Mas não é assim. Muitas dessas pessoas convivem com transtornos mentais graves, dependência química, traumas profundos e rompimento de vínculos familiares. Esperar respostas lineares de quem vive uma realidade marcada pelo sofrimento é desconhecer a complexidade humana.
Nossa querida Luzinete é um bom exemplo. Segundo fontes, ela tem família que mora no Andaraí, mas acaba fugindo. Isso revela que ter família, endereço de origem ou oferta eventual de ajuda nem sempre resolve.
Por isso, políticas públicas precisam ir além dos abrigos emergenciais. O espaço é necessário, especialmente em noites frias ou situações de risco, mas sozinho não basta. É preciso atendimento contínuo de saúde mental, acompanhamento psiquiátrico, assistência social persistente. E isso, infelizmente, a Prefeitura não consegue resolver e nem dá conta, especialmente nos dias atuais
O desafio não é apenas retirar pessoas das ruas, mas construir respostas compatíveis com realidades difíceis e, às vezes, sem racionalidade aparente para quem observa de fora. Sem compreender isso, o poder público seguirá enxugando gelo, e a sociedade confundindo, sofrimento mental com escolha pessoal. Enquanto isso, o que nos cabe é talvez olhar com um pouco mais de acolhimento para essas pessoas tão sofridas. Vamos puxar esse debate?




0 comentários